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Questão de Português — Crase — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsCrase
Código
ce414830
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
FUB
Ano
2025
Cargo
Tec ( )

Texto CB2A1


        Existem muitas formas de fazer ciência — na sala de aula, na universidade, em grupos de pesquisa, institutos públicos, em centros privados. Também é possível partir da própria ciência para incentivar outras pessoas na trajetória científica, difundir o conhecimento de pesquisadores, revelar seus achados e descobertas. E pode-se fazer tudo isso junto. Mônica Santos Dahmouche é um bom exemplo disso, como física, professora, divulgadora científica, coordenadora da implantação do Museu Ciência e Vida, incentivadora de feiras, olimpíadas e hackathons de ciência e várias outras frentes, com um olhar especial para a visibilidade feminina nas ciências.


         “Eu imaginava que faria concurso para uma universidade, teria meu grupo de pesquisa, orientaria alunos. Faço isso hoje, mas de diferentes formas. Jamais tinha pensado em trabalhar em um museu de ciências. Tem sido uma jornada maravilhosa”, conta a professora.


         Nos últimos anos, Mônica mergulhou em projetos voltados a futuras meninas cientistas e à atuação diversa de mulheres na área. “Desde 2018 me emociona e mobiliza poder mostrar a elas a beleza de fazer ciência, especialmente ciências exatas, mais desiguais em termos de equidade de gênero”, afirma.


         A iniciativa já se transformou em exposições temáticas no próprio Museu Ciência e Vida e na criação, com amigas também cientistas, de uma rede de mulheres das áreas de ciências, tecnologias, engenharias e matemática (STEM). O grupo já gestou até um livro, Exatas é com elas: tecendo redes no estado do Rio de Janeiro.


         Seu motivo de orgulho mais recente é o podcast Mulheres da Hora, idealizado por ela e produzido pelo Museu Ciência e Vida e pela Fundação CECIERJ. A produção abrange histórias de mulheres que se destacam em áreas como ciências exatas, engenharia e computação.


         “O objetivo é mostrar o que se pode fazer em uma carreira de ciência e tecnologia, para além da docência na universidade ou da pesquisa”, afirma. Seja qual for o caminho escolhido, ressalta Mônica, uma formação de excelência é a base para voar. 


Elisa Martins. De museu a podcast, a arte de divulgar ciência.

In: Ciência Hoje, n.º 418, mar./2025 (com adaptações).

Julgue o item a seguir, referente a aspectos linguísticos do texto CB2A1.   No segmento “projetos voltados a futuras meninas cientistas e à atuação diversa de mulheres na área” (primeiro período do terceiro parágrafo), o emprego do sinal indicativo de crase no vocábulo “a” em “a futuras” não acarretaria prejuízo à correção gramatical do texto.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase antes de palavra feminina plural em sentido genérico

Gabarito: letra E (ERRADO). O item afirma que o emprego do sinal indicativo de crase no vocábulo “a” em “a futuras” não acarretaria prejuízo à correção gramatical do texto. Isso está errado, pois, no trecho “projetos voltados a futuras meninas cientistas”, o “a” é apenas preposição exigida pela regência de “voltados” (quem é voltado, é voltado a algo), e a palavra “futuras” está em sentido indefinido/genérico, sem artigo definido “as”. Como não há fusão de preposição + artigo, a crase é proibida; colocá-la seria um erro gramatical.

O comando

A questão pede um julgamento Certo/Errado sobre um aspecto linguístico: a possibilidade de se acrescentar o acento grave (crase) em “a futuras” sem prejudicar a correção gramatical. Trata-se de uma questão de gramática normativa aplicada ao texto, especificamente sobre as regras de crase. O comando não pede interpretação de sentido, mas sim o conhecimento da regra e sua aplicação ao caso concreto.

