Questão de Português — Tipos de Discurso (Direto, Indireto e Indireto Livre) — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce415001
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- UnB
- Ano
- 2025
- Cargo
- Vest ( )

- CCerto
- EErrado

GabaritoC — Certo
Gabarito: Certo (C). A afirmativa está correta porque, no trecho apresentado, a autora não expressa posicionamento pessoal: ela apenas reproduz a fala da docente Roberta Peres em discurso direto, como se vê nas aspas e nos verbos de elocução. A passagem que ancora essa leitura é a que introduz a citação: “Segundo a docente de bacharelado em políticas públicas e em ciências e humanidades da Universidade Federal do ABC, Roberta Peres, ‘é preciso compreender que as migrações internacionais no século 21 não vão cessar...’”. A autora não comenta, não avalia, não concorda nem discorda — limita-se a reportar o que Roberta disse.
A questão é de compreensão de texto (recorrência): o enunciado pergunta se a autora expressa posicionamento pessoal no trecho. Isso exige distinguir quem fala em cada parte do texto: a autora (que escreve o texto jornalístico) e a docente citada (Roberta Peres). A resposta está explícita na estrutura do texto: as falas de Roberta aparecem entre aspas, introduzidas por verbos como “segundo”, “defende” e “destaca” — marcas típicas de discurso direto, em que o narrador/repórter cede a voz à personagem/fonte.
O texto é uma reportagem sobre migrações internacionais e o papel das mulheres migrantes. A tese (defendida por Roberta Peres, não pela autora) é que as migrações não vão cessar e que as mulheres são agentes fundamentais no diálogo e na luta por direitos. A autora, como repórter, não emite juízo de valor: ela apenas organiza e apresenta as declarações da entrevistada. Veja os verbos que introduzem as falas:
“Segundo a docente ... Roberta Peres, ‘é preciso compreender...’”
“Por isso, o diálogo ... é fundamental, defende Roberta.”
“destaca” (introduzindo a fala sobre as mulheres)
“segundo ela, as mulheres são também protagonistas...”
Todos esses verbos são de elocução (dizer, defender, destacar) e marcam que a opinião é de Roberta, não da autora. A autora não usa expressões como “eu acho”, “na minha opinião”, “é lamentável” — não há modalizadores de opinião. Ela permanece neutra, apenas relata.
O discurso direto é a transcrição exata da fala da personagem/fonte, geralmente marcada por aspas, travessão ou dois-pontos, e introduzida por verbo de elocução. No texto, as aspas delimitam as falas de Roberta: “é preciso compreender...”, “E as mulheres têm-se mostrado...”, “mulheres migrantes não são acompanhantes...”. Já o discurso indireto seria a paráfrase feita pelo narrador, sem aspas, como em “segundo ela, as mulheres são também protagonistas” — aqui a autora reporta o que Roberta disse, mas ainda assim não é opinião da autora.
A pegadinha da banca é justamente essa: o candidato pode ler as opiniões fortes do texto (sobre migrações, sobre mulheres) e atribuí-las à autora, quando na verdade são de Roberta Peres. A autora é apenas o veículo da informação.
A afirmativa diz: “A autora não expressa, no trecho apresentado, seu posicionamento pessoal a respeito dos assuntos abordados pela docente Roberta Peres.” Isso é verdadeiro. O texto é construído com discurso direto e indireto, sempre atribuindo as opiniões a Roberta. Não há nenhuma frase em que a autora diga “eu concordo”, “eu discordo”, “é importante” etc. Ela apenas relata as declarações. Portanto, a assertiva está correta.
Em questões de “quem fala”, grife os verbos de elocução (dizer, afirmar, defender, destacar, segundo) e as aspas. Eles delimitam a voz da fonte e separam da voz do autor. Se o autor não usa “eu acho” ou adjetivos avaliativos, ele não está opinando.
Gabarito: Certo (C).
Link permanente: /questoes/ce415001