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Questão de Português — Sujeito — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsSujeito
Código
ce414878
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
CAU MG
Ano
2025
Cargo
Ass AF ( )

O termo “soluções baseadas na natureza” foi cunhado pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). A ideia é ele ser um conceito guarda-chuva: um único termo que consegue abranger uma grande gama de estratégias, técnicas, ações e atividades que envolvem a natureza para resolver problemas sociais, econômicos e ambientais do mundo atual.

 

Quando falamos especificamente de acesso à água, as florestas aparecem como uma das principais soluções baseadas na natureza para dar segurança aos nossos sistemas de abastecimento. Elas podem trazer benefícios para a sociedade ao mesmo tempo que se apresentam como investimentos economicamente viáveis, a ponto de uma série de pesquisas começar a abordar a vegetação nativa como uma forma de infraestrutura — a infraestrutura natural. Chamamos de “Infraestrutura natural” investimentos e intervenções em conservação, manejo e restauração da vegetação nativa e de florestas. Essas ações não substituem investimentos em infraestrutura convencional, mas se complementam, aumentando os benefícios e gerando maior resiliência onde são implantadas.

 

Atualmente, a maior parte dos investimentos em infraestruturas para o abastecimento de água das cidades é feita em infraestruturas convencionais, como reservatórios, represas e estações de tratamento. Essas obras podem ganhar muito se forem planejadas em sintonia com a infraestrutura natural. Em uma paisagem degradada, ou com solo que sofre processos severos de erosão, uma grande carga de sedimentos — terra e sujeira, por exemplo — acaba indo para os rios e reservatórios, o que aumenta os custos de dragagem e acarreta maior uso de produtos químicos no tratamento da água, além de diminuir a vida útil dos reservatórios. Com a restauração de florestas em paisagens degradadas e em áreas prioritárias para o abastecimento de água, como no entorno de reservatórios, as árvores evitam que grande parte dos sedimentos chegue aos cursos d’água, funcionando como barreiras naturais e gerando economia no uso de produtos químicos e nos custos de energia das estações de tratamento.

 

Isso sem contar os benefícios mais amplos, como recuperação do solo, captura de gases de efeito estufa, que ajuda a mitigar as mudanças climáticas, formação de corredores ecológicos para espécies ameaçadas e aumento da resiliência a impactos de eventos climáticos extremos, como secas ou inundações. Dessa forma, a infraestrutura natural é um investimento inteligente do ponto de vista socioeconômico, que traz retornos no longo prazo e produz bons resultados para toda a sociedade. As empresas de saneamento no país todo só têm a ganhar ao investir na restauração florestal.

 

V. Tornello; L. Caccia; M. Oliveira; Bruno Calixto. Florestas para água: uma solução baseada na natureza para enfrentar crises hídricas. Internet: <www.archdaily.com.br> (com adaptações).

Texto CG2A1

 

Considerando a estruturação linguística do texto CG2A1, julgue o item seguinte.

 

No último período do segundo parágrafo, o sujeito da oração “mas se complementam” é “investimentos em infraestrutura convencional”.

  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Sujeito de “mas se complementam” — análise sintática

Gabarito: letra E (ERRADO). O sujeito da oração “mas se complementam” não é “investimentos em infraestrutura convencional”, mas sim “Essas ações”, termo que inicia o período e retoma, por coesão referencial, as ideias de “investimentos e intervenções em conservação, manejo e restauração da vegetação nativa e de florestas”. A banca troca o referente do sujeito, atribuindo a oração a um termo que, embora presente no período, exerce outra função sintática.

O comando

A questão pede um julgamento de estruturação linguística, especificamente a identificação do sujeito de uma oração coordenada adversativa. Não se trata de interpretação de sentido, mas de análise sintática — exige localizar o termo que pratica a ação verbal. O comando é direto: verificar se a afirmação sobre o sujeito está correta ou não.

O texto e a passagem decisiva

O período em questão é o último do segundo parágrafo:

“Essas ações não substituem investimentos em infraestrutura convencional, mas se complementam, aumentando os benefícios e gerando maior resiliência onde são implantadas.”

A oração “mas se complementam” é coordenada sindética adversativa, introduzida pela conjunção “mas”. Para identificar o sujeito, é preciso ver quem pratica a ação de “se complementar”. O verbo “complementam” está na 3ª pessoa do plural, o que indica um sujeito plural. O termo que inicia o período é “Essas ações” — pronome demonstrativo que retoma, por coesão referencial, o conceito de “infraestrutura natural” (investimentos e intervenções em conservação, manejo e restauração). É esse o sujeito de “não substituem” e, por extensão, de “se complementam”.

A técnica que decide

Em orações coordenadas, o sujeito pode estar elíptico (oculto), sendo recuperado pelo contexto. Aqui, o sujeito de “se complementam” é o mesmo da oração anterior: “Essas ações”. A alternativa afirma que o sujeito seria “investimentos em infraestrutura convencional”, mas esse termo aparece dentro da oração anterior como objeto (complemento do verbo “substituem”), não como sujeito. Veja a estrutura:

Termo

Função sintática

“Essas ações”

Sujeito (de “não substituem” e de “se complementam”)

“investimentos em infraestrutura convencional”

Objeto direto (de “não substituem”)

A banca explora a troca de função sintática: o termo que é objeto na primeira oração é apresentado como sujeito da segunda. A pista para não cair na armadilha é perguntar quem pratica a ação — “quem se complementa?” — e não apenas localizar um termo plural no período.

Análise das alternativas

Alternativa C — ❌ Incorreta

A afirmação está errada. O sujeito de “mas se complementam” é “Essas ações”, não “investimentos em infraestrutura convencional”. O erro é de troca de função sintática: o termo indicado é, na verdade, o objeto direto de “não substituem”, não o sujeito da oração coordenada. A banca inverte a análise, fazendo o candidato confundir o complemento verbal com o termo essencial da oração.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O item está errado, e é exatamente isso que a alternativa E afirma. O sujeito de “mas se complementam” é “Essas ações”, termo que abre o período e se refere, por coesão, à infraestrutura natural. A passagem que comprova:

Essas ações não substituem investimentos em infraestrutura convencional, mas se complementam…”

O sujeito é o mesmo nas duas orações coordenadas: “Essas ações”. A alternativa C, ao atribuir o sujeito a “investimentos em infraestrutura convencional”, contradiz a estrutura sintática do período.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca a função sintática de um termo — apresenta o objeto direto (“investimentos em infraestrutura convencional”) como se fosse o sujeito da oração coordenada. A pergunta que desarma: “quem se complementa?” — a resposta é “Essas ações”, não “investimentos”.

PEGA ESSA DICA!

Em orações coordenadas, o sujeito costuma ser o mesmo da oração anterior, podendo ficar elíptico. Antes de marcar, identifique quem pratica a ação verbal — isso evita confundir sujeito com objeto.

Conclusão: a questão cobra a identificação correta do sujeito em período composto por coordenação. O sujeito de “mas se complementam” é “Essas ações”, retomado por coesão referencial. A alternativa C erra ao apontar “investimentos em infraestrutura convencional”, que exerce função de objeto direto. Portanto, o item está ERRADO.

Gabarito: letra E

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