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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
ce414927
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TCE RS
Ano
2025
Cargo
OCE (TCE-RS)

Texto CG2A1

 

A alusão ao princípio republicano tornou-se extremamente frequente no Brasil, não só em textos acadêmicos e decisões judiciais, como também nos debates travados na sociedade por pessoas alheias ao mundo do direito. O tema tem vindo à baila, por exemplo, em discussões sobre a corrupção e seu combate; sobre privilégios concedidos a autoridades públicas e poderosos de todo tipo; sobre a persistência no país de cultura patrimonialista e desigualitária, que não separa o público do privado e não trata a todos com o mesmo respeito e consideração. Existe na sociedade a difusa percepção, infelizmente correta, de que, embora nossa forma de governo seja a república e não a monarquia, falta República — com “r” maiúsculo — às nossas relações políticas e sociais.

 

A Constituição Federal de 1988 consagrou o princípio republicano em seu art. 1.º e acolheu diversos elementos e institutos que guardam estreita relação com o ideário republicano: o direito à igualdade; a legitimidade de todo cidadão para propor ação popular visando à garantia da coisa pública; os princípios da moralidade, publicidade e impessoalidade administrativa; as exigências constitucionais de concurso público e licitação; entre tantos outros.

 

O próprio nome atribuído ao país — República Federativa do Brasil — sinaliza a centralidade do princípio republicano entre nós. Essa centralidade foi reforçada pelo povo brasileiro no plebiscito ocorrido em 1993, quando, por expressiva maioria, optamos pela manutenção da forma republicana de governo, em detrimento da monarquia. Porém, entre a proclamação do princípio e a realidade há um abismo que ainda não fomos capazes de transpor nestes trinta anos de vigência da Carta de 1988.

 

O republicanismo projeta um ideal ambicioso para a política. Deseja-se que a política — compreendida em sentido amplo — tenha importância para as pessoas, que não devem limitar suas atividades e atenção a seus interesses e negócios privados. Ademais, espera-se que a política não se resuma à disputa entre forças movidas por interesses egoísticos, mas se volte à busca coletiva do bem comum.

 

Nessa chave, a esfera pública é idealmente concebida não como algo similar ao mercado — em que os agentes visam apenas a defender os próprios interesses —, mas como um fórum, em que existe disputa, mas também troca de razões e argumentos, objetivando-se a identificação e a persecução do interesse público. Não se afirma que essa seja a realidade da política nas sociedades contemporâneas. Trata-se, isso sim, do ideal normativo a ser perseguido para a construção do Estado republicano.

 

Daniel Sarmento. O princípio republicano nos 30 anos da Constituição de 88. Revista EMERJ,
v. 20, n.º 3, Rio de Janeiro, set. – dez./2018. Internet: <www.emerj.tjrj.jus.br> (com adaptações).
FimDoTexto

A respeito dos sentidos e das relações de coesão e coerência estabelecidas no texto CG2A1, julgue o item que se segue.

 

O trecho “que ainda” poderia ser substituído por do qual ainda, sem prejuízo da correção gramatical e do sentido do texto.

  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição de "que ainda" por "do qual ainda" — regência e sentido

Gabarito: letra E (ERRADO). A substituição de “que ainda” por “do qual ainda” quebra a correção gramatical, porque o pronome relativo “que” no trecho exerce função de sujeito da oração subordinada, e não de complemento regido por preposição. No texto, lê-se: “há um abismo que ainda não fomos capazes de transpor”. O “que” retoma “abismo” e funciona como objeto direto de “transpor” (transpor o abismo), sem preposição. Já “do qual” exigiria um verbo que pedisse a preposição “de” (ex.: “do qual ainda não fomos capazes de falar”), o que não ocorre. Além disso, a troca alteraria a estrutura sintática, pois “do qual” não poderia ser sujeito/objeto direto sem preposição.

O comando da questão

O enunciado pede que se julgue se a substituição de “que ainda” por “do qual ainda” preserva correção gramatical e sentido. Isso é uma questão de reescritura de frases com foco em regência e função do pronome relativo. Não se trata de interpretação de sentido amplo, mas de análise sintática: é preciso verificar se o pronome relativo, na nova forma, mantém a mesma função e se a preposição introduzida é compatível com a regência do verbo.

O trecho e a função do “que”

No 3º parágrafo, o autor escreve:

“Porém, entre a proclamação do princípio e a realidade há um abismo que ainda não fomos capazes de transpor nestes trinta anos de vigência da Carta de 1988.”

Aqui, o pronome relativo “que” retoma o substantivo “abismo” e exerce a função de objeto direto do verbo “transpor”. A prova disso é que podemos reescrever a oração como: “não fomos capazes de transpor o abismo”. O verbo “transpor” é transitivo direto — não exige preposição. Portanto, o relativo deve vir sem preposição: “que”.

Por que “do qual” é incorreto

A forma “do qual” é a combinação da preposição “de” com o pronome relativo “o qual”. Ela só é usada quando o verbo ou o nome da oração subordinada exige a preposição “de”. Exemplos corretos:

  • “Este é o livro do qual gosto.” (gostar de algo)

  • “A cidade da qual falo é bela.” (falar de algo)

No trecho, não há nenhum termo que exija “de”. O verbo “transpor” pede objeto direto, sem preposição. Assim, “do qual ainda não fomos capazes de transpor” seria agramatical, pois a preposição “de” ficaria órfã, sem função. A frase correta com “o qual” seria: “o abismo o qual ainda não fomos capazes de transpor” — mas isso é artificial; a forma natural é “que”.

A pegadinha da banca

A banca explora a confusão entre o pronome relativo “que” (que pode ser sujeito ou objeto direto) e a forma preposicionada “do qual”. O candidato pode pensar que, por “abismo” ser masculino, “do qual” seria aceitável. Mas a regência do verbo é o que decide: se o verbo não pede preposição, o relativo não pode vir preposicionado. Além disso, a troca alteraria a função sintática — “que” é objeto direto; “do qual” seria um adjunto adverbial ou complemento nominal, o que mudaria o sentido da oração.

NÃO CAIA NESSA!

A banca oferece uma substituição que parece plausível (trocar “que” por “do qual” para evitar repetição), mas que quebra a regência do verbo “transpor”. O erro está em não verificar se o verbo pede preposição.

Análise da alternativa

Pronome relativo: "que" × "do qual"
  • 1"que" (sem preposição)
    • Função: sujeito ou objeto direto
    • Verbo transitivo direto
    • Ex.: "abismo que não transpusemos"
  • 2"do qual" (com preposição "de")
    • Exige verbo/nome com regência "de"
    • Ex.: "livro do qual gosto"
  • 3Regra de ouro
    • Verificar a regência do verbo
    • Transitivo direto → sem preposição
    • Exige "de" → "do qual"
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Alternativa E — ❌ Errado ⟵ GABARITO

A afirmação do item é falsa. A substituição de “que ainda” por “do qual ainda” não pode ser feita sem prejuízo da correção gramatical. O pronome “que” exerce função de objeto direto de “transpor”, e a introdução da preposição “de” (em “do qual”) é incompatível com a regência desse verbo. Portanto, a troca geraria um período agramatical. O item está errado.

Conclusão: a regra de ouro para questões de substituição de pronome relativo é verificar a regência do verbo da oração subordinada. Se o verbo é transitivo direto, o relativo vem sem preposição (“que”, “o qual”); se exige preposição, usa-se a forma preposicionada (“do qual”, “da qual”, “ao qual” etc.). Aqui, “transpor” não pede “de”, logo “do qual” é incorreto.

Gabarito: letra E (ERRADO).

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