Questão de Português — Questões Mescladas de Sintaxe — CESPE / CEBRASPE 2025
Português›Questões Mescladas de Sintaxe
Código
ce414741
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
UNIVESP
Ano
2025
Cargo
Sup Ped ( )
Nenhum homem é uma ilha, completa em si mesma; todo homem é um pedaço do continente, uma parte da terra firme. Se um torrão de terra for levado pelo mar, a Europa ficará menor, como se tivesse perdido um promontório, como se fosse o solar de teus amigos ou o teu próprio. A morte de cada homem diminui a mim, porque na humanidade me encontro envolvido. Por isso, não procures saber por quem os sinos dobram; eles dobram por ti.
John Donne. Meditações. Tradução: Fabio Cyrino. São Paulo: Editora Landmark, 2012 (com adaptações).
Texto 8A2-I A respeito das relações de predicação estabelecidas no texto 8A2-I, assinale a opção correta.
AAs formas “mim” e “me” (terceiro período) são pronomes oblíquos que exercem função de objeto indireto nas orações em que se inserem.
BO complemento do verbo “saber” (último período) é uma oração interrogativa indireta introduzida por uma conjunção integrante.
CNo primeiro período, o segmento “um pedaço do continente” funciona sintaticamente como sujeito da oração em que se insere, estando ele posposto ao verbo.
DNa primeira oração do último período, a forma verbal “procures” está flexionada na 2.ª pessoa do singular, sendo o sujeito da referida oração um elemento elíptico.
ENo primeiro período, o segmento “em si mesma” funciona sintaticamente como objeto indireto no período em que se insere.
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GabaritoD — Na primeira oração do último período, a forma verbal “procures” está flexionada na 2.ª pessoa do singular, sendo o sujeito da referida oração um elemento elíptico.
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Relações de predicação no texto de John Donne
Gabarito: letra D. A alternativa correta é a que afirma que, na primeira oração do último período, a forma verbal “procures” está flexionada na 2.ª pessoa do singular, com sujeito elíptico. Isso se prova diretamente no texto: a forma verbal “procures” (presente do subjuntivo, 2.ª pessoa) tem como sujeito o pronome oculto “tu”, que não está explícito na oração, mas é recuperável pela desinência verbal. As demais alternativas cometem erros de análise sintática, confundindo funções de pronomes, complementos e orações.
A questão pede uma análise das relações de predicação — ou seja, como os termos se relacionam com o verbo e entre si dentro das orações. É uma questão de sintaxe, não de interpretação de sentido. O comando é direto: “assinale a opção correta”. Portanto, precisamos testar cada afirmação contra o texto, verificando se a função sintática atribuída a cada termo está correta.
O texto de John Donne é um período composto por várias orações. Vamos analisar a estrutura de cada período para identificar as funções sintáticas:
Primeiro período: “Nenhum homem é uma ilha, completa em si mesma; todo homem é um pedaço do continente, uma parte da terra firme.”
Oração 1: “Nenhum homem é uma ilha” — sujeito: “Nenhum homem”; verbo de ligação “é”; predicativo do sujeito: “uma ilha”.
Oração 2 (reduzida de particípio): “completa em si mesma” — “completa” concorda com “ilha”; “em si mesma” é adjunto adverbial de modo (ou de estado), não objeto indireto.
Oração 3: “todo homem é um pedaço do continente” — sujeito: “todo homem”; verbo de ligação “é”; predicativo do sujeito: “um pedaço do continente”.
Oração 4: “uma parte da terra firme” — aposto explicativo de “um pedaço do continente”.
Segundo período: “Se um torrão de terra for levado pelo mar, a Europa ficará menor, como se tivesse perdido um promontório, como se fosse o solar de teus amigos ou o teu próprio.”
Oração condicional: “Se um torrão de terra for levado pelo mar” — sujeito: “um torrão de terra”; voz passiva analítica.
Oração principal: “a Europa ficará menor” — sujeito: “a Europa”; verbo de ligação “ficará”; predicativo do sujeito: “menor”.
Orações comparativas: “como se tivesse perdido um promontório”, “como se fosse o solar de teus amigos ou o teu próprio”.
Terceiro período: “A morte de cada homem diminui a mim, porque na humanidade me encontro envolvido.”
