Questão de Português — Concordância (Verbal e Nominal) — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce414767
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- SUSEP
- Ano
- 2025
- Cargo
- Ana Tec ( )
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: letra E (ERRADO). As formas "terem" e "abrirem" estão no plural porque concordam com o sujeito oculto "eles" (as pessoas em geral), e não com o termo "vizinhos". O trecho do texto que prova isso é:
"simplesmente porque acreditam que o respeito dos vizinhos depende de terem carro ou de abrirem suas residências para jantares."
O sujeito de "terem" e "abrirem" é o mesmo de "acreditam": eles (as pessoas que gastam seu dinheiro). "Vizinhos" é apenas o adjunto adnominal de "respeito" — não exerce função de sujeito.
A banca pede um julgamento Certo/Errado sobre uma afirmação de natureza gramatical (concordância verbal). Não se trata de interpretação de ideias, mas de análise sintática: identificar qual termo é o sujeito dos verbos no infinitivo. Para resolver, é preciso localizar o trecho no texto e reconstruir a estrutura da oração.
No segundo parágrafo, o autor discute como as pessoas gastam seu dinheiro. A frase-chave é:
"Elas o gastam naquilo que não satisfaz seus gostos pessoais, simplesmente porque acreditam que o respeito dos vizinhos depende de terem carro ou de abrirem suas residências para jantares."
Vamos decompor:
Sujeito de "acreditam": "Elas" (as pessoas).
Oração subordinada substantiva objetiva direta: "que o respeito dos vizinhos depende de terem carro ou de abrirem suas residências".
Sujeito de "terem" e "abrirem": é o mesmo sujeito lógico de "acreditam", ou seja, "eles/elas" (as pessoas). O infinitivo está flexionado (infinitivo pessoal) justamente para marcar essa concordância com um sujeito determinado, ainda que oculto.
"Vizinhos": é o adjunto adnominal de "respeito" (o respeito dos vizinhos). Não é sujeito de nada.
Portanto, a afirmação de que "terem" e "abrirem" concordam com "vizinhos" é falsa.
O infinitivo impessoal (não flexionado) é usado quando não há sujeito determinado ou quando o sujeito é genérico. Já o infinitivo pessoal (flexionado) é usado quando se quer marcar o sujeito, mesmo que ele esteja oculto. No trecho, o autor optou pela forma flexionada para deixar claro que o sujeito é "eles" (as pessoas), e não "vizinhos".
Exemplo:
"É preciso estudar para a prova." (infinitivo impessoal — sujeito indeterminado)
"É preciso estudarmos para a prova." (infinitivo pessoal — sujeito "nós")
A afirmativa está errada. As formas "terem" e "abrirem" estão no plural porque concordam com o sujeito oculto "eles" (as pessoas), e não com "vizinhos". O texto deixa claro que quem "tem carro" e quem "abre residências" são as próprias pessoas que gastam seu dinheiro, não os vizinhos. A banca tentou fazer o candidato acreditar que "vizinhos" seria o sujeito, mas ele é apenas um adjunto adnominal.
A banca explora a troca de referente: o candidato pode achar que "vizinhos" é o sujeito porque está próximo dos verbos, mas a concordância se faz com o sujeito lógico, que é "eles".
Para resolver questões de concordância com infinitivo, identifique o sujeito do verbo perguntando "quem pratica a ação?". Se o sujeito estiver oculto, reconstrua-o a partir do contexto.
Conclusão: a afirmativa está errada, pois o plural de "terem" e "abrirem" se justifica pela concordância com o sujeito oculto "eles", e não com "vizinhos".
Gabarito: letra E
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