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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
ce414939
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Pref Boa Vista
Ano
2025
Cargo
Ana Sau ( )

A relação entre sustentabilidade e saúde não é nova. Desde questões ocupacionais, passando pela qualidade do ar, da água, do solo, do uso de pesticidas, resíduos perigosos e radioativos, os impactos do modo de produção e consumo sobre o meio ambiente têm sempre retornado ao ser humano na forma de danos à saúde. As mudanças climáticas são um divisor de águas nesse processo. Eventos extremos como ondas de calor, secas e inundações modificam os habitats naturais, forçando animais a migrarem para novas áreas. Essa movimentação aumenta as chances de contato entre espécies, inclusive a humana, e facilita a transmissão de patógenos. Além disso, as alterações climáticas influenciam a distribuição de vetores, como mosquitos e carrapatos, expandindo a área geográfica de doenças como a malária e a dengue. Doenças crônicas, cardiovasculares e respiratórias também são acentuadas por altas temperaturas e poluição do ar.

Na linha das notícias aterradoras sobre o futuro, o relatório Qualificando o impacto das mudanças climáticas na saúde humana, lançado pelo Fórum Econômico Mundial em janeiro de 2024, aponta que a mudança do clima pode causar até 14,5 milhões de mortes adicionais e perdas econômicas da ordem de 12,5 trilhões de dólares ao redor do mundo até 2050. A pressão sobre os sistemas de saúde será imensa, somando 1,1 trilhão de dólares em custos extras. Entre os impactos projetados, 79% relacionam-se a condições de saúde que se desenvolvem após os eventos climáticos e afetam o bem-estar de indivíduos e comunidades. Ainda, desastres climáticos e o sofrimento geradopor eventos como ondas de calor extremas e o processo de degradação dos ecossistemas exacerbam os riscos para aqueles com transtornos mentais preexistentes, o que aumenta as taxas de suicídio e internações hospitalares.

 

Assim, as novas gerações, que herdarão as consequências mais duras das mudanças climáticas, estão experimentando um aumento significativo de ansiedade, estresse e outros problemas de saúde mental, conhecidos como ansiedade climática ou ecoansiedade. O conceito é definido pela Associação Americana de Psicologia (APA) como um medo crônico da destruição ambiental, que varia de estresse leve a transtornos clínicos como depressão, ansiedade, transtorno de estresse pós-traumático, e pode envolver efeitos intergeracionais, em especial quando os danos ambientais implicam a perda de um modo de vida ou cultura. O sofrimento de crianças e adolescentes associa-se tanto às experiências da emergência climática atual quanto à impossibilidade de imaginar futuros alternativos a distopias socioambientais.

Internet: <https://portal.fgv.br> (com adaptações).

Texto CG1A1

 

Estariam mantidas a correção gramatical e a coerência textual caso se substituísse, no quarto período do primeiro parágrafo do texto CG1A1, a forma verbal “forçando” por

  1. Aentretanto forçam.
  2. Bo que força.
  3. Cpor se forçar.
  4. Dpor que forçam.
  5. Eembora forçam.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — o que força.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita de Frases: Substituição de "forçando" por "o que força"

Gabarito: letra B. A substituição de "forçando" por "o que força" mantém a correção gramatical e a coerência textual, pois ambas as formas estabelecem a mesma relação de consequência entre a migração dos animais e o aumento do contato entre espécies. No texto, lê-se: "Eventos extremos como ondas de calor, secas e inundações modificam os habitats naturais, forçando animais a migrarem para novas áreas." A forma "o que força" retoma o fato de os eventos extremos modificarem os habitats, funcionando como sujeito do verbo "forçar", e preserva o sentido de que essa modificação é a causa da migração.

O comando da questão é de reescritura de frases: pede-se que se avalie se a troca de uma forma verbal por outra mantém a correção gramatical e a coerência textual. Isso exige analisar a função sintática e o valor semântico da forma original no período. O gerúndio "forçando" introduz uma oração subordinada reduzida que expressa consequência da ação anterior. A alternativa correta deve reproduzir essa mesma relação, com a devida estrutura sintática.

