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Questão de Português — Concordância (Verbal e Nominal) — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsConcordância (Verbal e Nominal)
Código
ce414955
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Pref Boa Vista
Ano
2025
Cargo
Ass Tec Sau ( )

Imagino que a escrita nasceu da necessidade de não esquecer. O primeiro pré-homem que pensou “preciso me lembrar disso” deve ter olhado em volta procurando alguma coisa que ele ainda não sabia o que era. Era um pedaço de papel e uma Bic. Claro que, para chegar ao papel e à esferográfica, tivemos que passar antes pelo risco com vara no chão, o rabisco com carvão na parede da caverna, o hieróglifo no tablete de barro etc. Mas a angústia primordial foi a de perder o pensamento fugidio ou a cena insólita. Pense em quantas ideias não desapareceram para sempre por falta de algo que as retivesse na memória e no mundo. A história da civilização teria sido outra se, antes de inventar a roda, o homem tivesse inventado o bloco de notas.

 

As espécies que não desenvolveram a escrita valem-se da memória intuitiva. O salmão sabe, não sabendo, o caminho certo para o lugar onde nasceu e onde deve depositar seus ovos. Dizem que o elefante guarda na memória tudo que lhe acontece na vida, principalmente as desfeitas, mas vá pedir que ele bote seu ressentimento no papel. Já o homem pode ser definido como o animal que precisa consultar as suas notas. Nas sociedades não letradas, as lembranças sobrevivem na recitação reiterada e no mito tribal, que é a memória ritualizada. As outras dependem do memorando.

 

E mesmo com todas as formas de anotação inventadas pelo homem desde as primeiras cavernas, inclusive o notebook, a angústia persiste. Estou escrevendo isto porque acordei com uma boa ideia para um texto e botei a ideia num papel. Normalmente não faço isso, porque sempre me esqueço de ter um bloco de notas à mão para não esquecer a eventual ideia e porque sei, intuitivamente, que, se tivesse o bloco de notas à mão, a ideia viria no chuveiro. Mas desta vez a ideia coincidiu com a proximidade de um pedaço de papel e um lápis, e anotei-a assim que acordei. Não exatamente a ideia, mas uma frase que me faria lembrar da ideia. Estou com ela aqui. “Conhece-te a ti mesmo, mas não fique íntimo”.

 

E não consigo me lembrar de qual era a ideia de que a frase me faria lembrar. Algo sobre os perigos da autoanálisemuito aprofundada? Sobre o pensamento socrático? Ou o quê? Não consigo me lembrar. Um consolo, numa situação destas, é pensar que, se a ideia não é lembrada, é porque não era tão boa assim. Mas geralmente se pensa o contrário: as melhores ideias são as que a gente esqueceu. O que é terrível.

Luís Fernando Verissimo. Memória e anotações. In: Estadão, 22/9/2011. Internet: <www.estadao.com.br> (com adaptações).

Texto CG2A1

 

A respeito das relações de concordância verbal estabelecidas no texto CG2A1, assinale a opção correta.

  1. ANo penúltimo período do primeiro parágrafo, a forma verbal “retivesse” estabelece concordância com “memória”.
  2. BNo quarto período do segundo parágrafo, a forma verbal “precisa” estabelece concordância com “o homem”.
  3. CNo terceiro período do terceiro parágrafo, as formas verbais “faço”, “esqueço”, “sei” e “tivesse” estabelecem concordância com o sujeito elíptico eu.
  4. DNo segundo período do primeiro parágrafo, a forma verbal ‘preciso’ estabelece concordância com “O primeiro pré-homem”.
  5. ENo segundo período do primeiro parágrafo, a forma verbal “era” estabelece concordância com “ele”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — No terceiro período do terceiro parágrafo, as formas verbais “faço”, “esqueço”, “sei” e “tivesse” estabelecem concordância com o sujeito elíptico eu.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Concordância verbal no texto de Verissimo

Gabarito: letra C. A alternativa correta é a que afirma que as formas verbais “faço”, “esqueço”, “sei” e “tivesse”, no terceiro período do terceiro parágrafo, concordam com o sujeito elíptico eu. Isso se prova porque, no trecho, o narrador fala em primeira pessoa do singular — “Estou escrevendo isto porque acabei de acordar com uma boa ideia” — e, logo em seguida, usa os verbos sem repetir o pronome, caracterizando o sujeito oculto ou desinencial. As demais alternativas erram ao atribuir a concordância a termos que não são o sujeito da oração.

O comando da questão

A questão pede que o candidato identifique a relação de concordância verbal correta, ou seja, que verifique se o verbo está flexionado em pessoa e número de acordo com o seu sujeito. Não se trata de interpretação de sentido, mas de análise sintática aplicada ao texto. O comando "a respeito das relações de concordância verbal estabelecidas no texto" exige que você localize o sujeito de cada verbo mencionado e confira se a flexão está adequada.

