Questão de Português — Tipos de Discurso (Direto, Indireto e Indireto Livre) — CESPE / CEBRASPE 2025
Português›Tipos de Discurso (Direto, Indireto e Indireto Livre)
Código
ce415023
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
UnB
Ano
2025
Cargo
Vest ( )
Após todos se agasalharem, restou a Antônio e a mim deitarmos no estrado. Fiquei entre a rede de Débora e a de Marta. (...)
— Olha, olha, olha, a gente está chegando!
O primeiro a perceber o clarão foi Oburé, que tinha saído meio zonzo de sua rede, estava quase se mijando. Bateu no punho da rede de sua Mãe, em seguida foi acordando os outros, balançando bruscamente suas redes. Todos levantaram para contemplar o clarão cada vez mais intenso. Abismados com aquilo, apontavam ao novo horizonte descoberto. A descoberta não era nova para Sueli e sua filha. Débora, apesar de ir pouquíssimas vezes a Nova Olinda, sentia apenas uns dois por cento daquela abismação dos meninos. Uma hora antes de encostarmos, o comandante passa nos três andares, avisando para não irmos todos à lateral direita do barco, deveríamos equilibrar o peso. É que o Paiva estava muito tombado. Os passageiros: novolindenses, borbenses, canumaenses, índios, negros, brancos, também queriam ver o horizonte reluzente. Todos reunidos com a mesma finalidade: apreciar o novo clarão promissor.
Passamos pela Ceasa. Fábricas soltavam fumaça, pequenas luzes se movimentavam nas ruas, o clarão de Manaus reverberava no Rio Negro.
Ytanajé Coelho Cardoso. Canumã: a travessia: romance munduruku. Manaus: Valer, 2019. p. 168.
O romance Canumã: a travessia conta a história de um indígena munduruku que imigra de sua comunidade para a cidade. A partir do trecho apresentado anteriormente, julgue o item a seguir.
O narrador, em terceira pessoa, descreve a surpresa e o deslumbramento dos passageiros do barco com as luzes de Manaus na chegada à cidade durante a noite.
CCerto
EErrado
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GabaritoE — Errado
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Tipos de discurso: narrador em primeira pessoa e a descrição da chegada a Manaus
Gabarito: letra E (Errado). A afirmação está incorreta porque o narrador do trecho não é em terceira pessoa: ele participa da cena e se inclui no grupo de passageiros, como se prova pela passagem "restou a Antônio e a mim deitarmos no estrado" e pelo uso da primeira pessoa do plural em "Uma hora antes de encostarmos". O texto descreve a surpresa e o deslumbramento dos passageiros com o clarão de Manaus, mas o faz por um narrador personagem, em primeira pessoa, e não por um narrador observador em terceira pessoa.
O comando pede que se julgue a afirmação sobre o trecho. Trata-se de uma questão de compreensão de texto (o que está escrito) combinada com conhecimento de tipologia narrativa (a pessoa do discurso do narrador). A banca não pede inferência nem dedução: basta confrontar a afirmação com o texto e verificar se ela é verdadeira ou falsa. O erro da afirmação está em um único detalhe — a pessoa do narrador —, e é exatamente esse detalhe que a banca explora.
O trecho é um fragmento de romance narrado em primeira pessoa. As pistas são inequívocas: o narrador diz "restou a Antônio e a mim deitarmos no estrado", "Fiquei entre a rede de Débora e a de Marta", "Uma hora antes de encostarmos" e "Passamos pela Ceasa". O pronome "mim", o verbo "Fiquei" e as formas de primeira pessoa do plural ("encostarmos", "Passamos") provam que o narrador é um personagem dentro da história, contando sua própria experiência. Um narrador em terceira pessoa não usaria essas marcas; ele se referiria aos personagens como "ele", "ela", "eles", sem se incluir na ação.
A técnica para resolver é simples: identifique a pessoa do discurso pelas marcas linguísticas. Pergunte: quem está contando a história? Se o narrador usa "eu", "me", "mim", "nós", "nos", é narrador personagem (primeira pessoa). Se usa apenas "ele", "ela", "eles", "elas", é narrador observador (terceira pessoa). No trecho, a presença de "mim" e "Fiquei" é decisiva. A afirmação diz "narrador em terceira pessoa" — isso contradiz diretamente o texto.
NÃO CAIA NESSA!
A banca descreve corretamente o conteúdo (surpresa e deslumbramento com as luzes de Manaus) e erra apenas na pessoa do narrador. O candidato que lê rápido e se fixa no conteúdo — que está correto — pode não perceber a troca sutil de "primeira pessoa" por "terceira pessoa".
PEGA ESSA DICA!
Em questões sobre narrador, sublinhe os pronomes e as desinências verbais de primeira pessoa ("eu", "me", "mim", "nos", "-mos"). Eles são a prova material da pessoa do discurso.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa C afirma que o narrador está em terceira pessoa. Isso é falso. O texto traz marcas explícitas de primeira pessoa:
"restou a Antônio e a mim deitarmos no estrado. Fiquei entre a rede de Débora e a de Marta."
O pronome oblíquo "mim" e o verbo "Fiquei" (primeira pessoa do singular) provam que o narrador participa da cena. Além disso, o narrador se inclui no grupo de passageiros: "Uma hora antes de encostarmos" e "Passamos pela Ceasa". Essas formas verbais de primeira pessoa do plural ("encostarmos", "Passamos") confirmam que o narrador é um personagem dentro da história, contando sua própria experiência. Um narrador em terceira pessoa não usaria essas marcas; ele se referiria aos personagens como "ele", "ela", "eles", sem se incluir na ação. Portanto, a alternativa C contradiz o texto ao afirmar que o narrador é de terceira pessoa.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa E nega a afirmação, e está correta. O erro da afirmação está na pessoa do narrador. O texto é narrado em primeira pessoa, como provam as marcas linguísticas:
"restou a Antônio e a mim deitarmos no estrado. Fiquei entre a rede de Débora e a de Marta."
"Uma hora antes de encostarmos, o comandante passa nos três andares"
"Passamos pela Ceasa."
O pronome "mim", o verbo "Fiquei" e as formas de primeira pessoa do plural ("encostarmos", "Passamos") são inequívocos: o narrador é um personagem que participa da cena. A afirmação diz "narrador em terceira pessoa", o que contradiz diretamente o texto. Portanto, a afirmação é errada, e a alternativa E — que nega a afirmação — é a correta.
Conclusão: a questão testa a capacidade de identificar a pessoa do discurso do narrador pelas marcas linguísticas do texto. A afirmação erra ao dizer "terceira pessoa", quando o texto é narrado em primeira pessoa. A alternativa E é o gabarito.