Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc) — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsCoerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Código
ce414896
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
PF
Ano
2025
Cargo
E

Muitas obras cinematográficas e séries televisivas são inspiradas ou baseadas em obras literárias. Inúmeros filmes, desde o surgimento do cinema até a atualidade, seguem transpondo para a tela histórias relatadas nos livros, como atesta a crescente quantidade de best-sellers adaptados para o cinema.


Segundo Carlos Gerbase, cineasta e jornalista brasileiro, a prevalência do estilo narrativo é quase natural, visto que as histórias contadas nos livros e nos filmes são uma forma de compreender a vida como uma progressão de acontecimentos. O autor explica que as histórias têm começo, meio e fim e que,nelas, os acontecimentos levam a outros acontecimentos — assim como em nossas vidas. Logo, as narrativas aproximam o público porque este se identifica nelas. Além disso, livros e filmes permitem viagens por diversos mundos e possibilitam reflexões e compreensões, novos conhecimentos e novas experiências.


Ainda de acordo com Gerbase, quando nos identificamos com determinado personagem, aprendemos a como agir socialmente (ou antissocialmente). Nesse sentido, a literatura funciona como uma espécie de guia universal de boas maneiras para a convivência de comunidades às vezes muito diferentes culturalmente.


Histórias sobre a polícia, segundo Jonathan Nichols-Pethick, acadêmico especialista em mídia e cinema, representam mais do que uma disputa entre o bem e o mal. Elas responderiam a algumas das nossas mais prementes preocupações sociais: preocupações sobre como imaginamos e mantemos um senso de comunidade em uma sociedade vasta e muitas vezes alienante, e também sobre como enxergamos os nossos direitos e as nossas responsabilidades como cidadãos.


De acordo com Nichols-Pethick, o sucesso do gênero policial desde a literatura do século XIX, passando pelo cinema e pela televisão, se justificaria por essa relação estabelecida entre a narrativa policial e os indivíduos, que buscam nela sanar suas preocupações com a segurança ou buscar um senso de justiça.


Camila Furuzawa. Séries policiais: características

e particularidades das narrativas policiais televisivas. In: Vozes & Diálogo, v. 12, n.º 2. Itajaí, SC, jul.- dez./2013 (com adaptações).

Julgue o item que se segue, considerando as ideias, as propriedades linguísticas e o vocabulário do texto precedente.   No segundo parágrafo, o intercambiamento das expressões "Logo" e "Além disso", embora alterasse as relações coesivas entre os períodos, manteria a coerência das ideias do texto.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Intercambiamento de conectivos: "Logo" e "Além disso"

Gabarito: letra E (ERRADO). O item está errado porque a troca das expressões "Logo" e "Além disso" não manteria a coerência das ideias do texto, já que elas estabelecem relações lógicas distintas: "Logo" introduz uma conclusão (consequência do que foi dito), enquanto "Além disso" introduz uma adição (acréscimo de informação). A permuta inverteria a lógica argumentativa do parágrafo, quebraria a progressão temática e geraria uma contradição com a expectativa criada pelo contexto.

O comando da questão

O enunciado pede um julgamento (Certo/Errado) sobre uma afirmação que envolve coesão sequencial e coerência textual. A tarefa não é apenas identificar o sentido isolado de cada conectivo, mas avaliar o efeito de sua troca na arquitetura lógica do parágrafo. É uma questão de reescritura sem alteração de sentido: o item afirma que a troca "alteraria as relações coesivas" (o que é verdade) mas "manteria a coerência" (o que é falso). O candidato precisa perceber que alterar a relação coesiva entre períodos, quando eles têm funções argumentativas diferentes, compromete a coerência.

O texto e o movimento argumentativo

No segundo parágrafo, o autor apresenta a tese de Gerbase sobre a prevalência do estilo narrativo:

"a prevalência do estilo narrativo é quase natural, visto que as histórias contadas nos livros e nos filmes são uma forma de compreender a vida como uma progressão de acontecimentos."

Em seguida, explica essa ideia e conclui:

"Logo, as narrativas aproximam o público porque este se identifica nelas."

Aqui, "Logo" é um conectivo conclusivo: ele fecha um raciocínio, apresentando a consequência lógica das premissas anteriores (as histórias têm começo, meio e fim; os acontecimentos levam a outros; isso se assemelha à vida). A frase que vem depois — "Além disso, livros e filmes permitem viagens por diversos mundos..." — é uma nova informação, um acréscimo que amplia o leque de benefícios das narrativas, sem derivar diretamente do que foi dito.

A técnica que decide: conclusão × adição

A coesão sequencial é o mecanismo que estabelece a continuidade lógica entre as partes do texto, principalmente por meio de conectivos. Cada conectivo carrega um valor semântico que cria uma expectativa no leitor:

Conectivo

Relação estabelecida

Efeito no texto

Logo

Conclusão (consequência)

Fecha o raciocínio; a informação seguinte é o resultado do que foi exposto.

Além disso

Adição (acréscimo)

Abre uma nova frente de argumentação; a informação seguinte é um complemento independente.

Se trocarmos os conectivos, teríamos:

  • "Além disso, as narrativas aproximam o público porque este se identifica nelas." — Aqui, a frase que deveria ser a conclusão do raciocínio (a identificação do público) seria apresentada como um mero acréscimo, sem o peso de fechamento lógico. O leitor esperaria que a argumentação continuasse, mas ela já chegou ao seu ponto culminante.

  • "Logo, livros e filmes permitem viagens por diversos mundos..." — Aqui, a frase que é um acréscimo (as viagens por mundos) seria apresentada como uma consequência do que foi dito. Isso é logicamente incoerente, pois a ideia de "viagens por mundos" não é uma conclusão derivada das premissas anteriores, mas uma nova informação que se soma a elas.

A coerência é a unidade de sentido do texto, a harmonia lógica entre as ideias. Quando um conectivo é trocado por outro de valor semântico diferente, a relação lógica entre os períodos se rompe, e o texto passa a contradizer a expectativa criada. No caso, a troca faria com que uma conclusão fosse lida como adição e uma adição fosse lida como conclusão, gerando uma incoerência argumentativa.

Análise do item

O item afirma que a troca "alteraria as relações coesivas" (correto) mas "manteria a coerência" (incorreto). A coesão é a ligação formal entre as partes; a coerência é a ligação lógica. Ao trocar os conectivos, a coesão (a ligação material) até poderia ser mantida — pois ambos são conectivos —, mas a coerência (a ligação de sentido) seria quebrada, pois a relação lógica entre as ideias seria invertida. Portanto, a afirmação é falsa.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre coesão e coerência. O candidato pode pensar que, como ambos são conectivos, a troca "só" alteraria a coesão, sem afetar o sentido. Mas a troca de um conectivo conclusivo por um aditivo (e vice-versa) inverte a lógica argumentativa, o que compromete a coerência.

PEGA ESSA DICA!

Ao julgar itens sobre troca de conectivos, pergunte-se: "qual relação lógica cada um estabelece?" Se a relação for diferente (conclusão × adição, causa × consequência, oposição × explicação), a troca altera o sentido e, portanto, compromete a coerência. Só seria mantida se os conectivos fossem semanticamente equivalentes (ex.: "Logo" e "Portanto").

Gabarito: letra E (ERRADO).

Link permanente: /questoes/ce414896