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Questão de Português — Regência Nominal e Verbal (Casos Gerais) — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsRegência Nominal e Verbal (Casos Gerais)
Código
ce414996
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
UnB
Ano
2025
Cargo
Vest ( )

“Não nos esqueçamos que o Cerrado é a casa de povos indígenas, raizeiros, quilombolas, uma enorme diversidade de populações tradicionais. Temos que garantir que eles possam manter seus modos de produção.” (Mercedes Bustamente, bióloga especialista no bioma cerrado)

 

Thaïs de Mendonça Jorge. Se não tiver flor, não tem fruto; se não tiver fruto, não tem comida. In: O Cerrado está morrendo, Revista Darcy, n.º 21, jan.-mar./2019, p. 18-21 (com adaptações).

 

“A vida no campo é muito difícil e, por isso, principalmente os jovens vão embora para as cidades”, observa Nina Laranjeiras. O trabalho da docente junto ao Centro UnB Cerrado envolve a valorização da cultura do campo e o fortalecimento da agricultura familiar, com atenção especial ao jovem.

 

A pesquisadora acrescenta que a presença da Universidade na Chapada dos Veadeiros possibilita realizar pesquisas em diálogo com as pessoas que têm o conhecimento tradicional do cerrado: “Não podemos pensar o cerrado sem seus povos, senão vamos continuar destruindo o bioma e apenas fazendo unidades de conservação. Precisamos do cerrado vivo, das pessoas vivas.

A UnB oportuniza esse conhecimento”.

 

Nina Laranjeiras faz crítica à priorização do agronegócio como estratégia de produção de alimentos no país, o que, em sua avaliação, “está a serviço de interesses do capital transnacional, com importação de agrotóxicos”. Ela defende que, para atuar na conservação do cerrado, é preciso conciliar alternativas que não trazem o mesmo impacto do agronegócio.

 

Além disso, a Chapada dos Veadeiros é famosa por sua rara beleza. Do alto de imensos paredões rochosos, a água cristalina jorra em quedas que podem atingir mais de cem metros.

É o caso do Salto do Rio Preto, que, junto a outras centenas de cachoeiras e corredeiras, exibe abundância de águas.

 

Vanessa Vieira. O Centro UnB Cerrado e produtores compartilham saberes em defesa da agricultura familiar e da proteção ao meio ambiente. In: O Cerrado está morrendo, Revista Darcy, n.º 21, jan.-mar./2019, p. 23-25 (com adaptações).

Leia os textos abaixo.

 

Acerca dos fragmentos de texto apresentados, do bioma cerrado e das práticas produtivas sustentáveis e sua relação com as condições físicas do cerrado, julgue o item abaixo.

 

Considerando-se a regência do verbo esquecer conforme preconizada pela norma padrão do português, o segmento “Não nos esqueçamos que o Cerrado”, na fala da bióloga Mercedes Bustamante, poderia ser substituído por Não esqueçamos de que o Cerrado, sem prejuízo da correção gramatical do texto escrito.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Regência do verbo "esquecer": pronominal × não pronominal

Gabarito: letra E (Errado). A substituição de "Não nos esqueçamos que o Cerrado" por "Não esqueçamos de que o Cerrado" não é gramaticalmente correta, pois altera a regência do verbo: na forma pronominal, "esquecer-se" rege a preposição "de"; na forma não pronominal, "esquecer" é transitivo direto e não admite preposição. A forma correta seria "Não esqueçamos que o Cerrado", sem o "de". A banca explora exatamente essa diferença de regência.

O comando pede que se julgue a correção gramatical de uma reescritura, ou seja, uma questão de regência verbal aplicada a um trecho do texto. Não se trata de interpretação de conteúdo, mas de conhecimento da norma padrão sobre o verbo "esquecer".

O verbo "esquecer" apresenta duas construções possíveis na norma culta:

  1. Forma não pronominal (transitiva direta): "esquecer algo" — não exige preposição. Ex.: "Esqueci o livro em casa."

  2. Forma pronominal (transitiva indireta): "esquecer-se de algo" — exige a preposição "de". Ex.: "Esqueci-me do livro."

No texto original, temos a forma pronominal: "Não nos esqueçamos que o Cerrado". Aqui, o "nos" é o pronome oblíquo que integra o verbo, e a oração subordinada substantiva objetiva indireta é introduzida pela conjunção "que", que substitui a preposição "de" + "que". Ou seja, a construção correta é "esquecer-se de que".

Na proposta de substituição, "Não esqueçamos de que o Cerrado", o verbo aparece na forma não pronominal, mas mantém a preposição "de". Isso é um erro, pois a forma não pronominal não admite preposição. A forma correta seria "Não esqueçamos que o Cerrado".

"Não nos esqueçamos que o Cerrado" — forma pronominal, com "nos" e sem preposição explícita, mas com a conjunção "que" introduzindo a oração subordinada substantiva objetiva indireta.

A pegadinha da banca está em fazer o candidato acreditar que a preposição "de" é obrigatória em ambas as formas. Na verdade, ela só é exigida na forma pronominal. Portanto, a substituição proposta altera a regência e, por isso, é incorreta.

Verbo "esquecer"
  • 1Forma pronominal (esquecer-se)
    • Exige preposição "de"
    • "Não nos esqueçamos de que..."
  • 2Forma não pronominal (esquecer)
    • Transitivo direto
    • Não admite preposição
    • "Não esqueçamos que..."
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Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C afirma que a substituição é correta, mas isso é falso. A forma "Não esqueçamos de que" está gramaticalmente incorreta, pois o verbo "esquecer" na forma não pronominal é transitivo direto e não admite a preposição "de". A forma correta seria "Não esqueçamos que". Portanto, a alternativa C contradiz a norma padrão e deve ser descartada.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa E afirma que a substituição é incorreta, o que está de acordo com a norma padrão. A forma "Não esqueçamos de que" é um erro de regência, pois a preposição "de" só é usada na forma pronominal "esquecer-se de". Na forma não pronominal, o verbo é transitivo direto e dispensa a preposição. Portanto, a alternativa E é a correta.

PEGA ESSA DICA!

Ao reescrever frases com verbos que admitem dupla regência, verifique se a forma pronominal ou não pronominal foi mantida. A preposição muda conforme a construção.

Conclusão: A questão testa o conhecimento da regência do verbo "esquecer". A forma pronominal exige "de", a não pronominal não. A substituição proposta mistura as duas, gerando erro. Portanto, o gabarito é a letra E.

Gabarito: letra E

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