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Questão de Literatura — Linguagem, língua e fala. Estética literária. — CESPE / CEBRASPE 2025

LiteraturaLinguagem, língua e fala. Estética literária.
Código
ce415063
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
UERR
Ano
2025
Cargo
Vest ( )

EU
Cavaleiro das armas escuras,
Onde vais pelas trevas impuras
Com a espada sanguenta na mão?
Por que brilham teus olhos ardentes
E gemidos nos lábios frementes
Vertem fogo do teu coração?


Cavaleiro, quem és? — O remorso?
Do corcel te debruças no dorso...
E galopas do vale através...
Oh! da estrada acordando as poeiras
Não escutas gritar as caveiras
E morder-te o fantasma nos pés?


Onde vais pelas trevas impuras,
Cavaleiro das armas escuras,
Macilento qual morto na tumba?...
Tu escutas... Na longa montanha
Um tropel teu galope acompanha?
E um clamor de vingança retumba?


Cavaleiro, quem és? que mistério...
Quem te força da morte no império
Pela noite assombrada a vagar?


O FANTASMA
Sou o sonho de tua esperança,
Tua febre que nunca descansa,
O delírio que te há de matar!...


Álvares de Azevedo. Meu sonho. In: Lira dos vinte anos. São Paulo: Martins Fontes, 1996, p. 39-40.


À meia noite, como de costume,
passa o Cavaleiro
todo de ferro e horror. Passa ou não passa?
Duvido. (E tenho medo.)
Hoje não durmo. Hei de escutar
o som das ferraduras na gelada
Rua Municipal,
o estalar do chicote na garupa
do cavalo-fantasma.
Escuto, protegido
em cobertor de casa-fortaleza
de família importante. Passa, passa,
anda, passa, Cavaleiro, está com medo
do medo meu, quem sabe, da garrucha
do Coronel?


O cavaleiro anda atrasado.
Vai esperar o sono me vencer
para aparecer dentro do sono?
Chego à janela. A branca
escuridão (o frio é branco)
não filtra nem um grilo de ruído.
Massa de cidade e serra: breu silente.
Boca seca, trêmulo,
não vejo o Cavaleiro, estou ouvindo
em mim o Cavaleiro, em mim é que ele passa,
sempre passou e passa sempre e não acaba
de passar. É isso. Vou dormir.
Dou descanso ao cavalo e ao Cavaleiro.


Carlos Drummond de Andrade. O Cavaleiro. In: Boitempo: Menino antigo.
São Paulo: Companhia das Letras, 2017, p. 221.

Da leitura comparativa entre os dois poemas apresentados é correto concluir que

  1. Aa liberdade formal que caracteriza os poemas os filia às inovações linguísticas modernistas.
  2. Bambos pertencem ao mesmo período literário: o Romantismo.
  3. Chá identidade entre o tema abordado e a linguagem empregada nos dois poemas.
  4. Dambos se aproximam pelo emprego do vocativo “Cavaleiro” e pela sugestão de unidade entre o tu e o eu.
  5. Ea atmosfera misteriosa, fantasmagórica e onírica dos poemas os vincula à poética parnasiana.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — ambos se aproximam pelo emprego do vocativo “Cavaleiro” e pela sugestão de unidade entre o tu e o eu.

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