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Questão de Português — Orações Coordenadas — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsOrações Coordenadas
Código
ce414917
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TCE RS
Ano
2025
Cargo
APE (TCE-RS)

Texto CG1A1

 

Em um mundo que corre contra o relógio para descarbonizar a economia e conter o avanço das mudanças climáticas, medir e reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) das atividades diretas dos negócios está longe de ser suficiente. Na maioria dos setores, é na cadeia de valor que acontece a maior parte das emissões, ou seja, fora do “muro” das fábricas, dos escritórios e de outros negócios. Isso inclui as operações dos fornecedores, até mesmo os pequenos, e o modo como os clientes usam um produto ou serviço.

 

Fazer o diagnóstico da pegada de carbono de toda a cadeia e agir para reduzi-la está na ordem do dia. Não só porque é a coisa certa a se fazer, mas porque o mundo caminha para exigir das empresas que se responsabilizem pelo que acontece em sua cadeia de valor.

 

O Acordo de Paris e outras iniciativas internacionais reforçaram o compromisso de países e empresas de reduzirem suas emissões para limitar o aquecimento global a uma temperatura de 1,5 °C a 2 °C acima dos níveis pré-industriais até 2100. Além disso, muitos países estão introduzindo regulamentações e padrões de sustentabilidade que exigem uma abordagem mais abrangente para medir emissões de carbono.

 

A União Europeia (UE), por exemplo, estabeleceu uma série de metas e compromissos de redução de emissões para seus Estados-membros. Um dos objetivos é a redução das suas emissões de GEE em pelo menos 40% até 2030, em comparação com os níveis de 1990.

 

Além disso, o impacto ambiental das marcas é cada vez mais considerado pelos consumidores ao redor do mundo. A pesquisa Future Consumer Index, da consultoria Ernest&Young, realizada com 21.000 entrevistados de 27 países, evidencia essa percepção. Entre os brasileiros, por exemplo, 73% se declararam profundamente preocupados com a fragilidade do planeta. A falta de informação, transparência e padronização, no entanto, também continua sendo um desafio mencionado pelos consumidores, que ainda não enxergam o impacto das escolhas que fazem para o meio ambiente quando compram um produto.

 

Dessa forma, a pegada de carbono de um produto torna-se um fator relevante de atenção da indústria. Além da preocupação ambiental e regulatória, esse tema se tornou uma questão de mercado. Entender como as emissões de GEE ganharam destaque na mesa de discussões de presidentes e diretores-executivos é importante para compreender como o tema foi ganhando força nas últimas décadas.

 

Internet: <www.basf.com/br/pt> (com adaptações).

A respeito de aspectos linguísticos do texto CG1A1 e do vocabulário nele empregado, julgue o próximo item.   As orações construídas com as formas verbais “descarbonizar”, “conter”, “medir” e “reduzir” são coordenadas entre si e exercem a mesma função sintática.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Orações coordenadas e função sintática: "descarbonizar", "conter", "medir" e "reduzir"

Gabarito: E (Errado). A afirmação está incorreta porque as formas verbais "descarbonizar", "conter", "medir" e "reduzir" não são orações coordenadas entre si — elas são verbos no infinitivo que exercem a função de objeto direto do verbo "corre" (no sentido de "busca"), formando uma oração subordinada substantiva objetiva direta reduzida de infinitivo. A passagem que prova isso é o trecho inicial do texto: "Em um mundo que corre contra o relógio para descarbonizar a economia e conter o avanço das mudanças climáticas, medir e reduzir as emissões...".

Desenvolvimento: o que a banca realmente cobrou

1. O comando: a questão pede um julgamento sobre a classificação sintática de quatro formas verbais. Não se trata de interpretação de sentido, mas de análise sintática — identificar se elas são orações coordenadas (independentes entre si) e se exercem a mesma função. O verbo "julgar" indica que precisamos verificar a veracidade da afirmação frente à estrutura do período.

