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Questão de Português — Sujeito — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsSujeito
Código
ce415054
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
UnB
Ano
2025
Cargo
Vest ( )

Estavam arranchados numa velha casa de farinha, toda atravancada pelos aviamentos desmantelados.


Desde a véspera Josias adoecera.


De tarde, quando caminhavam com muita fome, tinham passado por uma roça abandonada, com um pau de maniva aqui, outro além, ainda enterrados no chão.


Josias, que vinha atrás, distanciou-se.


Viu o pai descuidado dele, pensando em encontrar um rancho; a mãe, com o menino no quadril, marchava lá mais na frente.


Ele então foi ficando para trás, entrou na roça, escavacou com um pauzinho o chão, numa cova, onde um tronco de manipeba apontava; dificultosamente, ferindo-se, conseguiu topar com uma raiz, cortada ao meio pela enxada.


Batendo de encontro a uma pedra, trabalhosamente, arrancou-lhe mais ou menos a casca; e enterrou os dentes na polpa amarela, fibrosa, que já ia virando pau num dos extremos.


Avidamente roeu todo o pedaço amargo e seco, até que os dentes rangeram na fibra dura.


(...)


Só aos poucos se repuseram e se foram orientando.


Cordulina acomodou-se como pôde, ao lado do cajueiro onde tinham parado.


Da banda de lá, um velho deitado no chão roncava, e uma mulher de saia e camisa remexia as brasas debaixo de uma panela de barro.


Cordulina foi à sua trouxa, e tirou de dentro um resto de farinha e um quarto de rapadura, última lembrança da comadre Doninha.


Deitado na areia, calçado com um pano, já o Duquinha dormia. Os outros dois metiam a mão na farinha engolindo punhados.


Chico Bento olhava a multidão que formigava ao seu redor.


Na escuridão da noite que se fechava, só se viam vultos confusos, ou alguma cara vermelha e reluzente junto a um fogo.


Tudo aquilo palpitava de vida, e falava, e zunia em gritos agudos de meninos, e estralejava em gargalhadas e em gemidos, e até em cantigas.


E estendendo a vista até muito longe, até aos limites do Campo de Concentração, onde os fogos luziam mais espalhados, o vaqueiro sacudiu na boca uma mancheia de farinha que lhe oferecia a mulher, e procurando quebrar entre os dedos um canto de rapadura, murmurou de certo modo consolado:


— Posso muito bem morrer aqui; mas pelo menos não morro sozinho...


Rachel de Queiroz. O Quinze. Rio de Janeiro: José Olympio, 2012.

Considerando o trecho apresentado da obra O Quinze, de Rachel de Queiroz, e os múltiplos aspectos a ele relacionados, julgue o item seguinte.

 

Assinale a opção em que o termo apresentado desempenha, na oração em que aparece no trecho da obra O Quinze, a mesma função sintática que o termo “vultos” exerce na oração “só se viam vultos confusos”.

  1. A“última lembrança da comadre Doninha"
  2. B“punhados”
  3. C“a mulher”
  4. D“um canto de rapadura”
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — “a mulher”

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Função sintática de “vultos” em “só se viam vultos confusos”

Gabarito: letra C. O termo “vultos” exerce a função de sujeito paciente na oração “só se viam vultos confusos”, pois o verbo “viam” está na voz passiva sintética (partícula “se” apassivadora). A alternativa que apresenta termo com a mesma função sintática é a C, “a mulher”, que também é sujeito paciente na oração “que lhe oferecia a mulher”. A prova está na estrutura: em ambas, o verbo está na voz passiva sintética e o termo destacado é o paciente da ação verbal.

“só se viam vultos confusos”

Nessa oração, o “se” é partícula apassivadora (índice de passividade), e o verbo “viam” concorda com “vultos confusos” (plural). Isso indica que “vultos confusos” é o sujeito paciente: eles são vistos, não veem. A mesma estrutura ocorre em “que lhe oferecia a mulher”: o “se” está implícito? Não — vamos analisar com calma.

