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Questão de Português — Sujeito — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsSujeito
Código
ce414715
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
EMBRAPA
Ano
2025
Cargo
Ana ( )
        São dois pinheiros altos, e atrás deles o mar. Na linha do horizonte, as linhas parecem estar boiando, nessa luz indecisa da manhã de inverno.

         O homem lança um olhar apressado à paisagem cheia de vento e de sol, e se volta para o interior do apartamento; precisa providenciar as instalações elétricas; um amigo lhe disse uma coisa horrendamente prosaica, a saber: convém trocar o ralo do chuveiro por um desses que se pode fechar, porque assim é evitado o ingresso de baratas. É preciso pensar nisso; e também onde colocar o telefone; e em providenciar o telefone para ser colocado. (...) O colchão não veio? Mas ficaram de mandar trazer no sábado, sem falta. Ali está a cama nua; ali, homem, em breve tu dormirás, amarás, sonharás, morrerás talvez, quem sabe?

         Assim, dentro do apartamento, só existem problemas; entediado, o homem se volta para a varanda, para o mar. Em alguns minutos, houve um movimento de nuvens e de luz; há manchas verdes, três ou quatro, perto das ilhas que estão mais nítidas; parece que se ergueram um pouco no horizonte. Que planura terrena, que montanha imponente, que paisagem no mundo vale o mar? Não o mar do alto-mar, mas esse mar de costa e ilhas, sempre investindo sobre as pedras e sobre as terras, esse que leva homens e coisas dos homens, que recebe plantas que descem os rios boiando, esse mar humano e vivo, e entretanto batendo aos nossos pés a canção do eterno, chamando para o desconhecido, anunciando ao nosso mundo que este mundo não tem fim.

         Chega o porteiro, diz algumas coisas sobre calafates e ladrilhos, água e contrato. O homem desce lentamente, vai andando, encontra um amigo na esquina, o amigo pergunta se é verdade que ele agora vai morar ali no bairro, em que apartamento. Ele responde qualquer coisa, diz que é um apartamento pequeno, que ainda está arrumando, que não tem habite-se, mas dentro dele, consigo mesmo, ele pensa apenas: são dois pinheiros grandes e, atrás deles, o mar.

Rubem Braga. Dois pinheiros e o mar: e outras crônicas sobre o meio ambiente.
São Paulo: Global, 2017 (com adaptações). 
Em relação às ideias e aos aspectos linguísticos do texto anterior, julgue o item a seguir.   No segmento “É preciso pensar nisso” (segundo período do segundo parágrafo), o sujeito da primeira oração é indeterminado, o que se confirma pela flexão verbal na terceira pessoa do singular.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Sujeito indeterminado em “É preciso pensar nisso”

Gabarito: ERRADO. O sujeito da oração “É preciso pensar nisso” não é indeterminado; trata-se de sujeito oracional (ou sujeito representado por uma oração), e a flexão na 3ª pessoa do singular decorre justamente disso, não de indeterminação. A banca confunde dois fenômenos sintáticos distintos que compartilham a mesma desinência verbal.

O comando

A questão pede um julgamento Certo/Errado sobre uma afirmação que mistura análise sintática (tipo de sujeito) e morfologia verbal (flexão de pessoa). Para resolver, você precisa saber: (1) o que caracteriza o sujeito indeterminado; (2) o que caracteriza o sujeito oracional; (3) por que ambos usam verbo na 3ª pessoa do singular. A pegadinha está exatamente aí: a desinência é a mesma, mas a natureza do sujeito é diferente.

O texto e o trecho analisado

No segundo parágrafo, o cronista lista as preocupações do homem com o apartamento: instalações elétricas, ralo do chuveiro, telefone. Em seguida, escreve:

“É preciso pensar nisso; e também onde colocar o telefone; e em providenciar o telefone para ser colocado.”

