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Questão de Português — Termos Acessórios (Adjunto Adnominal, Adjunto Adverbial e Aposto). Vocativo — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsTermos Acessórios (Adjunto Adnominal, Adjunto Adverbial e Aposto). Vocativo
Código
ce415014
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
UnB
Ano
2025
Cargo
Vest ( )

Nessa altura, meu irmão Joaquim tinha retornado de um tempo longo morando na capital. Ele levava uma vida errante, mas quando jovem aparecia vez ou outra para ajudar seu Valter nos carregamentos do saveiro Dadivoso, com sacas de grãos e caixas de verduras. Saíam às quintas-feiras em direção à Feira de São Joaquim e não tinham dia certo para regressar. Foi um tempo em que manejei os saveiros na imaginação, nas brincadeiras de menino, enquanto admirava o Dadivoso e outras embarcações navegando o Paraguaçu em direção à baía. Quando meu irmão começou a trabalhar com seu Valter, eu o seguia até o rio para observar o carregamento das sacas de farinha, dos barris de azeite de dendê e das caixas de inhame e aipim. Guardava a esperança de que me considerassem pronto para trabalhar. Sonhava ir embora de casa, não precisar mais olhar a carranca de Luzia me dizendo que eu era um fardo. Meus irmãos deixaram a Tapera antes mesmo de me conhecerem. Da maioria deles não havia fotografia nem recordação. Eu fiquei só com Luzia e meu pai. Como não havia quem cuidasse de mim na sua ausência, precisei seguir seus passos muito cedo, a todo canto, até que ela me considerasse pronto para ficar sozinho.

 

Itamar Vieira Junior. Salvar o fogo. São Paulo: Todavia, 2023, p. 18.

 

Em relação a esse fragmento da obra Salvar o fogo, de Itamar Vieira Junior, julgue o item a seguir.

 

No penúltimo período do texto, poderia ser acrescentada uma vírgula imediatamente após o termo “só”, sem prejuízo das relações de coesão e coerência textuais e dos sentidos originais do texto.

  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Vírgula após “só” — alteração de sentido e coesão

Gabarito: ERRADO (letra E). A inserção de uma vírgula imediatamente após o termo “só” no penúltimo período do texto alteraria o sentido original, pois transformaria o advérbio “só” (que significa “apenas”, “somente”) em um adjunto adverbial de modo isolado, deslocando a ênfase e quebrando a coesão com o adjunto adverbial de companhia “com Luzia e meu pai”. A passagem original é:

“Eu fiquei só com Luzia e meu pai.”

A vírgula criaria a leitura “Eu fiquei só, com Luzia e meu pai”, o que mudaria o sentido de “fiquei apenas com Luzia e meu pai” para “fiquei sozinho, na companhia de Luzia e meu pai” — uma contradição interna e uma alteração semântica relevante.

O comando da questão

O enunciado pede um julgamento sobre a possibilidade de acrescentar uma vírgula sem prejuízo das relações de coesão, coerência e dos sentidos originais. Isso exige analisar o efeito sintático-semântico da pontuação no trecho específico, não apenas a correção gramatical isolada. A vírgula, aqui, não é meramente facultativa: ela reestrutura a relação entre os termos.

O texto e o trecho relevante

O penúltimo período do fragmento é: “Eu fiquei só com Luzia e meu pai.” Nessa construção, o advérbio “só” funciona como adjunto adverbial de exclusão/restrição, equivalente a “apenas”, “somente”. Ele modifica o verbo “fiquei” e se liga diretamente ao adjunto adverbial de companhia “com Luzia e meu pai”, formando a ideia de que o narrador ficou apenas na companhia daquelas duas pessoas.

A técnica que decide

A vírgula, quando inserida entre “só” e “com Luzia e meu pai”, desloca o advérbio e o transforma em um adjunto adverbial de modo isolado, com valor de “sozinho”, “desacompanhado”. A nova leitura seria: “Eu fiquei só, com Luzia e meu pai” — ou seja, “fiquei sozinho, mas na companhia de Luzia e meu pai”, o que é contraditório e altera o sentido original. Além disso, a coesão sequencial é prejudicada, pois a relação de restrição entre “só” e o adjunto de companhia se perde.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a falsa ideia de que “só” é um adjunto adverbial deslocado que poderia ser isolado por vírgula. Na verdade, “só” aqui tem valor de exclusão (“apenas”) e está diretamente ligado ao adjunto de companhia; a vírgula o transformaria em advérbio de modo (“sozinho”), mudando o sentido.

Análise da assertiva

1Sentido original
"só" = apenas/somente
Restringe a companhia
2Com a vírgula
"só" = sozinho
Contradiz a companhia
3Efeito
Altera o sentido
Prejudica a coerência
Vírgula após "só"
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Vírgula após "só": Sentido original ("só" = apenas/somente, Restringe a companhia); Com a vírgula ("só" = sozinho, Contradiz a companhia); Efeito (Altera o sentido, Prejudica a coerência)

Assertiva — ❌ Errado

A afirmativa está errada. A vírgula após “só” não pode ser acrescentada sem prejuízo dos sentidos originais. Vejamos o porquê:

  • Sentido original: “Eu fiquei só com Luzia e meu pai” = “Eu fiquei apenas com Luzia e meu pai”. O advérbio “só” restringe a companhia.

  • Com a vírgula: “Eu fiquei só, com Luzia e meu pai” = “Eu fiquei sozinho, com Luzia e meu pai”. O advérbio “só” passa a indicar modo (solidão), o que contradiz a presença das outras pessoas.

Portanto, a inserção da vírgula altera o sentido e prejudica a coerência do trecho, pois cria uma leitura paradoxal. A coesão também é afetada, pois a relação de restrição entre “só” e o adjunto de companhia é desfeita.

PEGA ESSA DICA!

Ao julgar a inserção de vírgula, pergunte-se: “o que ela separa?”. Se separa um adjunto adverbial de exclusão (“só” = apenas) do termo que ele restringe, o sentido muda. Vírgula só é facultativa quando não altera a relação semântica entre os termos.

Conclusão: a vírgula após “só” não é facultativa — ela muda o sentido de “apenas” para “sozinho” e quebra a coerência com “com Luzia e meu pai”. Por isso, a assertiva é ERRADA.

Gabarito: letra E (Errado).

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