O texto e a localização da resposta

O texto é uma crônica de Luís Fernando Verissimo sobre a memória e as anotações. No terceiro parágrafo, o autor narra uma experiência pessoal: acordou com uma ideia, anotou-a e depois não conseguiu lembrar qual era. O trecho relevante é:

"Estou escrevendo isto porque acordei com uma boa ideia para um texto e botei a ideia num papel. Normalmente não faço isso, porque sempre me esqueço de ter um bloco de notas à mão para não esquecer a eventual ideia e porque sei, intuitivamente, que, se tivesse o bloco de notas à mão, a ideia viria no chuveiro."

Nesse trecho, todos os verbos em primeira pessoa do singular — faço, esqueço, sei, tivesse — têm como sujeito o eu implícito, que é o narrador. O sujeito é elíptico (ou desinencial) porque a desinência verbal já indica a pessoa, dispensando a repetição do pronome.

A técnica: como identificar o sujeito

Para resolver questões de concordância verbal, o método é sempre o mesmo: localize o verbo, pergunte “quem pratica a ação?” e confira se a flexão do verbo corresponde a esse sujeito. No caso de sujeito elíptico, a desinência verbal é a pista: “faço” só pode ter como sujeito “eu”, pois a desinência -o é exclusiva da primeira pessoa do singular.

A banca adora distanciar o sujeito do verbo ou inserir termos que parecem sujeito, mas não são (objeto direto, adjunto adverbial, etc.). Por isso, desconfie de alternativas que apontam para um termo que não responde à pergunta “quem?”.

Análise das alternativas

1Método
Localizar o verbo
Perguntar "quem pratica?"
Conferir a flexão
2Sujeito elíptico
Desinência verbal indica a pessoa
Ex.: "faço", "esqueço", "sei" → eu
3Erros comuns da banca
Adjunto adverbial no lugar do sujeito
Termo distante no lugar do sujeito
Sujeito de outra oração
Concordância verbal
LEVELsoulevel.com.br
Concordância verbal: Método (Localizar o verbo, Perguntar "quem pratica?", Conferir a flexão); Sujeito elíptico (Desinência verbal indica a pessoa, Ex.: "faço", "esqueço", "sei" → eu); Erros comuns da banca (Adjunto adverbial no lugar do sujeito, Termo distante no lugar do sujeito, Sujeito de outra oração)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que “retivesse” concorda com “memória”. No trecho:

"Pense em quantas ideias não desapareceram para sempre por falta de algo que as retivesse na memória e no mundo."

O verbo “retivesse” está na terceira pessoa do singular, mas o sujeito é o pronome relativo que, que retoma algo (singular). “Memória” é apenas o adjunto adverbial de lugar (“na memória”), não o sujeito. Erro: troca do sujeito pelo adjunto adverbial.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que “precisa” concorda com “o homem”. No trecho:

"Já o homem pode ser definido como o animal que precisa consultar as suas notas."

O verbo “precisa” está na terceira pessoa do singular, mas o sujeito é o pronome relativo que, que retoma animal (singular). “O homem” é o sujeito de “pode ser definido”, não de “precisa”. Erro: atribui ao termo mais distante a função de sujeito, ignorando o pronome relativo.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa afirma que “faço”, “esqueço”, “sei” e “tivesse” concordam com o sujeito elíptico eu. No trecho:

"Normalmente não faço isso, porque sempre me esqueço de ter um bloco de notas à mão para não esquecer a eventual ideia e porque sei, intuitivamente, que, se tivesse o bloco de notas à mão, a ideia viria no chuveiro."

Todos esses verbos estão na primeira pessoa do singular, e o sujeito é o eu implícito (o narrador). A desinência verbal -o (faço, esqueço, sei) e -sse (tivesse) indica claramente a primeira pessoa. Correta: identifica corretamente o sujeito elíptico.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que “preciso” concorda com “O primeiro pré-homem”. No trecho:

"O primeiro pré-homem que pensou “preciso me lembrar disso” deve ter olhado em volta procurando alguma coisa que ele ainda não sabia o que era."

O verbo “preciso” está na primeira pessoa do singular, mas o sujeito é o eu implícito do discurso direto (a fala do pré-homem). “O primeiro pré-homem” é o sujeito de “pensou”, não de “preciso”. Erro: confunde o sujeito da oração principal com o sujeito da oração citada.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que “era” concorda com “ele”. No trecho:

"...procurando alguma coisa que ele ainda não sabia o que era."

O verbo “era” está na terceira pessoa do singular, mas o sujeito é o pronome relativo o que (que retoma “alguma coisa”). “Ele” é o sujeito de “sabia”, não de “era”. Erro: troca o sujeito da oração subordinada pelo sujeito da oração anterior.

Conclusão

A única alternativa que identifica corretamente o sujeito é a letra C, pois reconhece o sujeito elíptico eu nos verbos do terceiro parágrafo. As demais erram ao apontar termos que não exercem a função de sujeito, seja por confundir adjunto adverbial, objeto direto ou sujeito de outra oração.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de concordância, sempre pergunte “quem?” antes de marcar. Se o verbo está na 1ª pessoa do singular, o sujeito só pode ser “eu”, mesmo que não esteja explícito.

Gabarito: letra C

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