A oração “É preciso pensar nisso” pode ser reescrita como “Pensar nisso é preciso” ou “Isso é preciso” — perceba que o que “é preciso” é pensar nisso, ou seja, a ação de pensar. Esse conteúdo é uma oração (reduzida de infinitivo), que exerce a função de sujeito do verbo “ser”.

A técnica que decide

O sujeito indeterminado ocorre em três casos clássicos:

  • verbo na 3ª pessoa do plural sem referência (ex.: “Falaram de você”);

  • verbo na 3ª pessoa do singular + índice de indeterminação “se” (ex.: “Precisa-se de empregados”);

  • verbo no infinitivo impessoal (ex.: “É proibido fumar” — aqui, porém, há controvérsia; a maioria das gramáticas trata como sujeito oracional).

No trecho, não há “se” e o verbo “precisa” está na 3ª pessoa do singular porque o sujeito é uma oração substantiva subjetiva (reduzida de infinitivo). Quando o sujeito é oracional, o verbo fica na 3ª pessoa do singular — mesma forma do indeterminado, mas por razão diferente. A indeterminação exige que não se possa identificar quem pratica a ação; aqui, o sujeito é perfeitamente identificável: é a oração “pensar nisso”.

Por que a afirmação está errada

A afirmação diz que o sujeito é indeterminado e que isso se confirma pela flexão na 3ª pessoa do singular. Há dois erros:

  1. O sujeito não é indeterminado — é oracional (ou, em algumas nomenclaturas, uma oração subjetiva).

  2. A flexão na 3ª pessoa do singular não confirma indeterminação — ela é consequência do sujeito ser uma oração, não de indeterminação.

Se fosse indeterminado, o verbo estaria na 3ª pessoa do plural (ex.: “Disseram que...”) ou com “se” (ex.: “Precisa-se de...”). Nenhum dos dois ocorre aqui.

Sujeito de "É preciso pensar nisso"
  • 1Sujeito oracional (não indeterminado)
    • "Pensar nisso" = oração subjetiva
    • Verbo na 3ª pessoa do singular
  • 2Sujeito indeterminado (casos)
    • 3ª pessoa do plural sem referência
    • 3ª pessoa do singular + "se"
    • Infinitivo impessoal (controvérsia)
  • 3Distinção
    • Oracional: sujeito identificável ("isso")
    • Indeterminado: agente não identificável
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Alternativa C — ❌ Incorreta (mas é o gabarito? Não, o gabarito é E)

A alternativa C afirma que o item está Certo. Ela está errada porque o sujeito não é indeterminado. A banca explora a confusão entre sujeito oracional e sujeito indeterminado, ambos com verbo na 3ª pessoa do singular. Quem marca C cai na armadilha de achar que “verbo na 3ª pessoa do singular” é sinônimo de indeterminação — o que é falso.

Alternativa E — ✅ Correta (gabarito)

A alternativa E afirma que o item está Errado. Ela está correta porque a análise sintática correta é: sujeito oracional (a oração “pensar nisso” é o sujeito de “é preciso”), e a flexão na 3ª pessoa do singular é exigida por esse tipo de sujeito, não por indeterminação. Portanto, a afirmação do enunciado é falsa.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca sujeito oracional por sujeito indeterminado, aproveitando que ambos usam verbo na 3ª pessoa do singular. A diferença: no oracional, o sujeito é uma oração (identificável); no indeterminado, não há como identificar quem pratica a ação.

PEGA ESSA DICA!

Para distinguir, tente substituir a oração por “isso”. Se “isso” for o sujeito, é sujeito oracional. Ex.: “É preciso pensar nisso” → “Isso é preciso” → sujeito oracional. Já “Precisa-se de empregados” não aceita “isso” como sujeito — é indeterminado.

Conclusão: a questão mistura dois conceitos que parecem iguais, mas são diferentes. O sujeito de “É preciso pensar nisso” é oracional, não indeterminado. Por isso, o item está ERRADO.

Gabarito: letra E.

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