Questão de Português — Figuras de Linguagem — CESPE / CEBRASPE 2025
Português›Figuras de Linguagem
Código
ce414737
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
UNIVESP
Ano
2025
Cargo
Sup Ped ( )
Nenhum homem é uma ilha, completa em si mesma; todo homem é um pedaço do continente, uma parte da terra firme. Se um torrão de terra for levado pelo mar, a Europa ficará menor, como se tivesse perdido um promontório, como se fosse o solar de teus amigos ou o teu próprio. A morte de cada homem diminui a mim, porque na humanidade me encontro envolvido. Por isso, não procures saber por quem os sinos dobram; eles dobram por ti.
John Donne. Meditações. Tradução: Fabio Cyrino. São Paulo: Editora Landmark, 2012 (com adaptações).
Texto 8A2-I Assinale a opção correta acerca de gênero textual, tipo textual e figuras de linguagem, em relação ao texto 8A2-I.
ANo trecho “todo homem é um pedaço do continente” (primeiro período), identifica-se o emprego de metonímia, na medida em que se toma a parte pelo todo.
BNo trecho “como se tivesse perdido um promontório” (segundo período), identifica-se o emprego da figura de linguagem denominada metáfora.
CO texto pertence ao gênero resenha, pois nele o autor exprime sua própria opinião a respeito da relação entre os seres humanos.
DO texto é constituído de diferentes tipos textuais, havendo nele trecho injuntivo e trechos argumentativos.
EPor se dirigir diretamente ao leitor, o autor do texto emprega, no último período, a figura de linguagem denominada personificação.
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GabaritoD — O texto é constituído de diferentes tipos textuais, havendo nele trecho injuntivo e trechos argumentativos.
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Figuras de linguagem e tipologia no texto de John Donne
Gabarito: letra D. A alternativa correta é a D, pois o texto apresenta trecho injuntivo — "não procures saber por quem os sinos dobram" — e trechos argumentativos, como a defesa da interdependência humana nos primeiros períodos. As demais alternativas erram ao classificar figuras de linguagem ou o gênero textual.
O comando da questão
O enunciado pede a opção correta acerca de gênero textual, tipo textual e figuras de linguagem. Isso significa que você deve analisar cada alternativa à luz do texto, verificando se a classificação proposta é sustentada pelo que está escrito. Não se trata de inferência, mas de reconhecimento de conceitos aplicados ao texto.
O texto e sua estrutura
O texto de John Donne é uma meditação — um texto dissertativo-argumentativo com forte tom reflexivo. Ele defende a tese de que nenhum homem é autossuficiente; todos estamos interligados. A argumentação se desenvolve por meio de metáforas ("todo homem é um pedaço do continente") e comparações ("como se tivesse perdido um promontório"). No último período, há uma instrução direta ao leitor: "não procures saber por quem os sinos dobram; eles dobram por ti". Essa instrução caracteriza o tipo injuntivo, pois orienta uma ação.
A técnica para resolver
Para acertar, você precisa dominar as definições:
Metonímia: substituição de um termo por outro com relação de proximidade (parte pelo todo, autor pela obra, etc.).
Metáfora: comparação implícita, sem conectivo.
Comparação (símile): comparação explícita, com conectivo (como, tal qual, etc.).
Personificação (prosopopeia): atribuição de características humanas a seres inanimados.
Tipo injuntivo: texto que orienta, instrui, dá ordens ou conselhos, geralmente com verbos no imperativo.
Gênero textual: forma concreta e relativamente estável que o texto assume em situações comunicativas (resenha, artigo, crônica, etc.).
Aplicando ao texto:
"todo homem é um pedaço do continente" — metáfora (comparação implícita, sem conectivo).
"como se tivesse perdido um promontório" — comparação (símile), pois há o conectivo "como".
"não procures saber por quem os sinos dobram" — imperativo, caracterizando trecho injuntivo.
Os períodos iniciais defendem a interdependência — argumentação.
Figuras de linguagem
1Metáfora
Comparação implícita
Sem conectivo
2Comparação (símile)
Conectivo "como"
3Metonímia
Substituição por proximidade
Parte pelo todo
4Personificação
Atribui características humanas
A seres inanimados
5Apóstrofe
Dirige-se ao leitor
6Tipos textuais
Injuntivo
Verbo no imperativo
Orienta uma ação
Argumentativo
Defende uma tese
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que "todo homem é um pedaço do continente" é metonímia (parte pelo todo). Erro: é metáfora, pois há uma comparação implícita entre o homem e um pedaço do continente, sem conectivo. Não há substituição de um termo por outro com relação de proximidade; há uma transferência de sentido por semelhança. A banca tenta confundir metonímia com metáfora.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que "como se tivesse perdido um promontório" é metáfora. Erro: é comparação (símile), pois há o conectivo "como" explicitando a comparação. A metáfora não usa conectivo. A banca explora a confusão entre metáfora e comparação.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o texto pertence ao gênero resenha. Erro: o texto é uma meditação (texto reflexivo/argumentativo), não uma resenha. Resenha é um texto que apresenta e avalia uma obra (livro, filme etc.), o que não ocorre aqui. O autor exprime opinião, mas isso não caracteriza resenha; é um texto dissertativo-argumentativo.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa afirma que o texto é constituído de diferentes tipos textuais, havendo trecho injuntivo e trechos argumentativos. Correto. O trecho "não procures saber por quem os sinos dobram" é injuntivo (verbo no imperativo, orientando o leitor). Os períodos iniciais ("Nenhum homem é uma ilha...") são argumentativos, pois defendem a tese da interdependência humana. O texto, portanto, mescla tipos textuais.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que, por se dirigir diretamente ao leitor, o autor emprega personificação no último período. Erro: dirigir-se ao leitor é um recurso de apóstrofe (ou função apelativa), não personificação. Personificação seria atribuir características humanas a seres inanimados, como "os sinos dobram por ti" — mas os sinos não são personificados; eles apenas dobram (ação própria de sinos). A banca confunde apóstrofe com personificação.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre metáfora e comparação (símile) e entre metonímia e metáfora, além de exigir o reconhecimento do tipo injuntivo no imperativo.
PEGA ESSA DICA!
Ao identificar figuras, verifique a presença de conectivos comparativos (como, tal qual) — se houver, é comparação, não metáfora. Para tipos textuais, procure verbos no imperativo (injuntivo) e teses defendidas (argumentativo).