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Questão de Português — Orações Subordinadas Substantivas — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsOrações Subordinadas Substantivas
Código
ce414894
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TCU
Ano
2025
Cargo
TEFC ( )

Em pleno momento de grandes transformações político-sociais, na segunda metade da década de 1970, quando já havia inclinações para a volta da democracia, o cantor e compositor Belchior anunciava que “o passado é uma roupa que não nos serve mais”. Os padrões de hoje já nos estabelecem estilos e modelos diversos daqueles que um dia adotamos como referência. Definitivamente, aquele que envergou a vestimenta outrora usada já não é mais a mesma pessoa e qualquer tipo de tentativa de reutilizá-la passará, necessariamente, pela realização de ajustes que se amoldem ao instante presente.

 

Velhos hábitos incorporados à nossa rotina devem, periodicamente, ser revisitados, a fim de que se tornem compatíveis com a realidade e a concretude do presente. Se, antes, a vasta cabeleira podia ser repartida ao meio, dando a quem a ostentava ares despojados e joviais, no tempo atual, para muitos, a escassez capilar obriga a adaptar o penteado. Nada adianta ficar de mal com a superfície que a imagem reflete. De qualquer forma, nada ou ninguém passa incólume pela ação do tempo, sem experimentar transformações de todas as naturezas.

 

Mudar é verbo que se conjuga em perfeita sintonia com viver e, essencialmente, compõe rima exata com adaptar. Ao descrever a teoria da evolução, Charles Darwin assentou que a sobrevivência não é assegurada pelo emprego da força, mas depende de mudanças adaptativas dos seres expostos às transformações constantes (paulatinas ou abruptas) do ambiente que os cerca.

 

O contexto estampado veicula um paradoxo. Se, por um lado, a marcha da mudança é via que não admite retorno, permitindo apenas momentos de variações rítmicas dos passos, mas sem nunca ser contida, por outro, ela aterroriza, chegando quase a paralisar o paciente da mutação. No entanto, não é o medo do escuro que vai impedir que a Terra gire, tampouco fará que a luz solar tome o lugar da noite pouco iluminada.

 

Fábio Túlio Filgueiras Nogueira. O tribunal de contas contemporâneo, o processo de transformação e a pandemia. In: Edilberto Carlos Pontes Lima (coord.). Os tribunais de contas, a pandemia e o futuro do controle. Belo Horizonte: Fórum, 2021, p. 245-254 (com adaptações).

Texto CB1A1

 

Julgue o item a seguir, referentes a aspectos linguísticos e ao vocabulário do texto CB1A1.

 

A oração “que a sobrevivência não é assegurada pelo emprego da força” (segundo período do terceiro parágrafo) exerce sintaticamente a função de complemento da forma verbal “assentou”.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Oração subordinada substantiva objetiva direta

Gabarito: letra C (CERTO). A oração “que a sobrevivência não é assegurada pelo emprego da força” exerce, sim, a função de objeto direto do verbo “assentou”, pois pode ser substituída por “isso” — teste clássico das orações subordinadas substantivas. No texto, lê-se: “Charles Darwin assentou que a sobrevivência não é assegurada pelo emprego da força”, e “assentar” é verbo transitivo direto: quem assenta, assenta algo. A banca pede apenas a classificação sintática da oração, e a resposta está na estrutura do período, não no conteúdo do texto.

O comando

A questão é de gramática aplicada ao texto: pede-se que o candidato identifique a função sintática de uma oração subordinada dentro do período em que ocorre. Não se trata de interpretação de sentido, mas de análise sintática — o que exige reconhecer a transitividade do verbo da oração principal e o papel da conjunção “que”.

O texto e o trecho analisado

No terceiro parágrafo, o autor escreve:

“Ao descrever a teoria da evolução, Charles Darwin assentou que a sobrevivência não é assegurada pelo emprego da força, mas depende de mudanças adaptativas dos seres expostos às transformações constantes (paulatinas ou abruptas) do ambiente que os cerca.”

A oração destacada é introduzida pela conjunção integrante “que” e completa o sentido do verbo “assentou”. Para classificar, basta aplicar o teste da substituição por “isso”: “Charles Darwin assentou isso”. Como o verbo “assentar”, nesse contexto, é transitivo direto (quem assenta, assenta algo), a oração funciona como objeto direto — uma das seis funções das orações subordinadas substantivas.

A técnica que decide

As orações subordinadas substantivas exercem função sintática própria de substantivo (sujeito, objeto direto, objeto indireto, predicativo, complemento nominal, aposto) e são introduzidas por conjunção integrante (“que” ou “se”). O bizu infalível: substitua a oração por “isso” (ou “disto”, “nisso”, conforme a regência). Se a substituição for possível e o período continuar coerente, a oração é substantiva; a função será determinada pela transitividade do verbo ou pela estrutura da oração principal.

No caso:

  • “assentou que a sobrevivência não é assegurada” → “assentou isso” → objeto direto.

Se o verbo fosse “lembrou-se”, por exemplo, a oração seria objetiva indireta (“lembrou-se disso”). Se fosse “é preciso”, seria subjetiva (“é preciso isso”). A regência do verbo é a chave.

Oração subordinada substantiva
  • 1Função sintática
    • Sujeito
    • Objeto direto
    • Objeto indireto
    • Predicativo
    • Complemento nominal
    • Aposto
  • 2Teste do "isso"
    • Substitui a oração
    • Mantém a coerência
  • 3Classificação pela regência
    • "assentou isso" → objetiva direta
    • "lembrou-se disso" → objetiva indireta
    • "é preciso isso" → subjetiva
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Alternativa C — ✅ CERTOGABARITO

A afirmativa está correta. A oração “que a sobrevivência não é assegurada pelo emprego da força” é subordinada substantiva objetiva direta, pois completa o sentido do verbo transitivo direto “assentou”, sem preposição, e pode ser substituída por “isso”. O gabarito oficial confirma a análise.

NÃO CAIA NESSA!

A banca não arma aqui — a questão é direta. O risco do candidato é confundir a oração substantiva com uma adjetiva (por causa do “que”) ou com uma adverbial (por achar que há ideia de causa). O teste do “isso” elimina qualquer dúvida.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de função sintática de oração, grife o verbo da oração principal e pergunte: “quem pratica a ação, pratica o quê?”. A resposta é a função da oração subordinada.

Gabarito: letra C (CERTO).

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