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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
ce414884
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TCU
Ano
2025
Cargo
TEFC ( )

Em pleno momento de grandes transformações político-sociais, na segunda metade da década de 1970, quando já havia inclinações para a volta da democracia, o cantor e compositor Belchior anunciava que “o passado é uma roupa que não nos serve mais”. Os padrões de hoje já nos estabelecem estilos e modelos diversos daqueles que um dia adotamos como referência. Definitivamente, aquele que envergou a vestimenta outrora usada já não é mais a mesma pessoa e qualquer tipo de tentativa de reutilizá-la passará, necessariamente, pela realização de ajustes que se amoldem ao instante presente.

 

Velhos hábitos incorporados à nossa rotina devem, periodicamente, ser revisitados, a fim de que se tornem compatíveis com a realidade e a concretude do presente. Se, antes, a vasta cabeleira podia ser repartida ao meio, dando a quem a ostentava ares despojados e joviais, no tempo atual, para muitos, a escassez capilar obriga a adaptar o penteado. Nada adianta ficar de mal com a superfície que a imagem reflete. De qualquer forma, nada ou ninguém passa incólume pela ação do tempo, sem experimentar transformações de todas as naturezas.

 

Mudar é verbo que se conjuga em perfeita sintonia com viver e, essencialmente, compõe rima exata com adaptar. Ao descrever a teoria da evolução, Charles Darwin assentou que a sobrevivência não é assegurada pelo emprego da força, mas depende de mudanças adaptativas dos seres expostos às transformações constantes (paulatinas ou abruptas) do ambiente que os cerca.

 

O contexto estampado veicula um paradoxo. Se, por um lado, a marcha da mudança é via que não admite retorno, permitindo apenas momentos de variações rítmicas dos passos, mas sem nunca ser contida, por outro, ela aterroriza, chegando quase a paralisar o paciente da mutação. No entanto, não é o medo do escuro que vai impedir que a Terra gire, tampouco fará que a luz solar tome o lugar da noite pouco iluminada.

 

Fábio Túlio Filgueiras Nogueira. O tribunal de contas contemporâneo, o processo de transformação e a pandemia. In: Edilberto Carlos Pontes Lima (coord.). Os tribunais de contas, a pandemia e o futuro do controle. Belo Horizonte: Fórum, 2021, p. 245-254 (com adaptações).

Texto CB1A1

 

Com base nas ideias do texto CB1A1, julgue o item seguinte.

 

O paradoxo mencionado no parágrafo final do texto está no fato de, por um lado, a marcha da mudança nunca ser contida, e, por outro, ela quase paralisar o paciente da mutação.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O paradoxo da mudança: marcha contida × paralisação do paciente

Gabarito: Certo (C). O item está correto porque reproduz fielmente o paradoxo descrito no parágrafo final do texto: de um lado, a marcha da mudança "nunca ser contida"; de outro, ela "quase paralisar o paciente da mutação". A passagem que sustenta isso é:

"Se, por um lado, a marcha da mudança é via que não admite retorno, permitindo apenas momentos de variações rítmicas dos passos, mas sem nunca ser contida, por outro, ela aterroriza, chegando quase a paralisar o paciente da mutação."

O item é uma paráfrase (reescritura fiel) dessa ideia, sem acrescentar, suprimir ou inverter nada. Portanto, está Certo.

O comando: compreensão, não inferência

O enunciado pede para "julgar" se a afirmação está de acordo com as ideias do texto. Isso é uma questão de compreensão/recorrência: a resposta está explícita no texto, bastando localizar a passagem e comparar com a paráfrase. Não há necessidade de deduzir, inferir ou extrapolar — o item apenas reafirma o que o autor escreveu.

O texto: o paradoxo como tese do parágrafo final

O texto desenvolve a ideia de que tudo muda e que a mudança é inevitável. No parágrafo final, o autor introduz um paradoxo: a mudança é, ao mesmo tempo, irreversível (não pode ser contida) e aterrorizante (quase paralisa quem a vivencia). Essa dualidade é o núcleo do item.

A técnica: identificar os dois polos do paradoxo

Um paradoxo é uma contradição aparente entre duas ideias que coexistem. Para resolver a questão, basta:

  1. Localizar a palavra "paradoxo" no texto (está no início do 4º parágrafo).

  2. Identificar os dois lados: o que "por um lado" afirma e o que "por outro" afirma.

  3. Comparar com o item: ele menciona exatamente os dois polos, sem trocar ou inverter.

O item diz: "por um lado, a marcha da mudança nunca ser contida" — isso corresponde a "sem nunca ser contida". E "por outro, ela quase paralisar o paciente da mutação" — corresponde a "chegando quase a paralisar o paciente da mutação". Perfeita correspondência.

Análise do item

Item — ✅ Certo

O item está correto porque:

  • "nunca ser contida" = "sem nunca ser contida" (trecho literal).

  • "quase paralisar o paciente da mutação" = "chegando quase a paralisar o paciente da mutação" (trecho literal).

Não há nenhuma palavra que altere o sentido, nenhuma generalização indevida, nenhuma opinião embutida. É uma paráfrase perfeita.

NÃO CAIA NESSA!

A banca poderia tentar inverter os polos (ex.: "a marcha é contida, mas paralisa") ou acrescentar um terceiro elemento. Aqui, ela apenas pede a transcrição fiel — o que torna a questão fácil, mas exige atenção para não confundir os termos.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de compreensão, grife no texto os conectivos "por um lado" / "por outro" — eles delimitam os polos do paradoxo. Compare cada parte do item com o trecho correspondente, palavra por palavra.

Conclusão: o item reproduz exatamente o paradoxo apresentado no parágrafo final. Portanto, Certo.

Gabarito: Certo (C).

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