2. O texto: o primeiro parágrafo apresenta a tese de que medir e reduzir emissões apenas nas atividades diretas não basta; é preciso olhar a cadeia de valor. A frase-chave é: "Em um mundo que corre contra o relógio para descarbonizar a economia e conter o avanço das mudanças climáticas, medir e reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) das atividades diretas dos negócios está longe de ser suficiente." Aqui, os quatro verbos aparecem em uma estrutura que precisa ser analisada com precisão.

3. A técnica que decide: para classificar corretamente, é preciso entender a diferença entre coordenação e subordinação. Orações coordenadas são sintaticamente independentes — cada uma tem sujeito e predicado próprios e não exerce função sintática na outra. Já as orações subordinadas exercem uma função sintática (sujeito, objeto, adjunto etc.) em relação à oração principal. No trecho, "descarbonizar a economia", "conter o avanço das mudanças climáticas", "medir" e "reduzir as emissões" são objetos diretos do verbo "corre" (no sentido de "busca", "almeja"), ou seja, completam o sentido desse verbo transitivo direto. Eles formam uma oração subordinada substantiva objetiva direta reduzida de infinitivo — e não orações coordenadas entre si.

"Em um mundo que corre contra o relógio para descarbonizar a economia e conter o avanço das mudanças climáticas, medir e reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) das atividades diretas dos negócios está longe de ser suficiente."

Observe: o sujeito de "corre" é "um mundo"; o verbo "corre" é transitivo direto (quem corre atrás de algo, corre atrás de algo — no sentido figurado, "correr atrás" = buscar). Os quatro infinitivos respondem à pergunta "corre atrás de quê?": descarbonizar, conter, medir e reduzir. Eles são, portanto, objetos diretos coordenados entre si (termos da mesma função), mas não são orações coordenadas — são verbos no infinitivo que formam uma oração subordinada substantiva reduzida.

4. O gancho: a pegadinha da banca está em confundir termos coordenados (que exercem a mesma função sintática) com orações coordenadas (que são sintaticamente independentes). Os quatro verbos são coordenados entre si como termos (objetos diretos), mas a oração que eles formam é subordinada à oração principal. A afirmação erra ao dizer que são "orações coordenadas" — elas são, na verdade, uma única oração subordinada com núcleos verbais coordenados.

Análise da assertiva

Assertiva — ❌ Errada

A afirmação contém dois erros:

  1. "São orações coordenadas entre si" — FALSO. Os quatro verbos não formam orações coordenadas; eles são verbos no infinitivo que compõem uma oração subordinada substantiva objetiva direta reduzida de infinitivo. A oração "descarbonizar a economia e conter o avanço das mudanças climáticas, medir e reduzir as emissões" exerce a função de objeto direto do verbo "corre" (no sentido de "busca"). Não há independência sintática: a oração subordinada depende da principal para ter sentido completo.

  1. "Exercem a mesma função sintática" — PARCIALMENTE VERDADEIRO, mas insuficiente. Os quatro verbos exercem a mesma função dentro da oração subordinada (são núcleos de objetos diretos coordenados entre si), mas isso não os torna "orações coordenadas". A afirmação mistura dois conceitos: coordenação de termos (que ocorre) com coordenação de orações (que não ocorre).

PEGA ESSA DICA!

Para distinguir oração coordenada de subordinada, pergunte: "essa oração tem sentido completo sozinha?" Se sim, é coordenada; se não, é subordinada. No trecho, "descarbonizar a economia" sozinho não forma uma frase completa — falta o sujeito e o verbo principal. Logo, é subordinada.

Conclusão: a assertiva está errada porque classifica como "orações coordenadas" o que é, na verdade, uma oração subordinada substantiva objetiva direta reduzida de infinitivo, cujos verbos são termos coordenados (objetos diretos) dentro dela. A banca explora a confusão entre coordenação de termos e coordenação de orações.

Gabarito: E (Errado).

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