Questão de Raciocínio Lógico — Falácias — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce416821
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- TRF 6
- Ano
- 2025
- Cargo
- AJ TRF6
- CCerto
- EErrado
GabaritoC — Certo
Gabarito: letra C (CERTO). A argumentação apresentada é, de fato, apelativa, pois apela às emoções e ao esforço da comissão, em vez de apresentar razões lógicas que sustentem a aprovação do relatório. Trata-se de uma falácia de relevância, especificamente do tipo ad populum (apelo à emoção ou à piedade), em que as premissas são psicologicamente persuasivas, mas logicamente irrelevantes para a conclusão.
O raciocínio analítico exige que a conclusão seja sustentada por premissas logicamente relevantes. No argumento em questão, a premissa "a comissão trabalhou com muito afinco" não fornece qualquer evidência sobre a qualidade, correção ou adequação do relatório. O apelo ao esforço é uma tentativa de gerar simpatia e comoção, desviando a atenção do mérito da questão. Essa é a essência das falácias informais de relevância: transferir a argumentação do plano lógico para o psicológico, despertando emoções que dão anuência à conclusão sem que ela seja logicamente demonstrada.
Para compreender plenamente, é preciso distinguir os tipos de falácias informais. As falácias de relevância ocorrem quando as premissas são irrelevantes para sustentar a conclusão, ainda que possam ter relevância psicológica. Já as falácias de ambiguidade decorrem do uso de palavras com sentidos diferentes nas premissas e na conclusão. O argumento do enunciado não apresenta ambiguidade; ele apela diretamente ao sentimento de reconhecimento pelo esforço, o que caracteriza o apelo à emoção, uma subespécie das falácias de relevância.
Na prática, imagine que um aluno peça aumento de nota dizendo: "Professor, estudei muito para esta prova". O esforço de estudo não é prova de que as respostas estavam corretas; é um apelo emocional. Da mesma forma, o esforço da comissão não é prova de que o relatório é bom. A banca explora exatamente essa confusão entre esforço e qualidade, entre o aspecto psicológico e o lógico.
A banca tenta fazer o candidato achar que o argumento é válido porque o esforço é um bom motivo para aprovar. Mas a lógica não se importa com esforço: a premissa é irrelevante para a conclusão. O que importa é se o relatório é bom, não se houve trabalho. Fique atento: apelo à emoção nunca é razão lógica.
Premissa (P) | Conclusão (C) | Relevância Lógica (P → C) | Tipo de Argumento |
|---|---|---|---|
"A comissão trabalhou com muito afinco" (V) | "Aprovem o relatório" (V) | F (esforço não implica qualidade) | Apelativo (Ad Populum) |
"A comissão trabalhou com muito afinco" (V) | "Aprovem o relatório" (F) | F (esforço não implica qualidade) | Apelativo (Ad Populum) |
"A comissão trabalhou com muito afinco" (F) | "Aprovem o relatório" (V) | F (esforço não implica qualidade) | Apelativo (Ad Populum) |
"A comissão trabalhou com muito afinco" (F) | "Aprovem o relatório" (F) | F (esforço não implica qualidade) | Apelativo (Ad Populum) |
A afirmação de que a argumentação é apelativa está correta. O argumento apresentado é um exemplo clássico de falácia ad populum (apelo à emoção), pois a premissa "a comissão trabalhou com muito afinco" não tem relação lógica com a conclusão "aprovem o relatório". O esforço não garante a qualidade do documento; é um apelo sentimental, não uma justificativa racional. Portanto, a argumentação é apelativa, e o item está CERTO.
Gabarito: letra C (CERTO).
Link permanente: /questoes/ce416821