Questão de Raciocínio Lógico — Argumentos Indutivos, Argumentos por Abdução. — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce416822
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- TRF 6
- Ano
- 2025
- Cargo
- AJ TRF6
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: letra E (ERRADO). O argumento apresentado não é um raciocínio abdutivo, mas sim um raciocínio indutivo — parte-se de casos particulares (João e Maria têm cabelo preto) para uma conclusão geral e provável (os filhos também terão cabelo preto), sem que haja certeza lógica. A abdução, por sua vez, busca a melhor explicação para um fato observado, partindo de uma regra geral e de um resultado para inferir uma causa provável.
O raciocínio abdutivo é uma forma de inferência que busca a explicação mais plausível para um fenômeno observado. Diferentemente da dedução, que parte do geral para o particular e garante a verdade da conclusão se as premissas forem verdadeiras, e da indução, que parte do particular para o geral e produz uma conclusão apenas provável, a abdução parte de um fato observado e de uma regra geral para chegar a uma causa provável. É o raciocínio típico da investigação científica e forense: diante de um sintoma, busca-se a doença que melhor o explica; diante de uma pegada, busca-se o suspeito que melhor a explica.
No argumento do enunciado, temos:
Premissa 1: João e Maria são casados.
Premissa 2: João tem cabelo preto.
Premissa 3: Maria tem cabelo preto.
Conclusão: Logo, os filhos deles também terão cabelo preto.
Aqui, parte-se de casos particulares (João e Maria têm cabelo preto) para uma conclusão geral (os filhos terão cabelo preto). Isso é a estrutura clássica da indução: a conclusão extrapola as premissas e é apenas provável, pois não há garantia lógica de que os filhos herdarão essa característica. A conclusão não é uma consequência necessária das premissas, mas uma generalização baseada em uma amostra.
Para ser um raciocínio abdutivo, o argumento deveria, por exemplo, ser: "João e Maria têm cabelo preto. Os filhos deles têm cabelo preto. Logo, a cor do cabelo é hereditária." Nesse caso, parte-se de um fato observado (os filhos têm cabelo preto) e de uma regra geral (a cor do cabelo é hereditária) para inferir a causa provável (os pais transmitiram essa característica). A abdução explica o porquê do fato, enquanto a indução generaliza a partir dele.
A pegadinha da banca está em confundir os conceitos de indução e abdução. O candidato que não domina a distinção pode aceitar a afirmação do enunciado como correta, quando na verdade o raciocínio apresentado é indutivo. A abdução é uma inferência que vai do efeito para a causa, buscando a melhor explicação, enquanto a indução vai de casos particulares para uma regra geral.
Caso | Premissas (P1: casados; P2: cabelo preto de João; P3: cabelo preto de Maria) | Conclusão (filhos com cabelo preto) | Tipo de Raciocínio | Resultado |
|---|---|---|---|---|
1 | V, V, V | Provável (não necessária) | Indução (particular → geral) | Consistente (mas não abdutivo) |
2 | V, V, V | F (ex.: filhos loiros) | Indução (generalização falha) | Contradição (mostra falta de garantia lógica) |
3 | V, V, V | V (ex.: filhos herdam) | Abdução (efeito → causa) | Inviável (não é o que o argumento faz) |
O argumento apresentado é um exemplo de raciocínio indutivo, não abdutivo. A indução parte de casos particulares (João e Maria têm cabelo preto) para uma conclusão geral (os filhos terão cabelo preto), que é apenas provável. A abdução, por sua vez, busca a melhor explicação para um fato observado, partindo de uma regra geral e de um resultado para inferir uma causa provável. No argumento, não há um fato a ser explicado, mas uma generalização a partir de uma amostra.
Gabarito: letra E (ERRADO).
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