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Questão de Português — Crase — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsCrase
Código
ce414833
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
PF
Ano
2025
Cargo
Ag Adm ( )

Imaginar é um dom comum a todos os seres humanos — e também uma daquelas características que nos diferenciam dos outros animais, incapazes de atingir esse nível de abstração. Apesar disso, a criatividade parece a muitos de nós algo inacessível, difícil de cultivar, restrita apenas àqueles que já nasceram com aptidões artísticas ou inventivas.

 

Isso não é verdade. Nas últimas décadas, a psicologia e a neurociência começaram a desvendar o processo de surgimento de ideias originais no nosso cérebro — e descobriram estratégias que qualquer um pode adotar para aperfeiçoar a própria capacidade criativa, mesmo que você se considere desprovido desse traquejo.

 

O que se pode chamar de estudo científico da criatividade começou só na década de 1950, quando o psicólogo americano J. P. Guilford publicou as bases desse campo de pesquisa. Ele se interessou em responder uma pergunta essencial: de onde vêm as ideias criativas?

 

Para isso, Guilford propôs que o raciocínio humano se divide em dois tipos: o convergente e o divergente. Ambos podem ser usados para resolver problemas ou chegar a conclusões após uma análise, mas funcionam de maneira bem diferentes.

 

O pensamento convergente é aquele que busca uma única solução para um impasse específico. Ele segue uma ordem estruturada, avançando e refinando uma mesma ideia em vez de experimentar várias resoluções diferentes. Pense, por exemplo, numa questão de uma prova de matemática. Pode até haver várias maneiras de se chegar ao resultado, mas o mais fácil (e comum) é escolher um único método e seguir com ele até o final.

 

Já o pensamento divergente é mais fluido e caótico: ele explora diversas ideias diferentes ao mesmo tempo, muitas vezes misturando as soluções e conectando-as de maneiras pouco óbvias. É o raciocínio típico dos brainstormings, por exemplo. Segundo Guilford, a criatividade é um produto direto da nossa capacidade de pensar de forma divergente. Ao fazer conexões entre coisas aparentemente desconexas, criamos ideias inéditas. Até hoje, essa explicação é a mais aceita pelos cientistas.

 

Bruno Carbinatto. Penso, logo crio. In: Revista Superinteressante, jan./2025.
Internet: <super.abril.com.br> (com adaptações).

Em relação às ideias veiculadas no texto precedente, bem como a seus aspectos linguísticos, julgue o seguinte item.   É opcional o emprego do acento indicativo de crase no vocábulo “àqueles”.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase em "àqueles" — emprego obrigatório

Gabarito: letra E (ERRADO). O acento indicativo de crase no vocábulo "àqueles" é obrigatório, não opcional, pois ocorre a fusão da preposição "a" (exigida pelo verbo "restrita") com o "a" inicial do pronome demonstrativo "aqueles". Como se lê no texto: "restrita apenas àqueles que já nasceram com aptidões artísticas ou inventivas" — quem é restrito, é restrito a algo; e "aqueles" é pronome demonstrativo que admite a contração com a preposição. Não há nenhuma regra que torne facultativo esse emprego.

O comando

A questão pede um julgamento Certo/Errado sobre um aspecto linguístico do texto: se o emprego da crase em "àqueles" é opcional. Isso exige conhecimento da regra de crase diante de pronomes demonstrativos — não é uma questão de interpretação, mas de gramática normativa aplicada ao texto. O verbo do enunciado é "julgar", e a afirmação é categórica: "É opcional o emprego do acento indicativo de crase no vocábulo 'àqueles'". Para resolver, basta saber se há algum caso de crase facultativa que se aplique a "àqueles".

A regra que decide

A crase é a fusão da preposição "a" com o artigo feminino "a" ou com o "a" inicial dos pronomes demonstrativos aquele, aquela, aquilo (e seus plurais). No trecho, o verbo "restringir" (no particípio "restrita") exige a preposição "a": quem é restrito, é restrito a alguma coisa. O pronome "aqueles" começa com "a", então temos:

"restrita a + aqueles = àqueles"

A crase aqui é obrigatória, pois:

  1. A preposição "a" é exigida pela regência do verbo "restringir";

  2. O pronome demonstrativo "aqueles" admite a contração com a preposição.

Os casos de crase facultativa são apenas três, e nenhum se aplica aqui:

  • Antes de nomes próprios femininos (ex.: "Refiro-me a/à Maria");

  • Antes de pronomes possessivos femininos que acompanham substantivo (ex.: "Refiro-me a/à minha amiga");

  • Na locução "até a" (ex.: "Fui até a/à praia").

"Aqueles" é pronome demonstrativo, não possessivo, e não há "até" antes. Portanto, a crase é obrigatória, e a afirmação de que seria opcional está errada.

A pegadinha da banca

A banca explora a confusão entre os casos de crase facultativa (que o candidato decora) e a regra geral de crase diante de pronomes demonstrativos. Muitos alunos, ao verem "àqueles", lembram que "crase antes de pronome" às vezes é facultativa (como nos possessivos) e marcam "Certo". Mas a regra é clara: diante de aquele/aquela/aquilo, a crase é sempre obrigatória quando há preposição "a" exigida pelo termo anterior.

NÃO CAIA NESSA!

A banca aposta na generalização indevida — o candidato transfere a facultatividade dos possessivos para os demonstrativos, sem perceber que a regra é diferente. O pronome "aqueles" sempre admite a contração com a preposição "a".

Conclusão

A crase em "àqueles" é obrigatória, pois resulta da fusão da preposição "a" (exigida por "restrita") com o pronome demonstrativo "aqueles". Não se aplica nenhum caso de facultatividade. Portanto, a afirmação do item é falsa.

PEGA ESSA DICA!

Decore os três únicos casos de crase facultativa (nome próprio feminino, possessivo feminino, "até a"). Tudo o mais — inclusive diante de "aquele/aquela/aquilo" — é obrigatório ou proibido. Se a banca disser "opcional" para algo fora desses três, está errado.

Gabarito: letra E (ERRADO).

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