No trecho original, a oração "forçando animais a migrarem para novas áreas" é uma oração subordinada adverbial consecutiva reduzida de gerúndio. Ela indica o resultado da modificação dos habitats. A substituição por "o que força" transforma essa oração em uma oração subordinada adjetiva explicativa, introduzida pelo pronome relativo "o que", que retoma toda a ideia anterior (os eventos extremos modificarem os habitats). Essa nova oração também expressa consequência, pois "o que força" = "essa modificação força". A correção gramatical é mantida porque "o que" é sujeito e "força" concorda com ele no singular.

A técnica para resolver é testar cada alternativa: a substituição deve (1) preservar o sentido de consequência, (2) manter a concordância verbal e (3) não quebrar a estrutura sintática do período. A alternativa B é a única que cumpre os três requisitos. As demais ou introduzem conectivos com valor semântico inadequado (oposição, causa, condição) ou apresentam erro de concordância.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os valores semânticos dos conectivos. "Entretanto" e "embora" indicam oposição/concessão, "por" indica causa, e "por que" é uma locução conjuntiva causal. A única que mantém a relação de consequência é "o que força", que funciona como pronome relativo.

Substituição de "forçando"
  • 1Valor semântico original
    • Consequência
  • 2Requisitos da troca
    • Preservar o sentido
    • Manter concordância
    • Não quebrar a sintaxe
  • 3Análise das alternativas
    • "o que força" (gabarito)
      • Adjetiva explicativa
      • Mantém consequência
    • "entretanto forçam"
      • Adversativa (oposição)
    • "por se forçar"
      • Causal (inverte relação)
    • "por que forçam"
      • Causal (inverte relação)
    • "embora forçam"
      • Concessiva (oposição)
      • Exige subjuntivo
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"Entretanto forçam" introduz uma oração coordenada adversativa, pois "entretanto" é conjunção adversativa (equivale a "mas", "porém"). Isso estabeleceria uma relação de oposição entre a modificação dos habitats e a migração dos animais, o que contradiz o sentido original de consequência. Além disso, "forçam" estaria no plural, mas o sujeito seria "eventos extremos" (plural), o que até seria gramaticalmente possível, mas o sentido de oposição torna a frase incoerente. Erro: contradiz o texto (troca o valor semântico de consequência por oposição).

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"O que força" é uma oração subordinada adjetiva explicativa, em que "o que" é pronome relativo que retoma a ideia anterior (a modificação dos habitats). O verbo "força" concorda com o sujeito "o que" (3ª pessoa do singular). A relação de consequência é preservada: a modificação dos habitats força os animais a migrarem. A correção gramatical e a coerência são mantidas integralmente.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Por se forçar" introduz uma oração subordinada adverbial causal ("por" = porque), indicando causa. Isso inverteria a relação lógica: a migração dos animais seria a causa da modificação dos habitats, quando o texto afirma o contrário. Além disso, a forma "se forçar" (infinitivo com pronome apassivador ou reflexivo) não se encaixa no sentido ativo do verbo "forçar" no original. Erro: contradiz o texto (inverte a relação de causa e consequência).

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Por que forçam" é uma oração subordinada adverbial causal ("por que" = porque), indicando causa. Assim como a alternativa C, inverte a relação lógica do texto. Além disso, "forçam" no plural não teria sujeito claro, pois "o que" (singular) seria o antecedente, gerando erro de concordância. Erro: contradiz o texto (inverte a relação de causa e consequência) e apresenta erro de concordância.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Embora forçam" introduz uma oração subordinada adverbial concessiva ("embora" = ainda que), indicando concessão/oposição. Isso estabeleceria uma relação de contraste que não existe no texto. Além disso, "embora" exige o verbo no subjuntivo ("embora forcem"), e não no indicativo ("forçam"), o que configura erro de modo verbal. Erro: contradiz o texto (troca o valor semântico de consequência por concessão) e apresenta erro de modo verbal.

Conclusão: a única alternativa que preserva a correção gramatical e a coerência textual é a letra B, pois "o que força" mantém a relação de consequência e a concordância verbal. As demais ou invertem a relação lógica (C e D), ou introduzem oposição/concessão (A e E), ou apresentam erro de modo verbal (E).

PEGA ESSA DICA!

Em questões de substituição, identifique primeiro o valor semântico da forma original (causa, consequência, oposição, etc.) e depois teste cada alternativa para ver se ela preserva esse valor. Desconfie de conectivos como "entretanto", "embora" e "por" que mudam a relação lógica.

Gabarito: letra B

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