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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
ce414883
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TCU
Ano
2025
Cargo
TEFC ( )

Em pleno momento de grandes transformações político-sociais, na segunda metade da década de 1970, quando já havia inclinações para a volta da democracia, o cantor e compositor Belchior anunciava que “o passado é uma roupa que não nos serve mais”. Os padrões de hoje já nos estabelecem estilos e modelos diversos daqueles que um dia adotamos como referência. Definitivamente, aquele que envergou a vestimenta outrora usada já não é mais a mesma pessoa e qualquer tipo de tentativa de reutilizá-la passará, necessariamente, pela realização de ajustes que se amoldem ao instante presente.

 

Velhos hábitos incorporados à nossa rotina devem, periodicamente, ser revisitados, a fim de que se tornem compatíveis com a realidade e a concretude do presente. Se, antes, a vasta cabeleira podia ser repartida ao meio, dando a quem a ostentava ares despojados e joviais, no tempo atual, para muitos, a escassez capilar obriga a adaptar o penteado. Nada adianta ficar de mal com a superfície que a imagem reflete. De qualquer forma, nada ou ninguém passa incólume pela ação do tempo, sem experimentar transformações de todas as naturezas.

 

Mudar é verbo que se conjuga em perfeita sintonia com viver e, essencialmente, compõe rima exata com adaptar. Ao descrever a teoria da evolução, Charles Darwin assentou que a sobrevivência não é assegurada pelo emprego da força, mas depende de mudanças adaptativas dos seres expostos às transformações constantes (paulatinas ou abruptas) do ambiente que os cerca.

 

O contexto estampado veicula um paradoxo. Se, por um lado, a marcha da mudança é via que não admite retorno, permitindo apenas momentos de variações rítmicas dos passos, mas sem nunca ser contida, por outro, ela aterroriza, chegando quase a paralisar o paciente da mutação. No entanto, não é o medo do escuro que vai impedir que a Terra gire, tampouco fará que a luz solar tome o lugar da noite pouco iluminada.

 

Fábio Túlio Filgueiras Nogueira. O tribunal de contas contemporâneo, o processo de transformação e a pandemia. In: Edilberto Carlos Pontes Lima (coord.). Os tribunais de contas, a pandemia e o futuro do controle. Belo Horizonte: Fórum, 2021, p. 245-254 (com adaptações).

Texto CB1A1

 

Com base nas ideias do texto CB1A1, julgue o item seguinte.

 

Infere-se do primeiro parágrafo que atualmente há maior diversidade de estilos e modelos que na década de 1970.

  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Inferência sobre diversidade de estilos no primeiro parágrafo

Gabarito: letra E (ERRADO). A afirmação de que "atualmente há maior diversidade de estilos e modelos que na década de 1970" não pode ser inferida do primeiro parágrafo, pois o texto apenas constata que os padrões atuais são diferentes dos antigos, sem estabelecer qualquer comparação de quantidade (maior/menor) entre eles. A passagem que sustenta isso é: "Os padrões de hoje já nos estabelecem estilos e modelos diversos daqueles que um dia adotamos como referência" — o adjetivo "diversos" indica diferença qualitativa, não superioridade numérica.

O comando da questão

O enunciado pede uma inferência ("Infere-se do primeiro parágrafo..."), ou seja, uma conclusão que deve ser obrigatoriamente ancorada em pistas do texto. Não basta que a afirmação seja plausível no mundo real; ela precisa ser uma decorrência lógica do que está escrito. Quando a banca usa "infere-se", ela está autorizando uma dedução, mas uma dedução legítima — aquela que o texto obriga a fazer, não uma que o leitor escolhe fazer por conta própria.

O que o primeiro parágrafo realmente diz

O parágrafo afirma que os padrões atuais são "diversos" (diferentes) dos que foram adotados como referência no passado. A palavra-chave é "diversos", que significa "diferentes, variados", mas não carrega nenhuma ideia de quantidade comparativa. O texto não diz que hoje há mais estilos, nem que há menos; diz apenas que os estilos de hoje são outros, são diferentes daqueles de antigamente.

"Os padrões de hoje já nos estabelecem estilos e modelos diversos daqueles que um dia adotamos como referência."

A inferência correta que se pode extrair é: os estilos mudaram (são diferentes). A inferência que a alternativa propõe — há maior diversidade — acrescenta uma comparação de quantidade que o texto não autoriza. É uma extrapolação: o leitor preenche uma lacuna com uma ideia que não está no texto.

A técnica que decide a questão

Para resolver, pergunte: o texto compara quantidades de estilos entre duas épocas? A resposta é não. O texto compara as características dos estilos (diferentes), não a quantidade deles. A alternativa troca o sentido de "diversos" (diferentes) por "maior diversidade" (mais numerosos), o que é uma troca de conceito — a palavra é a mesma, mas o sentido é sutilmente alterado.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a ambiguidade da palavra "diversos". No texto, "diversos" significa "diferentes" (qualidade). Na alternativa, "maior diversidade" significa "mais numerosos" (quantidade). A troca é sutil, mas muda completamente o sentido.

Alternativa C — ❌ Incorreta (afirmação falsa)

A alternativa C afirma que se infere do primeiro parágrafo que "atualmente há maior diversidade de estilos e modelos que na década de 1970". Isso está errado por dois motivos:

  1. Extrapolação quantitativa: o texto não estabelece comparação de quantidade entre as épocas. Ele diz apenas que os estilos são "diversos" (diferentes), não que são "mais numerosos".

  2. Troca de sentido: a alternativa transforma "diversos" (diferentes) em "maior diversidade" (mais variados), alterando o sentido original.

O texto apenas permite inferir que houve mudança — os estilos de hoje não são os mesmos de antes. Não permite inferir que há mais variedade hoje do que antes.

Alternativa E — ✅ Correta (afirmação verdadeira)

A alternativa E (ERRADO) é a correta, pois a afirmação do item não pode ser inferida do texto. O primeiro parágrafo não oferece nenhuma pista que obrigue à conclusão de que há maior diversidade atualmente. A única comparação possível é de diferença qualitativa, não de quantidade.

PEGA ESSA DICA!

Desconfie de alternativas que transformam uma palavra do texto em outra com sentido próximo, mas não idêntico. "Diversos" (diferentes) ≠ "maior diversidade" (mais numerosos). Sempre confira se a troca preserva o sentido original.

Conclusão: a questão testa a diferença entre inferência legítima (ancorada em pistas) e extrapolação (acréscimo de informação). O texto autoriza concluir que os estilos mudaram, mas não que são mais numerosos. Portanto, o item está ERRADO.

Gabarito: letra E

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