Questão de Raciocínio Lógico — Argumentos - Métodos Decorrentes da Tabela Verdade — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce416831
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- TRF 6
- Ano
- 2025
- Cargo
- AJ TRF6
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: letra E (ERRADO). O argumento apresentado é inválido, pois comete a falácia formal conhecida como negação do antecedente: da premissa "todo funcionário do setor virá de branco" e da informação "João não é funcionário do setor", não se pode concluir logicamente que "João não virá de branco". A validade de um argumento depende exclusivamente de sua forma lógica, e não do conteúdo das premissas — e a forma deste argumento não garante a verdade da conclusão quando as premissas são verdadeiras.
Para entender por que o argumento é inválido, é preciso dominar o conceito de argumento válido: um argumento é válido quando, necessariamente, se todas as premissas forem verdadeiras, a conclusão também será verdadeira. Em outras palavras, a conclusão é uma consequência lógica das premissas — não pode haver uma situação em que as premissas sejam verdadeiras e a conclusão seja falsa. Essa análise é puramente formal: não importa se as premissas são verdadeiras ou falsas no mundo real, nem se a conclusão "faz sentido"; importa apenas a estrutura do raciocínio.
Vamos formalizar o argumento da questão. Seja:
: "João é funcionário do nosso setor";
: "João vai vir de branco na última semana de junho".
A primeira premissa, "Todos os funcionários do nosso setor vão vir de branco", pode ser traduzida como a condicional (se João é funcionário, então João vem de branco). A segunda premissa é (João não é funcionário). A conclusão é (João não vem de branco). O argumento tem, portanto, a seguinte forma:
(premissa)
(premissa)
(conclusão)
Essa estrutura é a negação do antecedente (também chamada de modus tollens inválido ou falácia do antecedente). Ela é inválida porque a condicional apenas afirma que se ocorre, então ocorre; ela não afirma que só ocorre se ocorrer. Ou seja, é perfeitamente possível que João não seja funcionário do setor ( verdadeiro) e, ainda assim, João venha de branco ( verdadeiro) — por exemplo, se ele simplesmente decidir usar branco por conta própria, ou se for funcionário de outro setor que também adotou a cor branca. Nesse cenário, as duas premissas são verdadeiras, mas a conclusão () é falsa. Como existe essa possibilidade, o argumento é inválido.
A confusão que a banca explora é justamente a diferença entre a condicional () e a bicondicional (). Se a premissa fosse "João vem de branco se e somente se for funcionário do setor", aí sim a negação do antecedente permitiria concluir a negação do consequente, e o argumento seria válido. Mas a premissa original não afirma essa relação de necessidade e suficiência — ela apenas estabelece uma condição suficiente (ser funcionário implica vir de branco), não uma condição necessária (vir de branco implica ser funcionário).
Para fixar: a validade de um argumento não tem relação com a força ou fraqueza dele. Um argumento pode ser válido e fraco (com premissas pouco convincentes ou conclusão pouco surpreendente), assim como pode ser inválido e aparentemente forte. O que define a validade é a impossibilidade lógica de premissas verdadeiras com conclusão falsa. Nesta questão, o argumento é inválido, e é exatamente esse o erro que a alternativa "Certo" tenta induzir.
A banca quer que você confunda a condicional com a bicondicional. A premissa "todo funcionário virá de branco" não diz que "quem vier de branco é funcionário". A negação do antecedente (João não é funcionário) não autoriza a negação do consequente (João não virá de branco). Essa é a falácia clássica que o CESPE adora cobrar — reconheça a forma , , e marque inválido sem hesitar.
A alternativa afirma que o argumento é válido, apesar de fraco. Isso está errado: o argumento é inválido, pois sua forma lógica é a falácia da negação do antecedente. A validade não é uma questão de "força" ou de conteúdo — é uma questão de estrutura. Como demonstrado, é possível que as premissas sejam verdadeiras (João não é funcionário) e a conclusão seja falsa (João vem de branco por outros motivos). Portanto, o argumento não é válido, e a alternativa está incorreta.
A alternativa correta é a que nega a validade do argumento. O argumento é inválido porque comete a falácia da negação do antecedente: da premissa condicional e da negação de , não se pode concluir a negação de . A conclusão não é uma consequência lógica necessária das premissas, pois existe ao menos uma situação em que as premissas são verdadeiras e a conclusão é falsa. Logo, o item está errado.
Gabarito: letra E (ERRADO).
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