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Questão de Português — Sujeito — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsSujeito
Código
ce415018
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
UnB
Ano
2025
Cargo
Vest ( )

Trem de ferro
Manuel Bandeira

 

Café com pão
Café com pão
Café com pão

 

Virge Maria que foi isso maquinista?

 

Agora sim
Café com pão
Agora sim
Voa, fumaça
Corre, cerca
Ai seu foguista
Bota fogo
Na fornalha
Que eu preciso
Muita força
Muita força
Muita força

 

Oô...
Foge, bicho
Foge, povo
Passa ponte
Passa poste
Passa pasto
Passa boi
Passa boiada
Passa galho
De ingazeira
Debruçada
No riacho
Que vontade
De cantar!

 

Oô...
Quando me prendero
No canaviá
Cada pé de cana
Era um oficiá
Menina bonita
Do vestido verde
Me dá tua boca
Pra matá minha sede
Oô...
Vou mimbora vou mimbora
Não gosto daqui
Nasci no sertão
Sou de Ouricuri

 

Oô...
Vou depressa
Vou correndo
Vou na toda
Que só levo
Pouca gente
Pouca gente
Pouca gente...

 

Exílio
Ferreira Gullar

 

Numa casa em Ipanema rodeada de árvores e pombos
na sombra quente da tarde
entre móveis conhecidos
na sombra quente da tarde
entre árvores e pombos
entre cheiros conhecidos
eles vivem a vida deles
eles xvivem minha vida
na sombra da tarde quente
na sombra da tarde quente

 

A partir do poema Trem de ferro, publicado em 1936, e do poema Exílio, publicado em 1975, julgue o item a seguir.

 

No poema Trem de ferro, a primeira pessoa do singular aludida no verso “Quando me prendero” (quinta estrofe) é a mesma a que se referem os versos “Vou depressa / Vou correndo” (sexta estrofe).

  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A identidade do eu lírico em "Trem de ferro"

Gabarito: ERRADO (letra E). A afirmação de que a primeira pessoa do singular em "Quando me prendero" é a mesma dos versos "Vou depressa / Vou correndo" não se sustenta no texto. A estrofe da prisão é uma citação/lembrança — um discurso outro, marcado pela forma popular "me prendero" (3ª pessoa do plural com valor de sujeito indeterminado) —, enquanto a estrofe final retoma o eu que viaja no trem, aquele que pede "muita força" à máquina. A passagem que separa os dois "eus" é a mudança de tempo e de cena: a quinta estrofe narra um fato passado ("Quando me prendero"), e a sexta retoma a viagem presente ("Vou depressa").

O comando da questão

O item pede um julgamento Certo/Errado sobre a identidade referencial da primeira pessoa do singular em dois momentos do poema. Isso é uma questão de coesão referencial e de interpretação do eu lírico: precisamos verificar se o "eu" que fala na quinta estrofe é o mesmo que fala na sexta. Não basta olhar a gramática isolada — é preciso ler o poema como um todo e perceber a mudança de voz.

O texto e o movimento do poema

O poema "Trem de ferro", de Manuel Bandeira, descreve uma viagem de trem, com o eu lírico observando a paisagem e sentindo a velocidade. As estrofes se alternam entre a descrição da viagem ("Voa, fumaça", "Passa ponte") e a inserção de uma canção popular — a estrofe "Quando me prendero / No canaviá" é claramente uma citação de um canto de trabalhador, marcada pela linguagem popular ("me prendero", "oficiá", "matá"). Essa estrofe é um flashback ou uma intertextualidade com a cultura popular, não a fala do eu que viaja.

A sexta estrofe retoma a viagem: "Vou depressa / Vou correndo / Vou na toda". Aqui, o "eu" é o passageiro do trem, o mesmo que antes pedia "muita força" à fornalha. A diferença é crucial: na quinta estrofe, o "eu" é o personagem da canção (um preso, um trabalhador do canavial); na sexta, é o viajante.

A técnica que decide

Para resolver, pergunte: quem fala em cada estrofe? A resposta está nas pistas textuais:

  • A quinta estrofe usa formas populares ("me prendero", "oficiá", "matá") e narra um fato passado ("Quando me prendero") — é uma citação de um canto alheio.

  • A sexta estrofe usa verbos no presente ("Vou") e descreve a ação de viajar — é o eu lírico principal.

Se fossem o mesmo "eu", não haveria essa quebra de tempo e de registro. O poema alterna entre a voz do viajante e a voz da canção popular, e a banca quer que você perceba essa alternância.

Análise do item

  1. 1Eu viajante (presente)
  2. 2Citação da canção (passado)
  3. 3Retomada do viajante
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Item — ❌ ERRADO

A afirmação está errada porque não há identidade entre os dois "eus". Veja a passagem que prova a separação:

"Quando me prendero / No canaviá / Cada pé de cana / Era um oficiá"

Aqui, o "eu" é o personagem da canção — um preso, um trabalhador. A forma "me prendero" (em vez de "me prenderam") é típica da linguagem popular e indica que essa estrofe é uma citação de um canto tradicional.

Já na sexta estrofe:

"Vou depressa / Vou correndo / Vou na toda"

O "eu" é o passageiro do trem, o mesmo que antes pedia "muita força" à fornalha. A mudança de cena (da prisão para a viagem) e de tempo (passado para presente) mostra que não é o mesmo sujeito.

A banca tenta confundir ao sugerir que a primeira pessoa é a mesma, mas o texto não autoriza essa leitura. A quinta estrofe é uma intertextualidade com a cultura popular, e a sexta retoma a narrativa principal.

NÃO CAIA NESSA!

A banca aposta na extrapolação — o candidato vê "eu" nas duas estrofes e assume que é o mesmo, sem perceber a mudança de voz lírica. A pista está na forma verbal "me prendero" (3ª pessoa do plural com valor indeterminado) e no tempo passado, que indicam uma citação.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de coesão referencial, sempre verifique se o pronome/desinência retoma o mesmo referente ou se há mudança de voz. Pergunte: "quem fala aqui?" e "há alguma marca de citação ou mudança de cena?".

Conclusão: o item está ERRADO porque a primeira pessoa da quinta estrofe é o personagem da canção popular, enquanto a da sexta é o eu viajante. São vozes distintas, e a banca explora exatamente essa confusão.

Gabarito: letra E (ERRADO).

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