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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
ce414885
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TCU
Ano
2025
Cargo
TEFC ( )

Em pleno momento de grandes transformações político-sociais, na segunda metade da década de 1970, quando já havia inclinações para a volta da democracia, o cantor e compositor Belchior anunciava que “o passado é uma roupa que não nos serve mais”. Os padrões de hoje já nos estabelecem estilos e modelos diversos daqueles que um dia adotamos como referência. Definitivamente, aquele que envergou a vestimenta outrora usada já não é mais a mesma pessoa e qualquer tipo de tentativa de reutilizá-la passará, necessariamente, pela realização de ajustes que se amoldem ao instante presente.

 

Velhos hábitos incorporados à nossa rotina devem, periodicamente, ser revisitados, a fim de que se tornem compatíveis com a realidade e a concretude do presente. Se, antes, a vasta cabeleira podia ser repartida ao meio, dando a quem a ostentava ares despojados e joviais, no tempo atual, para muitos, a escassez capilar obriga a adaptar o penteado. Nada adianta ficar de mal com a superfície que a imagem reflete. De qualquer forma, nada ou ninguém passa incólume pela ação do tempo, sem experimentar transformações de todas as naturezas.

 

Mudar é verbo que se conjuga em perfeita sintonia com viver e, essencialmente, compõe rima exata com adaptar. Ao descrever a teoria da evolução, Charles Darwin assentou que a sobrevivência não é assegurada pelo emprego da força, mas depende de mudanças adaptativas dos seres expostos às transformações constantes (paulatinas ou abruptas) do ambiente que os cerca.

 

O contexto estampado veicula um paradoxo. Se, por um lado, a marcha da mudança é via que não admite retorno, permitindo apenas momentos de variações rítmicas dos passos, mas sem nunca ser contida, por outro, ela aterroriza, chegando quase a paralisar o paciente da mutação. No entanto, não é o medo do escuro que vai impedir que a Terra gire, tampouco fará que a luz solar tome o lugar da noite pouco iluminada.

 

Fábio Túlio Filgueiras Nogueira. O tribunal de contas contemporâneo, o processo de transformação e a pandemia. In: Edilberto Carlos Pontes Lima (coord.). Os tribunais de contas, a pandemia e o futuro do controle. Belo Horizonte: Fórum, 2021, p. 245-254 (com adaptações).

Texto CB1A1

 

Com base nas ideias do texto CB1A1, julgue o item seguinte.

 

Conclui-se do último período do texto que a sensação de medo é inócua em relação à ocorrência de fatos que estão fora do controle do indivíduo.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Conclusão sobre o medo e os fatos fora do controle

Gabarito: Certo (C). O item está correto porque o último período do texto afirma que o medo não impede a ocorrência de fatos que independem da vontade do indivíduo. A passagem decisiva é: "não é o medo do escuro que vai impedir que a Terra gire, tampouco fará que a luz solar tome o lugar da noite pouco iluminada". O autor usa essas metáforas para mostrar que o medo é inócuo (sem efeito) diante de eventos que estão fora do controle humano.

O comando e o método

O enunciado pede uma conclusão (inferência) a partir do último período do texto. Isso significa que a resposta não está literalmente escrita, mas é uma dedução ancorada em pistas textuais. O comando "Conclui-se" exige que você encontre a ideia implícita que o autor quer transmitir, sem extrapolar para além do que o texto sustenta.

A análise do trecho decisivo

O último parágrafo apresenta um paradoxo: a mudança é inevitável, mas aterroriza. No entanto, o autor encerra com uma afirmação categórica:

"não é o medo do escuro que vai impedir que a Terra gire, tampouco fará que a luz solar tome o lugar da noite pouco iluminada"

Aqui, "medo do escuro" é uma metáfora para o medo das mudanças, e "a Terra girar" e "a luz solar tomar o lugar da noite" são metáforas para eventos naturais, inevitáveis e fora do controle do indivíduo. O autor afirma que o medo não vai impedir (não tem poder para impedir) esses eventos. Portanto, a conclusão de que o medo é inócuo (sem efeito, inofensivo) em relação a esses fatos é uma inferência direta e necessária do que está escrito.

A técnica que decide a questão

A chave é identificar a relação de causa e efeito negada pelo autor. O texto diz que o medo não causa a não-ocorrência dos fatos. Em outras palavras, o medo não tem o poder de alterar o curso dos acontecimentos que não dependem da vontade humana. A palavra "inócua" é um sinônimo preciso de "sem efeito", "que não causa dano ou alteração", exatamente o que o autor expressa ao dizer que o medo "não vai impedir" e "tampouco fará".

NÃO CAIA NESSA!

A banca poderia tentar confundir o candidato com uma alternativa que dissesse que o medo é inútil para todas as coisas, ou que o medo não existe. O item, porém, é cuidadoso ao restringir a conclusão a "fatos que estão fora do controle do indivíduo", que é exatamente o caso dos exemplos dados (a Terra girar, o sol nascer).

Fechamento

A questão se resolve testando se a conclusão proposta é uma paráfrase lógica do que o autor afirma. O texto autoriza a conclusão de que o medo não interfere em eventos naturais e inevitáveis. Qualquer alternativa que dissesse o contrário (que o medo tem poder de impedir) contradiria o texto. Portanto, o item está Certo.

Gabarito: Certo (C).

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