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Questão de Português — Tipologia e Gênero Textual — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsTipologia e Gênero Textual
Código
ce414933
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TCE RS
Ano
2025
Cargo
OCE (TCE-RS)

Texto CG2A1

 

A alusão ao princípio republicano tornou-se extremamente frequente no Brasil, não só em textos acadêmicos e decisões judiciais, como também nos debates travados na sociedade por pessoas alheias ao mundo do direito. O tema tem vindo à baila, por exemplo, em discussões sobre a corrupção e seu combate; sobre privilégios concedidos a autoridades públicas e poderosos de todo tipo; sobre a persistência no país de cultura patrimonialista e desigualitária, que não separa o público do privado e não trata a todos com o mesmo respeito e consideração. Existe na sociedade a difusa percepção, infelizmente correta, de que, embora nossa forma de governo seja a república e não a monarquia, falta República — com “r” maiúsculo — às nossas relações políticas e sociais.

 

A Constituição Federal de 1988 consagrou o princípio republicano em seu art. 1.º e acolheu diversos elementos e institutos que guardam estreita relação com o ideário republicano: o direito à igualdade; a legitimidade de todo cidadão para propor ação popular visando à garantia da coisa pública; os princípios da moralidade, publicidade e impessoalidade administrativa; as exigências constitucionais de concurso público e licitação; entre tantos outros.

 

O próprio nome atribuído ao país — República Federativa do Brasil — sinaliza a centralidade do princípio republicano entre nós. Essa centralidade foi reforçada pelo povo brasileiro no plebiscito ocorrido em 1993, quando, por expressiva maioria, optamos pela manutenção da forma republicana de governo, em detrimento da monarquia. Porém, entre a proclamação do princípio e a realidade há um abismo que ainda não fomos capazes de transpor nestes trinta anos de vigência da Carta de 1988.

 

O republicanismo projeta um ideal ambicioso para a política. Deseja-se que a política — compreendida em sentido amplo — tenha importância para as pessoas, que não devem limitar suas atividades e atenção a seus interesses e negócios privados. Ademais, espera-se que a política não se resuma à disputa entre forças movidas por interesses egoísticos, mas se volte à busca coletiva do bem comum.

 

Nessa chave, a esfera pública é idealmente concebida não como algo similar ao mercado — em que os agentes visam apenas a defender os próprios interesses —, mas como um fórum, em que existe disputa, mas também troca de razões e argumentos, objetivando-se a identificação e a persecução do interesse público. Não se afirma que essa seja a realidade da política nas sociedades contemporâneas. Trata-se, isso sim, do ideal normativo a ser perseguido para a construção do Estado republicano.

 

Daniel Sarmento. O princípio republicano nos 30 anos da Constituição de 88. Revista EMERJ,
v. 20, n.º 3, Rio de Janeiro, set. – dez./2018. Internet: <www.emerj.tjrj.jus.br> (com adaptações).
FimDoTexto

Julgue o item subsequente, referentes a aspectos linguísticos e discursivos do texto CG2A1.   O texto classifica-se como predominantemente argumentativo, o que se evidencia pela organização do discurso e pelo posicionamento do autor em relação ao assunto abordado.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Tipologia Textual: Predomínio Argumentativo

Gabarito: Certo (C). O texto é predominantemente argumentativo porque o autor defende uma tese — a de que falta República (com "r" maiúsculo) às relações políticas e sociais brasileiras — e organiza o discurso para convencer o leitor dessa posição, como se vê já no primeiro parágrafo: "falta República — com 'r' maiúsculo — às nossas relações políticas e sociais". A classificação se apoia na intenção do autor (persuadir), não na forma isolada.

O que o comando pede

A questão é de tipologia textual: julgar se o texto é predominantemente argumentativo. Para isso, não basta olhar a superfície (se há dados, citações, etc.); é preciso identificar a intenção predominante do autor. Como ensina a teoria: "Para 'decifrar' a tipologia deve-se olhar para a INTENÇÃO do autor (conteúdo) e NÃO PARA A FORMA como foi escrito. O conteúdo predomina sobre a forma." (C11). Aqui, o autor não apenas informa sobre o princípio republicano — ele defende um ponto de vista e tenta persuadir o leitor de que há um abismo entre o princípio e a realidade.

A tese e os argumentos no texto

O texto apresenta uma tese clara logo no primeiro parágrafo:

"falta República — com 'r' maiúsculo — às nossas relações políticas e sociais"

Essa é a opinião central que o autor sustenta. Em seguida, ele argumenta para fundamentá-la:

  • No 1º parágrafo, aponta a difusão do tema e a percepção de que falta República, citando exemplos (corrupção, privilégios, patrimonialismo).

  • No 2º parágrafo, menciona que a Constituição consagrou o princípio, mas isso serve de contraponto para mostrar que, apesar da previsão legal, a realidade é outra.

  • No 3º parágrafo, reforça a tese ao afirmar que "entre a proclamação do princípio e a realidade há um abismo que ainda não fomos capazes de transpor".

  • Nos parágrafos 4 e 5, explica o ideal republicano, mas sempre em função da defesa da tese: o que deveria ser a política e a esfera pública.

O texto não é meramente expositivo, pois não se limita a informar; ele avalia e critica a realidade, o que é típico do texto argumentativo.

A técnica que decide

Para classificar um texto como argumentativo, procure:

  1. Tese (o que o autor pensa sobre o assunto) — presente: "falta República".

  2. Argumentos (por que ele pensa assim) — presentes: exemplos, comparações, críticas.

  3. Persuasão (intenção de convencer) — presente: o autor quer que o leitor concorde que há um abismo.

Se houvesse apenas exposição de fatos, sem defesa de ponto de vista, seria expositivo. Mas aqui o autor opina e defende essa opinião.

1Intenção do autor
Persuadir
Convencer
2Elementos
Tese (posição defendida)
Argumentos (fundamentação)
Posicionamento crítico
3Como identificar
Pergunta: informar ou convencer?
Tese + argumentos → argumentativo
Só explicação → expositivo
Texto argumentativo
LEVELsoulevel.com.br
Texto argumentativo: Intenção do autor (Persuadir, Convencer); Elementos (Tese (posição defendida), Argumentos (fundamentação), Posicionamento crítico); Como identificar (Pergunta: informar ou convencer?, Tese + argumentos → argumentativo, Só explicação → expositivo)

Análise do item

O item afirma: "O texto classifica-se como predominantemente argumentativo, o que se evidencia pela organização do discurso e pelo posicionamento do autor em relação ao assunto abordado."

Isso está correto. A organização do discurso (apresentação da tese, desenvolvimento com argumentos, conclusão) e o posicionamento do autor (crítico, defendendo que falta República) confirmam o predomínio argumentativo.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de tipologia, pergunte-se: "O autor quer informar ou convencer?" Se houver tese e argumentos, é argumentativo. Se houver só explicação, é expositivo.

Conclusão

O item está certo. O texto é predominantemente argumentativo, pois o autor defende uma tese e organiza o discurso para persuadir o leitor.

Gabarito: Certo (C).

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