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Questão de Português — Significação de Vocábulo e Expressões — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsSignificação de Vocábulo e Expressões
Código
ce415033
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
UnB
Ano
2025
Cargo
Vest ( )

A canção do africano

Castro Alves

 

O escravo então foi deitar-se,

Pois tinha de levantar-se

Bem antes do Sol nascer,

E se tardasse, coitado,

Teria de ser surrado,

Pois bastava escravo ser.

Leia os versos abaixo.

 

No que se refere a esses versos de A canção do africano, de Castro Alves, e ao contexto histórico do tráfico de pessoas escravizadas, julgue o item a seguir.

 

Nas orações “tinha de levantar-se” (segundo verso) e “Teria de ser surrado” (quinto verso), a expressão formada pelo verbo ter seguido da preposição de transmite ideias distintas: no primeiro caso, a ideia é de vontade, desejo; no segundo, de punição.

  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A expressão "ter de" e o sentido de obrigação nos versos de Castro Alves

Gabarito: letra E (Errado). A afirmação está incorreta porque, nos dois versos, a expressão "ter de + infinitivo" transmite a mesma ideia de obrigação/necessidade, e não ideias distintas. No primeiro caso, "tinha de levantar-se" expressa uma obrigação imposta (o escravo precisa acordar antes do sol nascer), e não vontade ou desejo; no segundo, "Teria de ser surrado" expressa uma consequência punitiva, mas ambas as ocorrências veiculam o mesmo valor semântico de obrigatoriedade. A distinção que o item propõe — vontade/desejo versus punição — não se sustenta no texto, pois a locução "ter de" é invariável em seu sentido de obrigação.

O comando pede que se julgue a afirmação sobre o sentido da expressão "ter de" nos dois versos. Trata-se de uma questão de semântica contextual: é preciso verificar se a mesma locução verbal assume valores diferentes nos dois usos. A banca não pergunta sobre a estrutura sintática (embora "ter de" seja uma locução verbal), mas sobre o efeito de sentido que ela produz em cada ocorrência. Para resolver, é essencial distinguir o que a expressão significa em si (obrigação) do que o contexto acrescenta (a natureza dessa obrigação: rotina ou punição).

O poema de Castro Alves descreve a rotina cruel do escravo: ele precisa deitar-se cedo porque tem de levantar-se antes do sol, e, se atrasar, será surrado. O movimento argumentativo é de causa e consequência: a obrigação de acordar cedo (causa) e a punição pelo atraso (consequência). Em ambos os casos, a locução "ter de" marca uma imposição externa — o escravo não age por vontade própria, mas por coação. A diferença entre os versos está no tipo de obrigação (uma é preventiva, a outra é punitiva), não no valor semântico da expressão.

A técnica que decide a questão é simples: "ter de + infinitivo" é uma locução verbal que expressa obrigação, necessidade ou conveniência, e esse valor se mantém em qualquer contexto. O que muda é apenas o motivo da obrigação, que vem do contexto, não da expressão. Veja os versos:

"Pois tinha de levantar-se / Bem antes do Sol nascer"

Aqui, a obrigação é de rotina: o escravo precisa acordar cedo. Não há qualquer traço de "vontade" ou "desejo" — pelo contrário, a obrigação é imposta pela condição de escravo.

"Teria de ser surrado"

Aqui, a obrigação é de consequência: se atrasar, será punido. Novamente, é uma imposição, não uma escolha.

A pegadinha da banca está em atribuir à expressão "ter de" um sentido que ela não tem (vontade/desejo), confundindo o valor da locução com o conteúdo do contexto. O candidato que lê "tinha de levantar-se" e pensa em "desejo" está projetando no texto uma ideia que não existe — o escravo não deseja acordar cedo; ele é obrigado a isso.

1Valor semântico invariável
Obrigação
Necessidade
2O que muda é o contexto
Obrigação de rotina (acordar cedo)
Obrigação de consequência (ser surrado)
3Não expressa vontade/desejo
"Ter de + infinitivo"
LEVELsoulevel.com.br
"Ter de + infinitivo": Valor semântico invariável (Obrigação, Necessidade); O que muda é o contexto (Obrigação de rotina (acordar cedo), Obrigação de consequência (ser surrado)); Não expressa vontade/desejo

Alternativa E — ❌ Errado ⟵ GABARITO

A afirmação está errada porque a expressão "ter de" transmite a mesma ideia de obrigação nos dois versos. No primeiro, "tinha de levantar-se" indica uma obrigação de rotina (acordar antes do sol); no segundo, "Teria de ser surrado" indica uma obrigação de consequência (punição pelo atraso). Em nenhum dos casos há ideia de "vontade" ou "desejo". A banca tenta fazer o candidato acreditar que a locução muda de sentido, mas ela é invariável: "ter de" sempre expressa obrigatoriedade. O que muda é apenas o motivo da obrigação, que vem do contexto, não da expressão.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a troca de sentido — atribui à locução "ter de" o valor de "vontade/desejo" no primeiro verso, quando na verdade ela expressa obrigação. O contexto de rotina (acordar cedo) não é desejo; é imposição. A armadilha está em confundir o valor semântico da expressão com o conteúdo do contexto.

PEGA ESSA DICA!

Ao julgar itens sobre o sentido de expressões, pergunte-se: "a expressão, em si, tem esse valor, ou é o contexto que o acrescenta?" No caso de "ter de", o valor de obrigação é intrínseco à locução — o contexto apenas explica por que há obrigação.

Conclusão: a questão testa a capacidade de distinguir o sentido da expressão do sentido do contexto. Como "ter de" expressa obrigação nos dois versos, a afirmação de que há ideias distintas (vontade/desejo versus punição) é falsa. O gabarito é a letra E (Errado).

Gabarito: letra E

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