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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
ce414972
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
UnB
Ano
2025
Cargo
Vest ( )

Nos primeiros meses após perder a língua fomos tomadas de um sentimento de união que estava embotado com aquele passado de brigas e disputas infantis. No início se instalou uma grande tristeza em nossa casa. Os vizinhos e compadres vinham nos visitar, fazer votos de melhoras. Minha mãe se revezava com as vizinhas, que olhavam os filhos menores enquanto ela cozinhava papas, mingau de cachorro para ajudar na cicatrização, purês de inhame, batata-doce ou aipim. Nosso pai seguia para a roça ao nascer do dia. Rumava com seus instrumentos depois de passar a mão nas nossas cabeças com suas preces sussurradas aos encantados. Quando retomamos as brincadeiras, havíamos esquecido as disputas, agora uma teria que falar pela outra. Uma seria a voz da outra. Deveria se aprimorar a sensibilidade que cercaria aquela convivência a partir de então. Ter a capacidade de ler com mais atenção os olhos e os gestos da irmã. Seríamos iguais. A que emprestaria a voz teria que percorrer com a visão os sinais do corpo da que emudeceu. A que emudeceu teria que ter a capacidade de transmitir com gestos largos e também vibrações mínimas as expressões que gostaria de comunicar.


Itamar Vieira Junior. Torto arado. 1.ª ed. São Paulo: Todavia, 2019.

Em relação a esse fragmento da obra Torto arado, aos sentidos nele expressos e a aspectos linguísticos nele observados, julgue o item a seguir.

 

Entende-se da leitura do texto que as duas irmãs perderam a língua e não poderiam mais falar.

  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Interpretação de texto: o sentido de "perder a língua"

Gabarito: letra E (Errado). A afirmação de que "as duas irmãs perderam a língua e não poderiam mais falar" é incorreta porque o texto, embora diga que "perdemos a língua", deixa claro que apenas uma das irmãs emudeceu, enquanto a outra se tornaria sua voz. A passagem "Uma seria a voz da outra" e "A que emprestaria a voz" comprova que uma das irmãs continuaria falando pela outra.

O comando pede uma compreensão do texto: a resposta deve ser uma paráfrase fiel do que está escrito, sem deduções. A armadilha central está em interpretar a expressão "perdemos a língua" de forma literal e coletiva, como se as duas irmãs tivessem perdido a capacidade de falar. O texto, porém, apresenta uma divisão de papéis após o evento: uma irmã fala pela outra.

"Quando retomamos as brincadeiras, havíamos esquecido as disputas, agora uma teria que falar pela outra. Uma seria a voz da outra."

Essa passagem é decisiva: se uma teria que falar pela outra, e uma seria a voz da outra, então uma das irmãs mantém a fala. A expressão "A que emprestaria a voz" (referindo-se a quem fala) e "A que emudeceu" (referindo-se a quem perdeu a fala) confirmam a assimetria: apenas uma emudeceu.

A técnica para resolver é confrontar a alternativa com o texto palavra por palavra. A alternativa diz "as duas irmãs perderam a língua e não poderiam mais falar". O texto diz "uma teria que falar pela outra". Há uma contradição direta: se uma fala pela outra, uma ainda fala. A alternativa generaliza indevidamente o evento para as duas irmãs, quando o texto o restringe a uma delas.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a generalização indevida. O leitor desatento lê "perdemos a língua" e assume que as duas irmãs ficaram mudas, mas o texto imediatamente estabelece a divisão de papéis: uma fala, a outra emudece. A alternativa transforma "uma" em "as duas".

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que "as duas irmãs perderam a língua e não poderiam mais falar". Isso contradiz o texto. O trecho "Uma seria a voz da outra" e "A que emprestaria a voz" mostra que uma das irmãs continua falando. A alternativa generaliza o evento para as duas irmãs, quando o texto o restringe a uma delas. O erro é de generalização indevida: transforma "uma" em "as duas".

Alternativa E — ✅ Correta

A alternativa está correta porque o texto não sustenta a afirmação de que as duas irmãs perderam a fala. Pelo contrário, o texto estabelece uma divisão de papéis: uma irmã fala pela outra. A passagem "Uma seria a voz da outra" é a prova cabal de que uma das irmãs mantém a capacidade de falar. A alternativa está correta ao negar a afirmação do enunciado.

Conclusão: a questão testa a leitura atenta e a capacidade de não generalizar informações. A expressão "perdemos a língua" é coletiva, mas o texto imediatamente a especifica: apenas uma irmã emudeceu. A alternativa que diz "as duas" extrapola o que o texto afirma. Gabarito: letra E (Errado).

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