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Questão de Português — Conjunção — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsConjunção
Código
ce414928
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TCE RS
Ano
2025
Cargo
OCE (TCE-RS)

Texto CG2A1

 

A alusão ao princípio republicano tornou-se extremamente frequente no Brasil, não só em textos acadêmicos e decisões judiciais, como também nos debates travados na sociedade por pessoas alheias ao mundo do direito. O tema tem vindo à baila, por exemplo, em discussões sobre a corrupção e seu combate; sobre privilégios concedidos a autoridades públicas e poderosos de todo tipo; sobre a persistência no país de cultura patrimonialista e desigualitária, que não separa o público do privado e não trata a todos com o mesmo respeito e consideração. Existe na sociedade a difusa percepção, infelizmente correta, de que, embora nossa forma de governo seja a república e não a monarquia, falta República — com “r” maiúsculo — às nossas relações políticas e sociais.

 

A Constituição Federal de 1988 consagrou o princípio republicano em seu art. 1.º e acolheu diversos elementos e institutos que guardam estreita relação com o ideário republicano: o direito à igualdade; a legitimidade de todo cidadão para propor ação popular visando à garantia da coisa pública; os princípios da moralidade, publicidade e impessoalidade administrativa; as exigências constitucionais de concurso público e licitação; entre tantos outros.

 

O próprio nome atribuído ao país — República Federativa do Brasil — sinaliza a centralidade do princípio republicano entre nós. Essa centralidade foi reforçada pelo povo brasileiro no plebiscito ocorrido em 1993, quando, por expressiva maioria, optamos pela manutenção da forma republicana de governo, em detrimento da monarquia. Porém, entre a proclamação do princípio e a realidade há um abismo que ainda não fomos capazes de transpor nestes trinta anos de vigência da Carta de 1988.

 

O republicanismo projeta um ideal ambicioso para a política. Deseja-se que a política — compreendida em sentido amplo — tenha importância para as pessoas, que não devem limitar suas atividades e atenção a seus interesses e negócios privados. Ademais, espera-se que a política não se resuma à disputa entre forças movidas por interesses egoísticos, mas se volte à busca coletiva do bem comum.

 

Nessa chave, a esfera pública é idealmente concebida não como algo similar ao mercado — em que os agentes visam apenas a defender os próprios interesses —, mas como um fórum, em que existe disputa, mas também troca de razões e argumentos, objetivando-se a identificação e a persecução do interesse público. Não se afirma que essa seja a realidade da política nas sociedades contemporâneas. Trata-se, isso sim, do ideal normativo a ser perseguido para a construção do Estado republicano.

 

Daniel Sarmento. O princípio republicano nos 30 anos da Constituição de 88. Revista EMERJ,
v. 20, n.º 3, Rio de Janeiro, set. – dez./2018. Internet: <www.emerj.tjrj.jus.br> (com adaptações).
FimDoTexto

A respeito dos sentidos e das relações de coesão e coerência estabelecidas no texto CG2A1, julgue o item que se segue.   O termo “Ademais” introduz uma oração que expressa consequência em relação à afirmação feita no período imediatamente anterior.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O valor semântico de “Ademais” no texto

Gabarito: ERRADO. O termo “Ademais” não introduz consequência; ele é um conectivo aditivo, que acrescenta um novo argumento à ideia anterior. No texto, “Ademais” soma uma segunda expectativa do republicanismo à primeira, sem qualquer relação de causa e efeito. A passagem que prova isso está no 4º parágrafo: “Deseja-se que a política — compreendida em sentido amplo — tenha importância para as pessoas... Ademais, espera-se que a política não se resuma à disputa entre forças movidas por interesses egoísticos”.

O comando pede que se julgue a relação de coesão sequencial estabelecida pelo conectivo “Ademais”. Trata-se de uma questão de gramática aplicada ao texto: não basta saber a classe da palavra; é preciso identificar o valor semântico que ela assume no contexto. Aqui, a banca testa se o candidato confunde o valor aditivo (somar ideias) com o consecutivo (expressar efeito).

No 4º parágrafo, o autor apresenta o ideal republicano em duas frentes: primeiro, que a política tenha importância para as pessoas; depois, que ela não se resuma à disputa egoística, mas busque o bem comum. O “Ademais” liga essas duas ideias somando-as, como em “além disso”, “também”. Não há relação de causa e consequência: a segunda ideia não é efeito da primeira; é apenas um acréscimo argumentativo.

A pegadinha da banca é clássica: oferecer um rótulo semântico plausível (consequência) para um conectivo que, no contexto, tem outro valor. Para resolver, pergunte: “o que o conectivo faz com a ideia anterior?”. Se ele soma, é aditivo; se explica, é explicativo; se conclui, é conclusivo; se opõe, é adversativo. “Ademais” nunca é consecutivo — ele adiciona, não conclui.

Conectivos
  • 1Aditivos
    • Ademais
    • Além disso
    • Também
    • Ainda
  • 2Consecutivos
    • Portanto
    • Logo
    • Por isso
    • Assim
    • De modo que
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Alternativa C — ❌ Incorreta

A afirmativa diz que “Ademais” introduz uma oração que expressa consequência em relação ao período anterior. Isso é falso. No texto, o conectivo adiciona uma nova ideia à anterior, sem relação de causa e efeito. Veja o trecho:

“Deseja-se que a política — compreendida em sentido amplo — tenha importância para as pessoas, que não devem limitar suas atividades e atenção a seus interesses e negócios privados. Ademais, espera-se que a política não se resuma à disputa entre forças movidas por interesses egoísticos, mas se volte à busca coletiva do bem comum.”

A primeira oração afirma que a política deve ter importância; a segunda, introduzida por “Ademais”, acrescenta que ela não deve se resumir à disputa egoística. Não há consequência: a segunda ideia não é efeito da primeira. O erro é de troca de valor semântico — a banca troca o valor aditivo pelo consecutivo.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A afirmativa está errada porque “Ademais” é um conectivo aditivo, não consecutivo. Ele soma argumentos, como “além disso”, “também”. No texto, ele acrescenta uma segunda característica do ideal republicano à primeira, sem relação de causa e consequência. A passagem que prova isso é a mesma citada acima: “Deseja-se que a política... Ademais, espera-se que a política...”. O “Ademais” liga duas expectativas somando-as, não concluindo uma a partir da outra.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca o valor aditivo de “Ademais” pelo consecutivo. Para não cair, pergunte: “o conectivo soma, explica, conclui ou opõe?”. “Ademais” sempre soma.

PEGA ESSA DICA!

Conectivos consecutivos típicos são “portanto”, “logo”, “por isso”, “assim”, “de modo que”. “Ademais” não está nesse grupo — ele é aditivo, como “além disso”, “também”, “ainda”.

Conclusão: como a banca pediu para julgar a afirmação, e ela está errada, o gabarito é a letra E. A regra de ouro: identifique o valor semântico do conectivo no contexto, não apenas sua classe gramatical.

Gabarito: letra E

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