Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Regência Nominal e Verbal (Casos Gerais) — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsRegência Nominal e Verbal (Casos Gerais)
Código
ce414839
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
PF
Ano
2025
Cargo
Ag Adm ( )

A inteligência artificial (IA) generativa cresce exponencialmente, promovendo benefícios que vão da automatização de processos à geração de insights estratégicos. No entanto, essa expansão também amplia os desafios da segurança cibernética, de modo que se torna essencial a adoção de medidas preventivas.

 

A Associação de Defesa de Dados Pessoais e do Consumidor (ADDP) aponta que os crimes cibernéticos aumentaram 45% no Brasil em 2024. Isso significa que uma em cada quatro pessoas é alvo de golpes. Hackers estão se adaptando e usando IA para criar ataques mais sofisticados e difíceis de identificar.

 

Um exemplo de ataque mais sofisticado e difícil de identificar é o que ocorre por meio do uso das deepfakes, tecnologia que se vale da IA para criar imagens e áudios falsos que parecem reais. Segundo a Sumsub, plataforma de verificação de identidade, essa prática cresceu 830% no Brasil entre 2022 e 2023. Trata-se de uma tática para manipular informações, explorar a credibilidade de figuras públicas e induzir fraudes. Não à toa, as imagens de pessoas famosas e celebridades são muito utilizadas por criminosos nessa abordagem.

 

Os ataques de phishing também se tornaram mais sofisticados. A consultoria de cibersegurança Redbelt Security estima que mais de 3,5 milhões de brasileiros tenham sido vítimas desse tipo de golpe em 2023. O crescimento de dispositivos conectados e da coleta constante de dados sensíveis aponta, mais do que nunca, para a necessidade de uma proteção digital reforçada.

 

Internet: <olhardigital.com.br> (com adaptações).

Julgue o item que se seguem, referentes às ideias e a aspectos linguísticos do texto apresentado.

 

O verbo “induzir”, na acepção em que está empregado no texto, comporta-se como transitivo direto, não admitindo, portanto, que seu complemento seja introduzido pela preposição a.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Regência do verbo "induzir" no texto

Gabarito: C (Certo). No trecho do texto, o verbo "induzir" é empregado como transitivo direto, pois seu complemento vem sem preposição: "induzir fraudes". A afirmação do item está correta: nessa acepção, o verbo não admite complemento introduzido pela preposição "a". A banca testa se você confunde "induzir" com verbos que pedem "a" (como "aspirar a", "visar a").

O comando

A questão pede um julgamento Certo/Errado sobre um aspecto linguístico do texto: a regência do verbo "induzir". Não se trata de interpretação de ideias, mas de gramática aplicada ao texto — você deve analisar como o verbo foi usado no trecho e verificar se a classificação dada está correta.

O texto e o verbo em questão

No 3º parágrafo, o autor escreve:

"Trata-se de uma tática para manipular informações, explorar a credibilidade de figuras públicas e induzir fraudes."

Observe a estrutura: o verbo "induzir" aparece na forma de infinitivo, seguido diretamente do substantivo "fraudes", sem nenhuma preposição. Isso é a marca do objeto direto: o complemento se liga ao verbo sem intermediário. Se o verbo fosse transitivo indireto, seria necessário "induzir a fraudes" — o que não ocorre no texto.

A regra que decide

Regência verbal é a relação de dependência entre o verbo e seus complementos. Verbos transitivos diretos (VTD) pedem objeto direto, sem preposição. Verbos transitivos indiretos (VTI) pedem objeto indireto, com preposição obrigatória.

O verbo "induzir" — no sentido de "causar", "provocar", "levar a" — é transitivo direto: "induzir algo". Exemplos: "induzir o erro", "induzir a fraude". Não se diz "induzir a algo" nesse sentido. A preposição "a" só apareceria se houvesse um objeto indireto (ex.: "induzir a população a erro" — aí "a população" é objeto direto e "a erro" é objeto indireto). Mas no texto, o complemento é único e direto: "fraudes".

A banca adora explorar a confusão com verbos que mudam de regência conforme o sentido, como:

Verbo

Sentido

Regência

aspirar

respirar

VTD (aspirar o ar)

aspirar

desejar

VTI (aspirar a algo)

visar

mirar, rubricar

VTD (visar o documento)

visar

pretender

VTI (visar a algo)

induzir

causar, provocar

VTD (induzir algo)

No caso de "induzir", não há essa dualidade no sentido usado no texto: é sempre VTD. Por isso, a afirmação do item está correta.

Análise do item

O item afirma: "O verbo 'induzir', na acepção em que está empregado no texto, comporta-se como transitivo direto, não admitindo, portanto, que seu complemento seja introduzido pela preposição a."

  • Primeira parte: "comporta-se como transitivo direto" — correto, como vimos: "induzir fraudes" (sem preposição).

  • Segunda parte: "não admitindo, portanto, que seu complemento seja introduzido pela preposição a" — correto, pois, sendo VTD, o complemento é objeto direto, sem preposição.

Portanto, o item está Certo.

NÃO CAIA NESSA!

A banca quer que você pense em verbos como "aspirar" ou "visar", que mudam de regência conforme o sentido, e aplique isso a "induzir". Mas "induzir" não tem essa variação no sentido de "causar": é sempre transitivo direto.

PEGA ESSA DICA!

Ao analisar regência, localize o verbo no texto e veja se há preposição antes do complemento. Se não há, é objeto direto. Se há, é objeto indireto. Não decore listas sem contexto.

Conclusão: a afirmação está correta — o verbo "induzir" é transitivo direto no texto, e seu complemento "fraudes" não é introduzido por preposição. Gabarito: C (Certo).

Link permanente: /questoes/ce414839