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Questão de Português — Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc) — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsCoerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Código
ce414929
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TCE RS
Ano
2025
Cargo
OCE (TCE-RS)

Texto CG2A1

 

A alusão ao princípio republicano tornou-se extremamente frequente no Brasil, não só em textos acadêmicos e decisões judiciais, como também nos debates travados na sociedade por pessoas alheias ao mundo do direito. O tema tem vindo à baila, por exemplo, em discussões sobre a corrupção e seu combate; sobre privilégios concedidos a autoridades públicas e poderosos de todo tipo; sobre a persistência no país de cultura patrimonialista e desigualitária, que não separa o público do privado e não trata a todos com o mesmo respeito e consideração. Existe na sociedade a difusa percepção, infelizmente correta, de que, embora nossa forma de governo seja a república e não a monarquia, falta República — com “r” maiúsculo — às nossas relações políticas e sociais.

 

A Constituição Federal de 1988 consagrou o princípio republicano em seu art. 1.º e acolheu diversos elementos e institutos que guardam estreita relação com o ideário republicano: o direito à igualdade; a legitimidade de todo cidadão para propor ação popular visando à garantia da coisa pública; os princípios da moralidade, publicidade e impessoalidade administrativa; as exigências constitucionais de concurso público e licitação; entre tantos outros.

 

O próprio nome atribuído ao país — República Federativa do Brasil — sinaliza a centralidade do princípio republicano entre nós. Essa centralidade foi reforçada pelo povo brasileiro no plebiscito ocorrido em 1993, quando, por expressiva maioria, optamos pela manutenção da forma republicana de governo, em detrimento da monarquia. Porém, entre a proclamação do princípio e a realidade há um abismo que ainda não fomos capazes de transpor nestes trinta anos de vigência da Carta de 1988.

 

O republicanismo projeta um ideal ambicioso para a política. Deseja-se que a política — compreendida em sentido amplo — tenha importância para as pessoas, que não devem limitar suas atividades e atenção a seus interesses e negócios privados. Ademais, espera-se que a política não se resuma à disputa entre forças movidas por interesses egoísticos, mas se volte à busca coletiva do bem comum.

 

Nessa chave, a esfera pública é idealmente concebida não como algo similar ao mercado — em que os agentes visam apenas a defender os próprios interesses —, mas como um fórum, em que existe disputa, mas também troca de razões e argumentos, objetivando-se a identificação e a persecução do interesse público. Não se afirma que essa seja a realidade da política nas sociedades contemporâneas. Trata-se, isso sim, do ideal normativo a ser perseguido para a construção do Estado republicano.

 

Daniel Sarmento. O princípio republicano nos 30 anos da Constituição de 88. Revista EMERJ,
v. 20, n.º 3, Rio de Janeiro, set. – dez./2018. Internet: <www.emerj.tjrj.jus.br> (com adaptações).
FimDoTexto

A respeito dos sentidos e das relações de coesão e coerência estabelecidas no texto CG2A1, julgue o item que se segue.   O referente das formas pronominais “suas” e “seus”, é “pessoas”.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Referente dos pronomes possessivos "suas" e "seus"

Gabarito: CERTO. As formas "suas" e "seus" retomam, por coesão anafórica, o substantivo "pessoas", como se comprova no 4º parágrafo: "que não devem limitar suas atividades e atenção a seus interesses e negócios privados". O pronome possessivo indica posse em relação a "as pessoas" — são elas que não devem limitar as próprias atividades e interesses.

A questão exige identificar o referente de pronomes possessivos de 3ª pessoa, um clássico de coesão referencial. O comando "julgue o item" pede uma análise objetiva: o pronome "suas"/"seus" aponta para quem? A resposta está na leitura atenta do período em que eles aparecem, não em regra decorada.

No 4º parágrafo, o autor escreve:

"Deseja-se que a política — compreendida em sentido amplo — tenha importância para as pessoas, que não devem limitar suas atividades e atenção a seus interesses e negócios privados."

A oração "que não devem limitar suas atividades..." tem como sujeito o pronome relativo "que", que retoma "as pessoas". Logo, "suas" e "seus" indicam posse em relação a "as pessoas": são as pessoas que não devem limitar as próprias atividades e os próprios interesses. A concordância de número/gênero dos possessivos se dá com os substantivos possuídos (atividades, interesses, negócios), mas o referente — o possuidor — é "pessoas".

A armadilha da banca seria o candidato confundir o referente (possuidor) com os substantivos possuídos. Observe: "suas" concorda com "atividades" (feminino plural) e "seus" com "interesses" (masculino plural), mas ambos remetem ao mesmo possuidor: "as pessoas". Essa distinção entre o termo que concorda e o termo que é retomado é essencial em questões de coesão referencial.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca o referente pelo possuído: "suas" e "seus" concordam com "atividades" e "interesses", mas o referente é "pessoas". Não se deixe enganar pela concordância superficial.

PEGA ESSA DICA!

Para achar o referente de um possessivo, pergunte: "de quem?" — o possuidor. A concordância de gênero/número é com o objeto possuído, não com o possuidor.

Item — ✅ CERTO

A afirmativa está correta. O trecho citado comprova que "suas" e "seus" retomam "pessoas". A coesão é anafórica, pois o pronome remete a um termo já mencionado. Não há ambiguidade: o sujeito da oração relativa é "que" (= as pessoas), e os possessivos se referem a esse sujeito.

Conclusão: como a banca pediu para julgar a assertiva, e ela é verdadeira, o gabarito é CERTO. A regra de ouro: em coesão referencial, o referente é o termo retomado, não o que concorda em gênero/número com o pronome.

Gabarito: CERTO

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