Questão de Português — Sujeito — CESPE / CEBRASPE 2025
Português›Sujeito
Código
ce415045
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
UnB
Ano
2025
Cargo
Vest ( )
A dialética da negatividade é o traço fundamental da imunidade. O imunologicamente outro é o negativo, que penetra no próprio e procura negá-lo. Nessa negatividade do outro, o próprio sucumbe, quando não consegue, de seu lado, negar aquele. A autoafirmação imunológica do próprio, portanto, se realiza como negação da negação. O próprio afirma-se no outro, negando a negatividade do outro. Também a profilaxia imunológica, portanto, a vacinação, segue a dialética da negatividade. Introduz-se no próprio apenas fragmentos do outro para provocar a imunorreação. Nesse caso a negação da negação ocorre sem perigo de vida, visto que a defesa imunológica não é confrontada com o outro, ele mesmo. Não são reações imunológicas que pressuporiam uma negatividade do outro imunológico. Ao contrário, são causadas por um excesso de positividade. O excesso da elevação do desempenho leva a um infarto da alma.
Byung-Chul Han. Sociedade do cansaço.
Tradução de Enio Paulo Gianchini.Petrópolis: Vozes, 2015 (com adaptações).
Na obra Sociedade do cansaço, Byung-Chul Han desenvolve uma reflexão sobre a autoexploração e o mal-estar contemporâneo, incluindo o estresse e o esgotamento trazido pela busca de desempenho, e, nessa reflexão, ele explora e faz um paralelo com mecanismos biológicos, como a imunidade. Considerando essas informações e o fragmento de texto apresentado, julgue o item a seguir.
No trecho “Ao contrário, são causadas por um excesso de positividade”, o sujeito da oração não corresponde ao agente do ato de causar — ato este expresso pela locução verbal.
CCerto
EErrado
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GabaritoC — Certo
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Sujeito gramatical × agente da passiva: a pegadinha da voz passiva
Gabarito: letra C (Certo). No trecho “Ao contrário, são causadas por um excesso de positividade”, o sujeito da oração é “reações imunológicas” (termo elíptico, retomado do período anterior), e ele não é o agente do ato de causar — o agente da passiva é “um excesso de positividade”. A afirmação do item está correta: o sujeito gramatical não corresponde ao agente da ação.
O comando: o que a banca pede
A questão é de análise sintática aplicada ao texto. O enunciado afirma que, no trecho destacado, o sujeito da oração não corresponde ao agente do ato de causar. Você precisa julgar se essa afirmação é certa ou errada. Para isso, é essencial distinguir dois conceitos que a banca adora confundir:
Sujeito gramatical: termo com o qual o verbo concorda (em pessoa e número). É uma noção sintática.
Agente da passiva: termo que pratica a ação na voz passiva (introduzido por “por” ou “pelo”). É uma noção semântica.
O sujeito pode ser o agente (voz ativa), mas não precisa ser. Na voz passiva, o sujeito é o paciente da ação, e o agente fica explícito ou implícito.
O texto: onde mora a resposta
No fragmento, o autor desenvolve a tese de que a imunidade opera por “negação da negação”. O trecho decisivo é:
“Não são reações imunológicas que pressuporiam uma negatividade do outro imunológico. Ao contrário, são causadas por um excesso de positividade.”
Observe a coesão referencial: o sujeito de “são causadas” é “reações imunológicas”, termo que aparece no período anterior e fica elíptico (oculto) no segundo. A locução verbal “são causadas” está na voz passiva analítica (verbo ser + particípio). Nessa construção:
Agente da passiva: “por um excesso de positividade”.
Portanto, quem causa é o excesso de positividade; o que é causado são as reações imunológicas. O sujeito gramatical não é o agente — exatamente o que o item afirma.
A técnica que decide
A pegadinha central é a confusão entre função sintática e papel semântico. O sujeito é uma função sintática (termo com o qual o verbo concorda); o agente é um papel semântico (quem pratica a ação). Na voz passiva, eles nunca coincidem: o sujeito é o paciente, e o agente é o termo preposicionado.
Exemplo clássico:
Voz ativa: “O excesso de positividade causa reações imunológicas.” → sujeito = agente.
Voz passiva: “Reações imunológicas são causadas pelo excesso de positividade.” → sujeito = paciente; agente = “pelo excesso”.
No texto, a construção é exatamente essa, com o sujeito elíptico. Por isso, o item está certo.
Voz passiva analítica: Sujeito (paciente) (Concorda com o verbo, Recebe a ação); Agente da passiva (Pratica a ação, Introduzido por "por"/"pelo"); Voz ativa (Sujeito = agente)
Análise do item
Item — ✅ CERTO
A afirmação é verdadeira. No trecho “Ao contrário, são causadas por um excesso de positividade”, o sujeito é “reações imunológicas” (elíptico), e o agente da passiva é “um excesso de positividade”. O sujeito não corresponde ao agente — ele é o paciente da ação. A banca testa exatamente essa distinção.
PEGA ESSA DICA!
Ao ver uma locução verbal com ser + particípio, pergunte: “quem pratica a ação?” (agente) e “com quem o verbo concorda?” (sujeito). Se forem diferentes, está na voz passiva.
Conclusão
A questão cobra a distinção entre sujeito gramatical e agente da passiva. No trecho, o sujeito é o paciente (reações imunológicas), e o agente é o excesso de positividade. Portanto, o item está certo.