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Questão de Português — Crase — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsCrase
Código
ce414886
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TCU
Ano
2025
Cargo
TEFC ( )

Em pleno momento de grandes transformações político-sociais, na segunda metade da década de 1970, quando já havia inclinações para a volta da democracia, o cantor e compositor Belchior anunciava que “o passado é uma roupa que não nos serve mais”. Os padrões de hoje já nos estabelecem estilos e modelos diversos daqueles que um dia adotamos como referência. Definitivamente, aquele que envergou a vestimenta outrora usada já não é mais a mesma pessoa e qualquer tipo de tentativa de reutilizá-la passará, necessariamente, pela realização de ajustes que se amoldem ao instante presente.

 

Velhos hábitos incorporados à nossa rotina devem, periodicamente, ser revisitados, a fim de que se tornem compatíveis com a realidade e a concretude do presente. Se, antes, a vasta cabeleira podia ser repartida ao meio, dando a quem a ostentava ares despojados e joviais, no tempo atual, para muitos, a escassez capilar obriga a adaptar o penteado. Nada adianta ficar de mal com a superfície que a imagem reflete. De qualquer forma, nada ou ninguém passa incólume pela ação do tempo, sem experimentar transformações de todas as naturezas.

 

Mudar é verbo que se conjuga em perfeita sintonia com viver e, essencialmente, compõe rima exata com adaptar. Ao descrever a teoria da evolução, Charles Darwin assentou que a sobrevivência não é assegurada pelo emprego da força, mas depende de mudanças adaptativas dos seres expostos às transformações constantes (paulatinas ou abruptas) do ambiente que os cerca.

 

O contexto estampado veicula um paradoxo. Se, por um lado, a marcha da mudança é via que não admite retorno, permitindo apenas momentos de variações rítmicas dos passos, mas sem nunca ser contida, por outro, ela aterroriza, chegando quase a paralisar o paciente da mutação. No entanto, não é o medo do escuro que vai impedir que a Terra gire, tampouco fará que a luz solar tome o lugar da noite pouco iluminada.

 

Fábio Túlio Filgueiras Nogueira. O tribunal de contas contemporâneo, o processo de transformação e a pandemia. In: Edilberto Carlos Pontes Lima (coord.). Os tribunais de contas, a pandemia e o futuro do controle. Belo Horizonte: Fórum, 2021, p. 245-254 (com adaptações).

Texto CB1A1

 

Julgue o item a seguir, referentes a aspectos linguísticos e ao vocabulário do texto CB1A1.

 

A correção gramatical do texto seria mantida caso o termo “às”, em “às transformações constantes” (segundo período do terceiro parágrafo), fosse substituído por a.

  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase em "às transformações constantes" — substituição por "a"

Gabarito: letra C (Certo). A substituição de "às" por "a" em "às transformações constantes" manteria a correção gramatical do texto, pois a crase é obrigatória nesse contexto: o verbo "depender" exige a preposição "a" e o substantivo "transformações" admite o artigo "as", formando a fusão "a + as = às". Se retirarmos o artigo, ficaria apenas a preposição "a", o que é gramaticalmente aceitável, embora altere sutilmente o sentido (de específico para genérico). A banca não pede manutenção de sentido, apenas de correção gramatical.

O comando da questão

O enunciado pede para julgar se a troca de "às" por "a" mantém a correção gramatical. Isso é diferente de pedir manutenção de sentido. A banca quer saber se a frase continua gramaticalmente correta após a substituição, não se o sentido permanece idêntico. Portanto, o foco está na regência e na possibilidade de omissão do artigo.

A regra de ouro da crase

A crase é a fusão da preposição "a" com o artigo feminino "a(s)" ou com o "a" inicial de pronomes demonstrativos. Para saber se há crase, aplica-se o teste clássico: troca-se a palavra feminina por uma masculina. Se aparecer "ao", há crase; se aparecer apenas "a", não há.

No trecho:

"a sobrevivência não é assegurada pelo emprego da força, mas depende de mudanças adaptativas dos seres expostos às transformações constantes"

O verbo "expostos" rege a preposição "a" (quem está exposto, está exposto a algo). O termo "transformações" é um substantivo feminino plural que admite o artigo "as". Logo, temos preposição + artigo = às (crase obrigatória).

Se substituirmos por "a", teremos apenas a preposição, sem o artigo. Isso é gramaticalmente possível: "expostos a transformações constantes" — a frase continua correta, apenas o sentido fica mais genérico (não se refere a transformações específicas, mas a transformações em geral).

Por que a substituição mantém a correção?

A crase é obrigatória quando há a fusão, mas a omissão do artigo não torna a frase incorreta. Em muitos casos, o artigo é facultativo, especialmente antes de substantivos em sentido genérico. Aqui, "transformações constantes" pode ser tomado em sentido genérico, permitindo a supressão do artigo. Assim, a forma "a transformações constantes" é aceitável, pois a preposição exigida pelo verbo permanece.

Análise da alternativa

1Regra de ouro
Trocar por palavra masculina
Aparece "ao" → crase
Aparece só "a" → sem crase
2No caso
"expostos a" (preposição)
"as transformações" (artigo)
Fusão → às (obrigatória)
3Substituição por "a"
Mantém a preposição
Sem artigo → genérico
Correção gramatical mantida
Altera o sentido (específico → genérico)
Crase em "às transformações"
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Crase em "às transformações": Regra de ouro (Trocar por palavra masculina, Aparece "ao" → crase, Aparece só "a" → sem crase); No caso ("expostos a" (preposição), "as transformações" (artigo), Fusão → às (obrigatória)); Substituição por "a" (Mantém a preposição, Sem artigo → genérico, Correção gramatical mantida, Altera o sentido (específico → genérico))

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A afirmação está correta. A substituição de "às" por "a" mantém a correção gramatical, pois a preposição "a" exigida por "expostos" permanece, e a ausência do artigo é permitida em contexto genérico. O texto continua gramaticalmente íntegro.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A afirmação de que a substituição não manteria a correção gramatical é incorreta. A crase é obrigatória no original, mas sua retirada não gera erro gramatical, apenas altera o sentido (de específico para genérico). A banca não exige manutenção de sentido, apenas de correção.

Conclusão

A questão testa a diferença entre crase obrigatória e possibilidade de omissão do artigo. Lembre-se: a crase é obrigatória quando há fusão, mas a ausência do artigo não torna a frase incorreta, desde que a preposição seja mantida. Portanto, a substituição é gramaticalmente válida.

Gabarito: letra C.

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