Questão de Português — Paralelismo — CESPE / CEBRASPE 2025
Português›Paralelismo
Código
ce415017
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
UnB
Ano
2025
Cargo
Vest ( )
Trem de ferro Manuel Bandeira
Café com pão Café com pão Café com pão
Virge Maria que foi isso maquinista?
Agora sim Café com pão Agora sim Voa, fumaça Corre, cerca Ai seu foguista Bota fogo Na fornalha Que eu preciso Muita força Muita força Muita força
Oô... Foge, bicho Foge, povo Passa ponte Passa poste Passa pasto Passa boi Passa boiada Passa galho De ingazeira Debruçada No riacho Que vontade De cantar!
Oô... Quando me prendero No canaviá Cada pé de cana Era um oficiá Menina bonita Do vestido verde Me dá tua boca Pra matá minha sede Oô... Vou mimbora vou mimbora Não gosto daqui Nasci no sertão Sou de Ouricuri
Oô... Vou depressa Vou correndo Vou na toda Que só levo Pouca gente Pouca gente Pouca gente...
Exílio Ferreira Gullar
Numa casa em Ipanema rodeada de árvores e pombos na sombra quente da tarde entre móveis conhecidos na sombra quente da tarde entre árvores e pombos entre cheiros conhecidos eles vivem a vida deles eles xvivem minha vida na sombra da tarde quente na sombra da tarde quente
A partir do poema Trem de ferro, publicado em 1936, e do poema Exílio, publicado em 1975, julgue o item a seguir.
No poema Trem de ferro, repetições de versos e de palavras têm a finalidade de mimetizar o movimento do trem e os sons de seus vagões.
CCerto
EErrado
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GabaritoC — Certo
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
A função expressiva das repetições em "Trem de ferro"
Gabarito: letra C (Certo). A afirmativa está correta: as repetições de versos e palavras no poema de Manuel Bandeira têm, sim, a finalidade de mimetizar o movimento do trem e os sons de seus vagões. Isso se comprova pela leitura do próprio poema, em que versos como "Café com pão" e "Muita força" se repetem em sequência, reproduzindo o ritmo cadenciado e o som ritmado de uma locomotiva em movimento.
"Café com pão / Café com pão / Café com pão"
A repetição tripla de "Café com pão" não é aleatória: ela imita o som rítmico e monótono das rodas do trem sobre os trilhos. O mesmo ocorre com "Muita força / Muita força / Muita força", que sugere o esforço repetido da máquina, e com "Passa ponte / Passa poste / Passa pasto", que reproduz a sucessão rápida de elementos vistos pela janela, como se o olhar acompanhasse o ritmo do deslocamento.
O comando da questão é de interpretação — pede que se reconheça a função expressiva de um recurso estilístico. Não se trata de gramática normativa, mas de análise do efeito de sentido produzido pela repetição. Para resolver, é preciso observar que o poema é construído como uma sequência rítmica que espelha o movimento do trem: os versos curtos, as repetições e as onomatopeias ("Oô...") criam uma ilusão sonora de velocidade e de ruído mecânico.
A técnica decisiva é perguntar: o texto autoriza essa leitura? Sim. O poema inteiro é uma mimese do percurso do trem — desde o ritmo inicial do café com pão até o "Oô..." final, que imita o apito. A repetição é o principal recurso para criar essa sincronia entre forma e conteúdo. Não há qualquer elemento no texto que contradiga essa interpretação; ao contrário, tudo a confirma.
PEGA ESSA DICA!
Em questões sobre função de repetições, pergunte-se: "o que essa repetição faz no texto?" Se ela cria ritmo, som ou movimento, é mimetismo — a forma imita o conteúdo.
1Café com pão (3x)rodas nos trilhos
2Muita força (3x)esforço da máquina
3Passa ponte/post/pastovelocidade do olhar
4Oô...apito do trem
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Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A afirmativa está correta. As repetições de versos e palavras em "Trem de ferro" têm finalidade mimética: reproduzem, por meio do ritmo e do som, o movimento do trem e os ruídos de seus vagões. Veja os exemplos no próprio poema:
"Café com pão" repetido três vezes — imita o som rítmico das rodas nos trilhos.
"Muita força" repetido três vezes — sugere o esforço contínuo da máquina.
"Passa ponte / Passa poste / Passa pasto" — a sucessão de verbos e substantivos curtos reproduz a velocidade do deslocamento.
"Oô..." — onomatopeia que imita o apito do trem.
Esses recursos criam uma ilusão sonora que transporta o leitor para dentro da experiência do trem. A repetição não é mero ornamento; é estrutura expressiva que dá corpo ao tema. Portanto, a afirmativa está plenamente sustentada pelo texto.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A afirmativa de que as repetições não têm essa finalidade é incorreta, pois contradiz o que o poema evidencia. O texto é construído justamente para imitar o movimento e os sons do trem. Se a banca pedisse para marcar a incorreta, esta seria a opção — mas, como o comando pede a correta, a letra E é a distratora.
O erro da alternativa E é contradizer o texto: ela nega uma função que está explicitamente realizada pelos recursos formais do poema. Não há ambiguidade: a repetição de "Café com pão" e de "Muita força" só pode ser lida como mimetismo rítmico, dada a temática ferroviária e a estrutura sonora do poema.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a tentação de achar que repetição é só redundância ou falta de criatividade. Mas, em poesia, repetição é recurso expressivo — e aqui ela é a alma do poema.
Conclusão: a resposta é a letra C. A regra de ouro: em questões de interpretação, toda afirmação deve ser ancorada no texto. Aqui, a âncora é a própria estrutura repetitiva do poema, que mimetiza o trem. Quando a forma imita o conteúdo, temos mimetismo — e é exatamente isso que a banca cobrou.