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Questão de Português — Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc) — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsCoerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Código
ce414930
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TCE RS
Ano
2025
Cargo
OCE (TCE-RS)

Texto CG2A1

 

A alusão ao princípio republicano tornou-se extremamente frequente no Brasil, não só em textos acadêmicos e decisões judiciais, como também nos debates travados na sociedade por pessoas alheias ao mundo do direito. O tema tem vindo à baila, por exemplo, em discussões sobre a corrupção e seu combate; sobre privilégios concedidos a autoridades públicas e poderosos de todo tipo; sobre a persistência no país de cultura patrimonialista e desigualitária, que não separa o público do privado e não trata a todos com o mesmo respeito e consideração. Existe na sociedade a difusa percepção, infelizmente correta, de que, embora nossa forma de governo seja a república e não a monarquia, falta República — com “r” maiúsculo — às nossas relações políticas e sociais.

 

A Constituição Federal de 1988 consagrou o princípio republicano em seu art. 1.º e acolheu diversos elementos e institutos que guardam estreita relação com o ideário republicano: o direito à igualdade; a legitimidade de todo cidadão para propor ação popular visando à garantia da coisa pública; os princípios da moralidade, publicidade e impessoalidade administrativa; as exigências constitucionais de concurso público e licitação; entre tantos outros.

 

O próprio nome atribuído ao país — República Federativa do Brasil — sinaliza a centralidade do princípio republicano entre nós. Essa centralidade foi reforçada pelo povo brasileiro no plebiscito ocorrido em 1993, quando, por expressiva maioria, optamos pela manutenção da forma republicana de governo, em detrimento da monarquia. Porém, entre a proclamação do princípio e a realidade há um abismo que ainda não fomos capazes de transpor nestes trinta anos de vigência da Carta de 1988.

 

O republicanismo projeta um ideal ambicioso para a política. Deseja-se que a política — compreendida em sentido amplo — tenha importância para as pessoas, que não devem limitar suas atividades e atenção a seus interesses e negócios privados. Ademais, espera-se que a política não se resuma à disputa entre forças movidas por interesses egoísticos, mas se volte à busca coletiva do bem comum.

 

Nessa chave, a esfera pública é idealmente concebida não como algo similar ao mercado — em que os agentes visam apenas a defender os próprios interesses —, mas como um fórum, em que existe disputa, mas também troca de razões e argumentos, objetivando-se a identificação e a persecução do interesse público. Não se afirma que essa seja a realidade da política nas sociedades contemporâneas. Trata-se, isso sim, do ideal normativo a ser perseguido para a construção do Estado republicano.

 

Daniel Sarmento. O princípio republicano nos 30 anos da Constituição de 88. Revista EMERJ,
v. 20, n.º 3, Rio de Janeiro, set. – dez./2018. Internet: <www.emerj.tjrj.jus.br> (com adaptações).
FimDoTexto

A respeito dos sentidos e das relações de coesão e coerência estabelecidas no texto CG2A1, julgue o item que se segue.   Por meio do emprego da expressão “isso sim”, o autor retoma e, ao mesmo tempo, confirma a ideia apresentada anteriormente.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

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O valor de “isso sim” no texto

Gabarito: Errado. A expressão “isso sim” retoma a ideia anterior, mas não a confirma — ela a reafirma com ênfase, distinguindo-a de outra possibilidade. O texto diz: “Não se afirma que essa seja a realidade da política nas sociedades contemporâneas. Trata-se, isso sim, do ideal normativo a ser perseguido”. Ou seja, “isso sim” corrige/retifica o que foi dito antes, não o confirma.

O comando

A questão pede para julgar uma afirmação sobre coesão e coerência. O verbo “retoma” indica coesão referencial (anáfora), e “confirma” indica uma relação de concordância entre o que foi dito e o que vem depois. É preciso verificar se a expressão “isso sim” realmente exerce essas duas funções no trecho.

O texto

No último parágrafo, o autor apresenta uma negação e, em seguida, uma retificação:

“Não se afirma que essa seja a realidade da política nas sociedades contemporâneas. Trata-se, isso sim, do ideal normativo a ser perseguido para a construção do Estado republicano.”

Aqui, “isso sim” retoma o conteúdo da oração anterior (“que essa seja a realidade...”) e o substitui por outra ideia (“do ideal normativo”). Não há confirmação; há correção.

A técnica

  • Anáfora: quando um termo retoma algo já dito. “Isso” é um pronome demonstrativo que faz referência anafórica ao que foi mencionado antes.

  • Confirmação: seria se o autor dissesse “isso mesmo”, “exatamente”, “sim, é isso”. Mas “isso sim” tem valor adversativo/retificativo: equivale a “mas sim”, “na verdade”.

Portanto, a afirmação está errada porque atribui à expressão um valor que ela não tem no contexto.

"Isso sim"
  • 1Retoma (anáfora)
    • Pronome demonstrativo "isso"
    • Refere-se ao que foi dito
  • 2Não confirma
    • Valor adversativo/retificativo
    • Equivale a "mas sim", "na verdade"
    • Corrige a ideia anterior
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Alternativa C — ❌ Incorreta

A afirmativa diz que “isso sim” retoma e confirma a ideia anterior. O primeiro verbo está correto (retoma), mas o segundo não: o texto não confirma, ele retifica. A passagem “Trata-se, isso sim, do ideal normativo” mostra que o autor corrige a ideia anterior, não a endossa. Logo, a alternativa contradiz o texto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre retomada (que existe) e confirmação (que não existe). “Isso sim” não é sinônimo de “sim, é isso”; é um operador de retificação.

PEGA ESSA DICA!

Ao analisar conectivos e expressões, pergunte: qual é a relação lógica que eles estabelecem? “Isso sim” indica correção/oposição, não confirmação.

Conclusão: a expressão “isso sim” retoma a ideia anterior, mas não a confirma — ela a retifica. Portanto, o item está errado.

Gabarito: Errado.

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