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Questão de Português — Concordância (Verbal e Nominal) — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsConcordância (Verbal e Nominal)
Código
ce414794
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
PF
Ano
2025
Cargo
Adm ( )

O afrouxamento da severidade penal no decorrer dos últimos séculos, fenômeno bem conhecido dos historiadores do direito, foi visto, durante muito tempo, de forma geral, como se fosse fenômeno quantitativo: menos sofrimento, mais suavidade, mais respeito e “humanidade”. Na verdade, tais modificações se fazem concomitantes ao deslocamento do objeto da ação punitiva. Redução de intensidade? Talvez. Mudança de objetivo, certamente.

 

Se não é mais ao corpo que se dirige a punição, em suas formas mais duras, sobre o que, então, se exerce? A resposta dos teóricos é simples, quase evidente. Dir-se-ia inscrita na própria indagação. Pois não é mais o corpo, é a alma. À expiação que tripudia sobre o corpo deve suceder um castigo que atue, profundamente, sobre o coração, o intelecto, a vontade, as disposições.

 

Michel Foucault. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Tradução de Raquel Ramalhete.
Rio de Janeiro, Petrópolis: Editora Vozes, 1999 (com adaptações).

 

Julgue o item seguinte, relativos às ideias e aos aspectos linguísticos do texto precedente.

 

No primeiro período do parágrafo, a flexão da forma verbal “se exerce” na terceira pessoa do singular justifica-se por sua concordância com o termo “corpo”, que é o referente do sujeito elíptico da oração em que a referida forma verbal ocorre.

  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

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Concordância verbal: o sujeito de “se exerce”

Gabarito: ERRADO. A flexão de “se exerce” na 3ª pessoa do singular não se justifica por concordância com “corpo”; o sujeito elíptico da oração é “a punição”, termo retomado do período anterior. Como se lê no texto: “Pois não é mais o corpo, é a alma” — e a pergunta que antecede é “sobre o que, então, se exerce?”. O verbo concorda com o sujeito oculto “a punição”, não com “corpo”.

O comando

A questão pede um julgamento Certo/Errado sobre um aspecto gramatical — especificamente, a concordância verbal e a identificação do sujeito elíptico. Não se trata de interpretação de ideias, mas de análise sintática: é preciso localizar o verbo “se exerce”, identificar seu sujeito e verificar se a justificativa apresentada está correta.

O texto e a passagem decisiva

No segundo parágrafo, o autor pergunta: “Se não é mais ao corpo que se dirige a punição, em suas formas mais duras, sobre o que, então, se exerce?”. A resposta vem em seguida: “Pois não é mais o corpo, é a alma.”

“Se não é mais ao corpo que se dirige a punição, em suas formas mais duras, sobre o que, então, se exerce?”

Aqui, o sujeito de “se exerce” é “a punição” — termo que aparece na oração anterior (“se dirige a punição”) e fica elíptico (oculto) na segunda. O pronome “se” é partícula apassivadora (voz passiva sintética): “a punição se exerce sobre a alma” equivale a “a punição é exercida sobre a alma”. O verbo concorda com o núcleo do sujeito, “punição” (3ª pessoa do singular), e não com “corpo”, que é apenas o termo da comparação (“não é mais o corpo”).

A técnica que decide

Para resolver, siga dois passos:

  1. Localize o verbo e pergunte “quem pratica a ação?” ou “de quem se fala?”. Em “sobre o que, então, se exerce?”, a pergunta “o quê se exerce?” → resposta: a punição.

  2. Confira a concordância: sujeito singular → verbo singular. “A punição se exerce” — correto. Se o sujeito fosse “corpo”, teríamos “o corpo se exerce”, o que não faz sentido no contexto (o corpo não exerce punição; ele é o alvo antigo).

A banca comete a clássica troca de referente: aponta “corpo” como sujeito, mas o texto deixa claro que o sujeito é “a punição”.

Análise da assertiva

A afirmativa diz: “a flexão da forma verbal ‘se exerce’ na terceira pessoa do singular justifica-se por sua concordância com o termo ‘corpo’, que é o referente do sujeito elíptico”.

  • Erro 1: o sujeito elíptico é “a punição”, não “corpo”.

  • Erro 2: “corpo” não é sujeito, mas parte da locução “ao corpo” (objeto indireto) na oração anterior.

Portanto, a justificativa é falsa.

Conclusão

A assertiva está ERRADA. O verbo “se exerce” concorda com o sujeito oculto “a punição”, e não com “corpo”. Sempre que a banca afirmar que um verbo concorda com um termo, confira se esse termo é realmente o núcleo do sujeito — desconfie de referentes trocados.

Gabarito: ERRADO.

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