Na verdade, a oração completa é “o vaqueiro sacudiu na boca uma mancheia de farinha que lhe oferecia a mulher”. O pronome relativo “que” retoma “farinha”, e a oração relativa é “a mulher oferecia a farinha a ele”. Aqui, “a mulher” é o sujeito agente da forma verbal “oferecia” — não é paciente. Então, por que a alternativa C é a correta? Porque a banca pede a mesma função sintática que “vultos” exerce, e “vultos” é sujeito (paciente). “A mulher” também é sujeito (agente) da forma verbal “oferecia”. A função sintática é a mesma: sujeito. A diferença está na voz verbal: “vultos” é sujeito de verbo na voz passiva sintética; “a mulher” é sujeito de verbo na voz ativa. Mas a função sintática é idêntica: ambos são sujeitos de suas orações.

Vamos entender a fundo. Na voz passiva sintética, a estrutura é: verbo transitivo direto + “se” + sujeito paciente. O “se” é partícula apassivadora, e o verbo concorda com o sujeito. Exemplo: “Vendem-se casas” — “casas” é sujeito paciente (as casas são vendidas). Na voz ativa, o sujeito é agente: “A mulher oferecia a farinha” — “a mulher” é sujeito agente (ela pratica a ação). A função sintática de “sujeito” é a mesma, independentemente de ser agente ou paciente. A banca quer que o candidato identifique a função sintática, não a voz verbal.

Agora, vamos analisar cada alternativa:

Função sintática de "vultos"
  • 1Sujeito paciente
    • Voz passiva sintética
    • "se" apassivador
  • 2Mesma função: sujeito
    • "a mulher" (sujeito agente)
    • "punhados" (objeto direto)
    • "um canto de rapadura" (objeto direto)
    • "última lembrança" (aposto)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

“última lembrança da comadre Doninha” — No trecho: “tirou de dentro um resto de farinha e um quarto de rapadura, última lembrança da comadre Doninha”. Esse termo é um aposto explicativo, pois explica/identifica o “quarto de rapadura”. Não é sujeito. A banca tenta confundir com a ideia de “lembrança” (substantivo), mas a função é de aposto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

“punhados” — No trecho: “Os outros dois metiam a mão na farinha engolindo punhados”. “Punhados” é objeto direto do verbo “engolindo” (engoliam punhados). Não é sujeito. A banca tenta confundir com a ideia de quantidade, mas a função é de objeto direto.

Alternativa C — ✅ Correta

“a mulher” — No trecho: “que lhe oferecia a mulher”. Na oração relativa, “a mulher” é o sujeito do verbo “oferecia”. A função sintática é a mesma de “vultos”: sujeito. A diferença é que “vultos” é sujeito paciente (voz passiva sintética) e “a mulher” é sujeito agente (voz ativa), mas a função sintática é idêntica.

Alternativa D — ❌ Incorreta

“um canto de rapadura” — No trecho: “procurando quebrar entre os dedos um canto de rapadura”. “Um canto de rapadura” é objeto direto do verbo “quebrar” (quebrar um canto de rapadura). Não é sujeito. A banca tenta confundir com a ideia de “coisa”, mas a função é de objeto direto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta confundir o candidato com termos que exercem outras funções sintáticas (objeto direto, aposto) e com a estrutura da voz passiva sintética, em que o sujeito é paciente. A chave é identificar a função sintática, não a voz verbal.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar o sujeito, pergunte ao verbo: “quem?” ou “o quê?”. Na voz passiva sintética, o sujeito é o termo que sofre a ação. Na voz ativa, o sujeito é o que pratica a ação. A função sintática é a mesma: sujeito.

Conclusão: A alternativa correta é a C, pois “a mulher” exerce a mesma função sintática de “vultos”: sujeito. As demais alternativas apresentam termos com outras funções (aposto, objeto direto).

Gabarito: letra C

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