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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
ce414889
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TCU
Ano
2025
Cargo
TEFC ( )

Em pleno momento de grandes transformações político-sociais, na segunda metade da década de 1970, quando já havia inclinações para a volta da democracia, o cantor e compositor Belchior anunciava que “o passado é uma roupa que não nos serve mais”. Os padrões de hoje já nos estabelecem estilos e modelos diversos daqueles que um dia adotamos como referência. Definitivamente, aquele que envergou a vestimenta outrora usada já não é mais a mesma pessoa e qualquer tipo de tentativa de reutilizá-la passará, necessariamente, pela realização de ajustes que se amoldem ao instante presente.

 

Velhos hábitos incorporados à nossa rotina devem, periodicamente, ser revisitados, a fim de que se tornem compatíveis com a realidade e a concretude do presente. Se, antes, a vasta cabeleira podia ser repartida ao meio, dando a quem a ostentava ares despojados e joviais, no tempo atual, para muitos, a escassez capilar obriga a adaptar o penteado. Nada adianta ficar de mal com a superfície que a imagem reflete. De qualquer forma, nada ou ninguém passa incólume pela ação do tempo, sem experimentar transformações de todas as naturezas.

 

Mudar é verbo que se conjuga em perfeita sintonia com viver e, essencialmente, compõe rima exata com adaptar. Ao descrever a teoria da evolução, Charles Darwin assentou que a sobrevivência não é assegurada pelo emprego da força, mas depende de mudanças adaptativas dos seres expostos às transformações constantes (paulatinas ou abruptas) do ambiente que os cerca.

 

O contexto estampado veicula um paradoxo. Se, por um lado, a marcha da mudança é via que não admite retorno, permitindo apenas momentos de variações rítmicas dos passos, mas sem nunca ser contida, por outro, ela aterroriza, chegando quase a paralisar o paciente da mutação. No entanto, não é o medo do escuro que vai impedir que a Terra gire, tampouco fará que a luz solar tome o lugar da noite pouco iluminada.

 

Fábio Túlio Filgueiras Nogueira. O tribunal de contas contemporâneo, o processo de transformação e a pandemia. In: Edilberto Carlos Pontes Lima (coord.). Os tribunais de contas, a pandemia e o futuro do controle. Belo Horizonte: Fórum, 2021, p. 245-254 (com adaptações).

Texto CB1A1

 

Julgue o item a seguir, referentes a aspectos linguísticos e ao vocabulário do texto CB1A1.

 

No trecho “já não é mais a mesma pessoa” (terceiro período do primeiro parágrafo), a omissão da palavra “já” — não é mais a mesma pessoa — ou da palavra “mais” — já não é a mesma pessoa — não prejudicaria a coerência das ideias do texto.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Esta resolução diverge do gabarito oficial. A banca deu Certo; a resolução abaixo sustenta o contrário e explica por quê — ela não foi reescrita para concordar. Acontece nos dois sentidos: há gabarito que cai em recurso e há resolução que erra. Confira na fonte antes de fixar o entendimento.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Omissão de “já” ou “mais” em “já não é mais a mesma pessoa”

Gabarito: ERRADO. A omissão de qualquer uma das palavras prejudicaria a coerência das ideias do texto, pois ambas carregam matizes de sentido essenciais à afirmação de que a pessoa mudou completamente. O trecho original — “já não é mais a mesma pessoa” — expressa uma mudança definitiva e irreversível; suprimir “já” ou “mais” enfraquece essa carga semântica, comprometendo a progressão argumentativa do parágrafo.

O comando pede um julgamento sobre coerência — ou seja, sobre a manutenção do sentido e da lógica interna do texto após uma alteração. Não se trata de gramática normativa (a frase continuaria gramatical), mas de semântica e coesão: a substituição/omissão de palavras deve preservar o sentido original. Aqui, a banca testa se o candidato percebe que “já” e “mais” não são meros reforços redundantes, mas operadores de sentido.

No primeiro parágrafo, o autor desenvolve a tese de que o passado não serve mais e que a pessoa que “envergou a vestimenta outrora usada” não é mais a mesma. A expressão “já não é mais a mesma pessoa” é o clímax dessa ideia: “já” indica que a mudança já ocorreu (anterioridade em relação ao presente), e “mais” reforça a cessação — não há retorno ao estado anterior. Juntos, eles constroem a ideia de transformação completa e sem volta, que dialoga com o restante do texto (“a marcha da mudança é via que não admite retorno”).

Se omitirmos “já”, a frase “não é mais a mesma pessoa” ainda indica cessação, mas perde a marca de anterioridade — o leitor não percebe que a mudança já se consumou antes do momento da fala. Se omitirmos “mais”, a frase “já não é a mesma pessoa” mantém a anterioridade, mas perde a ênfase na cessação definitiva — soa como uma constatação momentânea, não como uma transformação irreversível. Em ambos os casos, a coerência com a tese do parágrafo (a pessoa mudou para sempre) fica comprometida.

PEGA ESSA DICA!

Ao julgar itens de reescrita/omissão, pergunte-se: “o sentido original foi preservado?”. Palavras como “já”, “mais”, “ainda”, “sempre” costumam ter valor semântico próprio — não são meros enfeites.

1"já"
Anterioridade (mudança já consumada)
2"mais"
Cessação (sem retorno)
3Omissão de "já"
Perde a marca de anterioridade
4Omissão de "mais"
Perde a ênfase na cessação definitiva
5Efeito conjunto
Transformação definitiva e irreversível
"já não é mais a mesma pessoa"
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"já não é mais a mesma pessoa": "já" (Anterioridade (mudança já consumada)); "mais" (Cessação (sem retorno)); Omissão de "já" (Perde a marca de anterioridade); Omissão de "mais" (Perde a ênfase na cessação definitiva); Efeito conjunto (Transformação definitiva e irreversível)

Item — ❌ ERRADO

A afirmação do item é falsa. O texto diz:

“Definitivamente, aquele que envergou a vestimenta outrora usada já não é mais a mesma pessoa”

A palavra “já” indica que a mudança já se consumou — é um operador de anterioridade que ancora a afirmação no presente. A palavra “mais” indica cessação — a pessoa deixou de ser a mesma, e não há retorno. Juntas, elas constroem a ideia de transformação definitiva, que é o núcleo do parágrafo. Omitir qualquer uma delas enfraquece essa carga semântica, pois:

  • Sem “já”: “não é mais a mesma pessoa” — perde-se a marca de que a mudança já ocorreu antes do momento da fala.

  • Sem “mais”: “já não é a mesma pessoa” — perde-se a ênfase na cessação definitiva, soando como uma constatação momentânea.

Portanto, a omissão prejudicaria a coerência das ideias, pois o texto defende a irreversibilidade da mudança — ideia que depende de ambos os termos.

Conclusão: Como a omissão de “já” ou de “mais” altera o sentido e enfraquece a tese da mudança definitiva, o item está ERRADO.

Gabarito: ERRADO

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