Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — CESPE / CEBRASPE 2025
Português›Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
ce414895
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
PF
Ano
2025
Cargo
PCF
A inteligência artificial (IA) tem desempenhado papel
cada vez mais importante nos últimos anos. Máquinas não se
limitam mais a executar tarefas físicas, pois também
desempenham funções intelectuais que exigem o que se
considera inteligência.
Inicialmente, a IA foi aplicada principalmente na solução
de problemas do mundo real por meio da programação do
conhecimento de especialistas em programas de computador.
Esses programas, chamados de sistemas especialistas ou sistemas
baseados em conhecimento, foram desenvolvidos com base em
entrevistas com especialistas em determinadas áreas. No entanto,
havia limitações, como subjetividade e falta de cooperação dos
especialistas.
Atualmente é grande o entusiasmo em relação aos
potenciais benefícios da IA, de forma que máquinas estão
aprendendo a dirigir carros independentes e tradutores
automáticos estão se tornando cada vez mais precisos. Além
disso, a IA está presente em tarefas cotidianas como ler emails,
lavar roupas e recomendar filmes em plataformas de streaming.
O rápido desenvolvimento de tecnologias para
processamento e armazenamento de dados tem impulsionado o
crescimento da IA e, à medida que os problemas se tornam mais
complexos e a quantidade de dados aumenta, é necessário
desenvolver ferramentas computacionais avançadas e
personalizadas, baseadas no aprendizado de máquina, que
dependem cada vez menos da intervenção humana. No entanto,
esse desenvolvimento vem acompanhado de preocupações,
principalmente em relação à ética e ao impacto na sociedade,
considerando-se questões legais e de responsabilidade, para
garantir que a IA seja benéfica e justa.
Jhadson Silva Leonel, Camila Ferreira Silva Leonel, Jonas Byk, Silvania da Conceição Furtado. Inteligência
artificial: desafios éticos e futuros. Revista Bioética, 32, 2024 (com adaptações).
A respeito do texto precedente, de suas ideias e de seus aspectos linguísticos, julgue o item subsequente.
A substituição da expressão “foi aplicada principalmente na” por aplicou-se principalmente à manteria a correção gramatical, mas implicaria prejuízo aos sentidos originais do texto.
CCerto
EErrado
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GabaritoC — Certo
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Substituição de "foi aplicada principalmente na" por "aplicou-se principalmente à"
Gabarito: letra C (Certo). A substituição mantém a correção gramatical, mas altera o sentido original do texto, pois transforma a voz passiva analítica em voz passiva sintética (pronominal), deslocando o foco da ação. A passagem que ancora a análise é o trecho do 2º parágrafo: "Inicialmente, a IA foi aplicada principalmente na solução de problemas do mundo real".
O comando da questão
O enunciado pede um julgamento sobre uma reescritura — especificamente, sobre a substituição de uma expressão por outra. A tarefa é dupla: verificar se a nova redação mantém a correção gramatical e se preserva os sentidos originais. A banca afirma que a correção é mantida, mas que há prejuízo de sentido. O candidato deve confirmar ou refutar essa afirmação.
O texto e o ponto decisivo
O texto narra a evolução da IA, e o 2º parágrafo trata de sua aplicação inicial. A frase original é:
"Inicialmente, a IA foi aplicada principalmente na solução de problemas do mundo real"
Aqui, temos a voz passiva analítica: sujeito paciente ("a IA") + verbo auxiliar ("foi") + particípio ("aplicada"). O agente da passiva não está explícito, mas a construção enfatiza a ação sofrida pela IA e o estado resultante — a IA foi alvo da aplicação.
A substituição proposta é "aplicou-se principalmente à". Isso transforma a frase em voz passiva sintética (pronominal): o pronome "se" funciona como partícula apassivadora, e o verbo "aplicar" passa a concordar com o sujeito paciente. A frase ficaria: "Inicialmente, a IA aplicou-se principalmente à solução de problemas do mundo real".
A técnica que decide: voz passiva analítica × sintética
A diferença central está na estrutura sintática e no efeito de sentido:
Critério
Voz passiva analítica (original)
Voz passiva sintética (substituição)
Estrutura
Sujeito + verbo auxiliar + particípio
Sujeito + verbo + pronome "se"
Ênfase
No estado resultante da ação
Na ação em si, de forma mais dinâmica
Registro
Mais formal, típico de texto dissertativo
Mais conciso, por vezes mais coloquial
Ambas as construções são gramaticalmente corretas. A substituição não quebra nenhuma regra — a regência do verbo "aplicar-se a" está adequada, e a crase em "à" é obrigatória (preposição "a" + artigo "a" antes de "solução"). No entanto, a mudança de voz verbal altera o sentido porque desloca o foco: na original, a IA é apresentada como paciente que recebe a ação; na reescrita, a IA parece agir de forma mais ativa, ainda que o "se" aponte para a passividade.
Análise das alternativas
Alternativa C — ✅ Certo ⟵ GABARITO
A afirmação está correta. A substituição mantém a correção gramatical — a voz passiva sintética é válida, a regência está preservada e a crase é obrigatória. Porém, há prejuízo de sentido: a voz passiva analítica ("foi aplicada") enfatiza o estado resultante e o caráter de ação sofrida pela IA, enquanto a voz passiva sintética ("aplicou-se") torna a construção mais dinâmica e menos formal, alterando a ênfase do enunciado. O texto original, ao usar a forma analítica, reforça a ideia de que a IA foi objeto de uma aplicação externa — nuance que se perde na reescrita.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A afirmação de que a substituição não implicaria prejuízo aos sentidos originais está errada. Como demonstrado, a troca da voz passiva analítica pela sintética altera a ênfase e o registro do trecho, o que configura prejuízo de sentido. A banca, ao marcar a alternativa como incorreta, confirma que a substituição não é neutra do ponto de vista semântico.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre correção gramatical e preservação de sentido. O candidato pode achar que, por ser gramaticalmente correta, a substituição também preserva o sentido — mas a mudança de voz verbal altera a ênfase e o registro, o que configura prejuízo semântico.
PEGA ESSA DICA!
Ao julgar reescrituras, separe as duas perguntas: (1) a nova redação obedece às regras? (2) ela mantém o mesmo sentido? A resposta a (1) não garante a resposta a (2).
Conclusão: a substituição é gramaticalmente válida, mas altera o sentido ao mudar a voz verbal de analítica para sintética. Portanto, a afirmação do item está correta.