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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
ce414924
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TCE RS
Ano
2025
Cargo
APE (TCE-RS)

Texto CG1A1

 

Em um mundo que corre contra o relógio para descarbonizar a economia e conter o avanço das mudanças climáticas, medir e reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) das atividades diretas dos negócios está longe de ser suficiente. Na maioria dos setores, é na cadeia de valor que acontece a maior parte das emissões, ou seja, fora do “muro” das fábricas, dos escritórios e de outros negócios. Isso inclui as operações dos fornecedores, até mesmo os pequenos, e o modo como os clientes usam um produto ou serviço.

 

Fazer o diagnóstico da pegada de carbono de toda a cadeia e agir para reduzi-la está na ordem do dia. Não só porque é a coisa certa a se fazer, mas porque o mundo caminha para exigir das empresas que se responsabilizem pelo que acontece em sua cadeia de valor.

 

O Acordo de Paris e outras iniciativas internacionais reforçaram o compromisso de países e empresas de reduzirem suas emissões para limitar o aquecimento global a uma temperatura de 1,5 °C a 2 °C acima dos níveis pré-industriais até 2100. Além disso, muitos países estão introduzindo regulamentações e padrões de sustentabilidade que exigem uma abordagem mais abrangente para medir emissões de carbono.

 

A União Europeia (UE), por exemplo, estabeleceu uma série de metas e compromissos de redução de emissões para seus Estados-membros. Um dos objetivos é a redução das suas emissões de GEE em pelo menos 40% até 2030, em comparação com os níveis de 1990.

 

Além disso, o impacto ambiental das marcas é cada vez mais considerado pelos consumidores ao redor do mundo. A pesquisa Future Consumer Index, da consultoria Ernest&Young, realizada com 21.000 entrevistados de 27 países, evidencia essa percepção. Entre os brasileiros, por exemplo, 73% se declararam profundamente preocupados com a fragilidade do planeta. A falta de informação, transparência e padronização, no entanto, também continua sendo um desafio mencionado pelos consumidores, que ainda não enxergam o impacto das escolhas que fazem para o meio ambiente quando compram um produto.

 

Dessa forma, a pegada de carbono de um produto torna-se um fator relevante de atenção da indústria. Além da preocupação ambiental e regulatória, esse tema se tornou uma questão de mercado. Entender como as emissões de GEE ganharam destaque na mesa de discussões de presidentes e diretores-executivos é importante para compreender como o tema foi ganhando força nas últimas décadas.

 

Internet: <www.basf.com/br/pt> (com adaptações).

A respeito de aspectos linguísticos do texto CG1A1 e do vocabulário nele empregado, julgue o próximo item.   A alteração do trecho “de 1,5 °C a 2 °C” para à até 2 °C prejudicaria a correção gramatical do texto.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase em expressões de intervalo: “de 1,5 °C a 2 °C” × “à até 2 °C”

Gabarito: item CERTO (C). A alteração de “de 1,5 °C a 2 °C” para “à até 2 °C” prejudica a correção gramatical, porque a preposição “até” não admite crase — o “a” que a precede é apenas preposição, sem artigo, e o acento grave só se justifica diante de palavra feminina que aceite artigo “a”. No trecho original, “a 2 °C” é preposição exigida pela ideia de limite, sem artigo; ao inserir “até”, o “a” continua preposição, mas agora seguida de outra preposição, o que torna a sequência “à até” gramaticalmente inviável.

O comando

A questão pede um julgamento de correção gramatical após uma reescrita de trecho. Não se trata de interpretação de sentido, mas de análise sintática e do uso da crase no contexto. O verbo “prejudicaria” indica que devemos avaliar se a nova redação viola a norma culta — e não se ela mantém o sentido.

O texto e o trecho

No 3º parágrafo, o texto afirma que o Acordo de Paris busca limitar o aquecimento global:

“limitar o aquecimento global a uma temperatura de 1,5 °C a 2 °C acima dos níveis pré-industriais”

A expressão “de 1,5 °C a 2 °C” indica um intervalo: de um limite mínimo a um máximo. O “a” antes de “2 °C” é preposição exigida pela locução “de... a...”, que estabelece a variação. Não há artigo definido feminino “a” antes de “2 °C”, pois “2 °C” não é um substantivo feminino que o admita — é um símbolo de medida.

A regra que decide

A crase é a fusão da preposição “a” com o artigo “a” (ou com os pronomes “aquele”, “aquela”, “aquilo”). Para haver crase, são necessários dois “as”: um que exerce função de preposição (exigida por um termo anterior) e outro que exerce função de artigo (determinando um substantivo feminino).

No trecho original, há apenas um “a” — o preposicional. Não há artigo, pois “2 °C” não é palavra feminina. Logo, não há crase.

Na reescrita proposta, “à até 2 °C”, o “à” (com crase) seria seguido da preposição “até”. Isso é duplamente incorreto:

  1. Não há o que fundir: não existe artigo “a” antes de “até” — “até” é preposição, não substantivo feminino. O acento grave não tem justificativa.

  2. Dupla preposição: “à até” formaria uma sequência de duas preposições (“a” + “até”) sem termo regido entre elas, o que viola a estrutura sintática. A preposição “a” ficaria órfã, sem complemento.

A forma correta, se quiséssemos usar “até”, seria simplesmente “até 2 °C”, sem o “a” anterior: “de 1,5 °C até 2 °C”.

A pegadinha

A banca explora a confusão entre o “a” preposicional (sem acento) e o “à” com crase. O candidato que vê “a 2 °C” e acha que deveria haver crase por ser “temperatura” (palavra feminina) cai na armadilha. Mas a crase não ocorre porque “2 °C” não é um substantivo que aceite artigo — é um símbolo de medida, e o “a” é apenas preposição de intervalo.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca o “a” preposicional por “à” (com crase) e acrescenta “até”, criando uma sequência “à até” que é gramaticalmente impossível. A crase só existe diante de palavra feminina que aceite artigo “a”; “até” é preposição e não admite artigo.

Conclusão

A reescrita “à até 2 °C” está incorreta por dois motivos: o acento grave indevido (não há fusão de preposição com artigo) e a dupla preposição sem termo regido. Portanto, a afirmação do item — de que a alteração prejudicaria a correção gramatical — está correta.

PEGA ESSA DICA!

Antes de marcar crase, pergunte: há um substantivo feminino depois? Se o termo seguinte é preposição (“até”, “de”, “para”), número, símbolo ou verbo, não há crase. O “a” é só preposição.

Gabarito: item C — CERTO.

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