Oração principal: “A morte de cada homem diminui a mim” — sujeito: “A morte de cada homem”; verbo transitivo direto “diminui”; objeto direto: “a mim” (pronome tônico com função de objeto direto, preposicionado).
Oração causal: “porque na humanidade me encontro envolvido” — sujeito elíptico “eu”; verbo pronominal “me encontro”; predicativo do sujeito: “envolvido”.
Quarto período: “Por isso, não procures saber por quem os sinos dobram; eles dobram por ti.”
Oração principal: “não procures saber por quem os sinos dobram” — sujeito elíptico “tu”; verbo “procures” (2.ª pessoa do singular do presente do subjuntivo); objeto direto: a oração “saber por quem os sinos dobram”.
Oração subordinada substantiva objetiva direta: “saber por quem os sinos dobram” — o verbo “saber” tem como complemento a oração interrogativa indireta “por quem os sinos dobram”, introduzida pelo pronome interrogativo “quem” (não por conjunção integrante).
Oração coordenada assindética: “eles dobram por ti” — sujeito: “eles”; verbo intransitivo “dobram”; adjunto adverbial de finalidade (ou de interesse): “por ti”.
Agora, vamos analisar cada alternativa:
Relações de predicação
1Sujeito
Explícito (ex.: "Nenhum homem")
Elíptico (ex.: "procures" → tu)
2Complementos verbais
Objeto direto (ex.: "a mim")
Objeto indireto
Predicativo do sujeito (ex.: "um pedaço do continente")
3Adjuntos
Adverbial (ex.: "em si mesma")
4Orações subordinadas
Substantiva objetiva direta
Introduzida por pronome interrogativo (ex.: "por quem")
Introduzida por conjunção integrante
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A afirmação diz que “mim” e “me” são pronomes oblíquos que exercem função de objeto indireto. No texto, “a mim” é objeto direto preposicionado do verbo “diminui” (quem diminui, diminui algo — “a mim” é o alvo da ação, não o destinatário). Já “me” é pronome oblíquo átono que funciona como parte integrante do verbo pronominal “me encontro” (não é objeto indireto). Portanto, a alternativa contradiz o texto e confunde as funções.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A afirmação diz que o complemento do verbo “saber” é uma oração interrogativa indireta introduzida por conjunção integrante. No texto, a oração é “por quem os sinos dobram”, introduzida pelo pronome interrogativo “quem” (com a preposição “por”), não por conjunção integrante. A oração é subordinada substantiva objetiva direta, mas o conectivo é um pronome interrogativo, não uma conjunção. A alternativa troca o conceito de conjunção integrante por pronome interrogativo.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A afirmação diz que “um pedaço do continente” é sujeito da oração. No texto, a oração é “todo homem é um pedaço do continente”, em que o sujeito é “todo homem” e “um pedaço do continente” é predicativo do sujeito (complementa o verbo de ligação “é”). A alternativa contradiz o texto e confunde sujeito com predicativo.
Alternativa D — ✅ Correta
A afirmação diz que “procures” está flexionada na 2.ª pessoa do singular, com sujeito elíptico. No texto, a oração é “não procures saber...”, em que o verbo “procures” está no presente do subjuntivo, 2.ª pessoa do singular (tu). O sujeito é elíptico (oculto), pois não está explícito, mas é recuperável pela desinência verbal. A alternativa está correta e é a única que se sustenta no texto.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A afirmação diz que “em si mesma” é objeto indireto. No texto, “em si mesma” é um adjunto adverbial de modo (ou de estado), indicando a circunstância em que a ilha é completa. Não é complemento verbal, pois o verbo “completa” (particípio) não exige objeto indireto. A alternativa contradiz o texto e confunde adjunto adverbial com objeto indireto.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre pronome oblíquo átono (me) e tônico (mim), e entre adjunto adverbial e objeto indireto, além de testar o reconhecimento do sujeito elíptico.
PEGA ESSA DICA!
Para identificar o sujeito elíptico, observe a desinência verbal: “procures” só pode ter como sujeito “tu”. Para distinguir objeto indireto de adjunto adverbial, pergunte ao verbo: “diminui o quê?” (objeto direto) e “completa como?” (adjunto adverbial).
Conclusão: A única alternativa inteiramente sustentada pelo texto é a letra D, pois “procures” está na 2.ª pessoa do singular com sujeito elíptico. As demais cometem erros de análise sintática, confundindo funções de pronomes, complementos e orações.