Questão de Matemática — Geral — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce415171
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- UnB
- Ano
- 2025
- Cargo
- Vest ( )
Os levantamentos da Sisbiota‑Mar indicaram que o atol das Rocas é a mais preservada das quatro ilhas oceânicas brasileiras. Mesmo em Fernando de Noronha, que possui status de parque nacional, a área protegida sustenta uma população humana crescente e existe uma área fora do parque em que são permitidas atividades como a pesca. No arquipélago de São Pedro e São Paulo, a 1.000 km de Natal, já não há tubarões e os cardumes de atum foram bastante reduzidos por causa da pesca excessiva.
As águas do atol das Rocas, a 267 km de Natal, Rio Grande do Norte, abrigam um dos fenômenos mais chamativos dos recifes, quando os peixes predadores se concedem momentos de trégua e se submetem à limpeza realizada por outros peixes e camarões. Os peixes limpadores se especializaram em comer parasitas, tecidos doentes ou muco de peixes maiores e tartarugas, que os especialistas chamam de clientes. “Como resultado dessas interações, os clientes mantêm a saúde e o limpador consegue alimento, mas os dois lados tiveram que evoluir até se reconhecerem e não se atacarem na hora da limpeza”, resume um biólogo, pesquisador da UFSC.
Em 2016, os biólogos observaram 319 interações de limpeza entre os peixes, em profundidades variando de 1 m 5 m, durante 44 horas ao longo de 22 dias. Duas espécies exclusivas da região foram as mais atuantes: o bodião-de-noronha (Thalassoma noronhanum), que atinge 12 cm quando adulto, e o neon-cata-piolho (Elacatinus phthirophagus), de até 4 cm. O neon-cata-piolho apresentou uma dieta flexível, abandonando os hábitos herbívoros de outros lugares para, no atol, saciar-se com vermes, até mesmo arriscando-se ao se aproximar de clientes carnívoros, como o tubarão-lixa (Ginglymostoma cirratum), que chega a 4 m de comprimento e 100 kg de peso.
Carlos Fioravanti. Aliança do fundo do mar. In: Revista FAPESP, edição 258, ago./2017 (com adaptações).
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