O texto

O trecho em análise é: “projetos voltados a futuras meninas cientistas e à atuação diversa de mulheres na área”. Observe que há dois “a” diferentes:

  • “a futuras meninas cientistas”: o “a” é preposição exigida por “voltados”. A palavra “futuras” está no plural, mas sem artigo definido — ela tem sentido genérico, indefinido (não se refere a um grupo específico e determinado de meninas).

  • “à atuação diversa”: aqui há crase, pois “atuação” é um substantivo feminino determinado (o artigo “a” está presente), e a preposição “a” (de “voltados a”) se funde com esse artigo.

A diferença crucial está na determinação do substantivo. Quando o substantivo feminino está em sentido genérico, indefinido, ele não admite artigo definido, e, portanto, não há crase.

A regra que decide

A crase é a fusão da preposição “a” com o artigo definido feminino “a(s)” ou com o “a” inicial de pronomes demonstrativos (aquele, aquela, aquilo) e relativos (a qual, as quais). Para que ocorra crase, é necessário que haja dois “a”: um que é preposição (exigida por um termo anterior) e outro que é artigo (que determina um substantivo feminino).

No caso de “a futuras meninas cientistas”, temos:

  • Preposição “a”: exigida por “voltados” (quem é voltado, é voltado a algo).

  • “futuras meninas cientistas”: palavra feminina plural, mas em sentido genérico. Não se pode dizer “as futuras meninas cientistas” no sentido de todas elas, de um grupo específico. O sentido é de “a algumas futuras meninas cientistas”, ou seja, indefinido.

Como o substantivo está em sentido genérico, ele não admite artigo definido. Logo, não há o segundo “a” (artigo) para se fundir com a preposição. A crase é, portanto, proibida.

PEGA ESSA DICA!

Para testar se há crase, substitua a palavra feminina por uma masculina equivalente. Se, no masculino, aparecer “ao”, há crase; se aparecer apenas “ao” sem crase (como “ao” = a + o), confirme. No caso: “projetos voltados a futuros meninos cientistas” — no masculino, não surge “aos”, mas apenas “a”. Isso prova que não há artigo definido e, portanto, não há crase.

Análise do item

Crase
  • 1Exige fusão de dois "a"
    • Preposição (regência)
    • Artigo definido feminino
  • 2Antes de palavra feminina plural
    • Sentido genérico/indefinido
      • Não há artigo → crase proibida
    • Sentido determinado
      • Há artigo → crase obrigatória
  • 3Teste da troca pelo masculino
    • Surge "ao" → [+] crase
    • Não surge "ao" → [-] sem crase
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Item — ❌ ERRADO ⟵ GABARITO

O item afirma que “o emprego do sinal indicativo de crase no vocábulo ‘a’ em ‘a futuras’ não acarretaria prejuízo à correção gramatical do texto”. Isso é falso.

Como demonstrado, em “a futuras meninas cientistas”, o “a” é apenas preposição, e “futuras” está em sentido genérico, sem artigo. A crase seria um erro, pois não há fusão de preposição + artigo. O correto é escrever “a futuras”, sem acento grave.

A banca explora a confusão entre o caso de “à atuação” (onde há crase, pois “atuação” é determinada) e o caso de “a futuras” (onde não há crase, pois “futuras” é genérica). O candidato que não percebe a diferença de determinação entre os dois termos pode ser levado a crer que ambos aceitam crase.

NÃO CAIA NESSA!

A banca usa o paralelismo aparente entre “a futuras” e “à atuação” para induzir o candidato a achar que, se um aceita crase, o outro também aceita. A armadilha é a generalização indevida: a regra não é “todo ‘a’ antes de palavra feminina leva crase”, mas sim “todo ‘a’ antes de palavra feminina determinada (com artigo) leva crase”.

Conclusão: O item está ERRADO. A crase em “a futuras” seria um erro gramatical, pois não há artigo definido antes de “futuras meninas cientistas”, que está em sentido genérico. A resposta correta é a letra E.

Gabarito: letra E

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