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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
ce414792
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
PF
Ano
2025
Cargo
Adm ( )

O afrouxamento da severidade penal no decorrer dos últimos séculos, fenômeno bem conhecido dos historiadores do direito, foi visto, durante muito tempo, de forma geral, como se fosse fenômeno quantitativo: menos sofrimento, mais suavidade, mais respeito e “humanidade”. Na verdade, tais modificações se fazem concomitantes ao deslocamento do objeto da ação punitiva. Redução de intensidade? Talvez. Mudança de objetivo, certamente.

 

Se não é mais ao corpo que se dirige a punição, em suas formas mais duras, sobre o que, então, se exerce? A resposta dos teóricos é simples, quase evidente. Dir-se-ia inscrita na própria indagação. Pois não é mais o corpo, é a alma. À expiação que tripudia sobre o corpo deve suceder um castigo que atue, profundamente, sobre o coração, o intelecto, a vontade, as disposições.

 

Michel Foucault. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Tradução de Raquel Ramalhete.
Rio de Janeiro, Petrópolis: Editora Vozes, 1999 (com adaptações).

 

Julgue o item seguinte, relativos às ideias e aos aspectos linguísticos do texto precedente.

 

O deslocamento mencionado pelo autor no parágrafo é explicitado no segundo parágrafo, na resposta que, segundo ele, está “inscrita na própria indagação”.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O deslocamento do objeto da punição: do corpo à alma

Gabarito: C (CERTO). O item está correto porque o deslocamento mencionado no primeiro parágrafo — a mudança do objeto da ação punitiva — é, de fato, explicitado no segundo parágrafo, quando o autor responde que a punição não se dirige mais ao corpo, mas à alma. A passagem que ancora essa leitura é: "Pois não é mais o corpo, é a alma", que responde diretamente à indagação "sobre o que, então, se exerce?" — resposta que o próprio autor diz estar "inscrita na própria indagação".

O comando: compreensão de texto com verificação de paráfrase

O enunciado pede que se julgue a afirmação: "O deslocamento mencionado pelo autor no parágrafo é explicitado no segundo parágrafo, na resposta que, segundo ele, está 'inscrita na própria indagação'". Trata-se de uma questão de compreensão (o que o texto afirma), não de inferência. A tarefa é verificar se a paráfrase do item corresponde fielmente ao que está escrito. Para isso, é preciso rastrear, no texto, (1) o que é o "deslocamento" e (2) onde ele é explicitado.

O texto: a tese e o movimento argumentativo

O texto de Foucault apresenta uma tese central: o afrouxamento da severidade penal não foi apenas um fenômeno quantitativo (menos sofrimento), mas, sobretudo, uma mudança qualitativa — o deslocamento do objeto da punição. No primeiro parágrafo, o autor afirma:

"tais modificações se fazem concomitantes ao deslocamento do objeto da ação punitiva"

E conclui: "Redução de intensidade? Talvez. Mudança de objetivo, certamente."

No segundo parágrafo, ele formula a pergunta que guia a explicação: "Se não é mais ao corpo que se dirige a punição, em suas formas mais duras, sobre o que, então, se exerce?" E, em seguida, apresenta a resposta: "Pois não é mais o corpo, é a alma." O autor ainda comenta que essa resposta "Dir-se-ia inscrita na própria indagação", ou seja, a pergunta já contém a pista da resposta.

A técnica que decide: rastrear o referente e a paráfrase

A chave da questão está em conectar dois pontos:

  1. O que é o "deslocamento"? É a mudança do objeto da ação punitiva, do corpo para a alma.

  2. Onde ele é explicitado? No segundo parágrafo, na resposta "Pois não é mais o corpo, é a alma".

O item afirma exatamente isso: o deslocamento é explicitado no segundo parágrafo, na resposta que está "inscrita na própria indagação". Essa expressão aparece no texto: "Dir-se-ia inscrita na própria indagação". Portanto, a paráfrase é fiel. Não há qualquer extrapolação, restrição ou contradição.

Análise do item

Item — ✅ CERTO ⟵ GABARITO

O item está correto porque:

  • O "deslocamento" é definido no 1º parágrafo como "deslocamento do objeto da ação punitiva".

  • O 2º parágrafo pergunta: "sobre o que, então, se exerce?" e responde: "Pois não é mais o corpo, é a alma".

  • O autor afirma que essa resposta está "inscrita na própria indagação", exatamente como o item diz.

A passagem que prova o acerto:

"Pois não é mais o corpo, é a alma. À expiação que tripudia sobre o corpo deve suceder um castigo que atue, profundamente, sobre o coração, o intelecto, a vontade, as disposições."

E, sobre a resposta estar inscrita na pergunta:

"A resposta dos teóricos é simples, quase evidente. Dir-se-ia inscrita na própria indagação."

O item apenas parafraseia essa estrutura: o deslocamento (corpo → alma) é explicitado no 2º parágrafo, na resposta que o autor diz estar inscrita na própria indagação. Não há acréscimo de informação externa, nem supressão de detalhe essencial.

NÃO CAIA NESSA!

A banca poderia tentar confundir o candidato fazendo-o achar que o deslocamento é apenas quantitativo (menos sofrimento), mas o texto é explícito ao dizer "Mudança de objetivo, certamente". Aqui, porém, não há armadilha: o item é uma paráfrase direta e fiel.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de CERTO/ERRADO, grife os termos que conectam parágrafos ("deslocamento", "indagação", "resposta") e verifique se o item apenas reescreve o que está dito, sem acrescentar ideia nova. Se o item disser exatamente o que o texto diz, está CERTO.

Conclusão: o item está CERTO porque reproduz fielmente a informação do texto: o deslocamento do objeto da punição (do corpo para a alma) é explicitado no segundo parágrafo, na resposta que o autor considera "inscrita na própria indagação".

Gabarito: C (CERTO).

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