Questão de Raciocínio Lógico — Equivalências Lógicas (Inclui Negação de Proposições Compostas) — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce416815
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- PC DF
- Ano
- 2025
- Cargo
- AAAPC ( )
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: letra E (ERRADO). A proposição P tem a forma lógica , e a proposição apresentada no item tem a forma — ou seja, o item inverteu o antecedente com o consequente. A equivalência clássica da condicional é a contrapositiva , não a simples inversão. Portanto, o item está errado.
A lógica sentencial trabalha com a estrutura das proposições, não com seu conteúdo. Quando dizemos que duas proposições são logicamente equivalentes, significa que elas possuem a mesma tabela-verdade: em todas as combinações possíveis de valores verdadeiros (V) e falsos (F) das proposições simples que as compõem, ambas assumem exatamente o mesmo valor lógico. É como se fossem duas roupas diferentes para o mesmo corpo — a aparência muda, mas a estrutura interna é idêntica.
A proposição P do enunciado é uma condicional (se... então...), cuja forma geral é . No caso, o antecedente é a disjunção "o investigador não cumprir o procedimento ou identificar o suspeito errado" (representemos por ), e o consequente é a conjunção "o juiz anulará a prova e soltará o acusado" (representemos por ). Assim, .
Existem duas equivalências fundamentais para a condicional , que são amplamente cobradas em provas:
Contrapositiva: . Aplicando à nossa proposição, teríamos: . Pela Lei de De Morgan, a negação de uma conjunção é a disjunção das negações (), e a negação de uma disjunção é a conjunção das negações (). Portanto, a contrapositiva de P seria: "Se o juiz não anular a prova ou não soltar o acusado, então o investigador cumpriu o procedimento e não identificou o suspeito errado".
Transformação em disjunção: . Aplicando: , que pela Lei de De Morgan fica . Ou seja: "O investigador cumpriu o procedimento e não identificou o suspeito errado, ou o juiz anulou a prova e soltou o acusado".
A proposição do item, por sua vez, é — exatamente a recíproca (ou inversão) da condicional original. A recíproca não é logicamente equivalente à condicional. Para verificar isso, basta pensar em um caso: se o juiz anulou a prova e soltou o acusado por um motivo completamente diferente (por exemplo, por erro processual do Ministério Público), a proposição do item seria verdadeira, mas a proposição P poderia ser falsa (se o investigador cumpriu o procedimento e identificou o suspeito corretamente). Como existe ao menos uma situação em que os valores lógicos diferem, elas não são equivalentes.
A pegadinha clássica da banca é justamente essa: apresentar a recíproca () como se fosse a contrapositiva (). O candidato que memoriza a regra sem entender o mecanismo acaba caindo. A contrapositiva inverte e nega os dois lados; a recíproca apenas inverte, sem negar. É essa distinção que separa o certo do errado nesta questão.
A proposição P é . O item afirma que P é equivalente a , que é a recíproca da condicional. A equivalência correta seria a contrapositiva: , ou seja, "Se o juiz não anular a prova ou não soltar o acusado, então o investigador cumpriu o procedimento e não identificou o suspeito errado". Como a recíproca não preserva a tabela-verdade da condicional original, o item está errado.
A banca troca a contrapositiva pela recíproca. A contrapositiva () é equivalente à condicional; a recíproca () não é. Para não cair, lembre-se: na equivalência, você deve inverter E negar os dois lados. Se a alternativa só inverte, sem negar, ela está errada.
Na hora da prova, monte a tabela-verdade mentalmente ou use um contraexemplo. Se a condicional é "Se chove, então a rua fica molhada", a recíproca seria "Se a rua está molhada, então choveu" — claramente falsa, pois a rua pode estar molhada por outros motivos. A contrapositiva seria "Se a rua não está molhada, então não choveu" — que é verdadeira. Esse raciocínio rápido resolve a questão sem precisar de tabela completa.
Gabarito: letra E (ERRADO).
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