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Questão de Raciocínio Lógico — Argumentos - Métodos Decorrentes da Tabela Verdade — CESPE / CEBRASPE 2025

Raciocínio LógicoArgumentos - Métodos Decorrentes da Tabela Verdade
Código
ce416866
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
PF
Ano
2025
Cargo
E
Julgue o próximo item, relativo a estruturas lógicas, lógica de argumentação e lógica sentencial.   Considere que as seguintes proposições sejam verdadeiras. P: “Se Paulo é parente da vítima, então ele é inocente e estava no exterior no dia do crime”. Q: “Se Paulo tem o mesmo sobrenome da vítima ou tem o mesmo tipo sanguíneo, então ele é parente da vítima”. Com base nessas proposições, é correto afirmar que, se Paulo não estava no exterior no dia do crime, então ele não tem o mesmo tipo sanguíneo da vítima.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Lógica Proposicional: Encadeamento de Condicionais e Contrapositiva

Gabarito: letra C (CERTO). A afirmação é verdadeira: se Paulo não estava no exterior no dia do crime, então ele não tem o mesmo tipo sanguíneo da vítima. O raciocínio decorre do encadeamento das duas condicionais dadas como verdadeiras, combinado com a contrapositiva da primeira premissa — a equivalência lógica que inverte e nega os termos de uma condicional.

Vamos destrinchar o problema. Temos duas premissas verdadeiras:

  • P: Se Paulo é parente da vítima, então ele é inocente e estava no exterior no dia do crime.

  • Q: Se Paulo tem o mesmo sobrenome da vítima ou tem o mesmo tipo sanguíneo, então ele é parente da vítima.

O que a questão pede é verificar se a conclusão "se Paulo não estava no exterior, então ele não tem o mesmo tipo sanguíneo" é uma consequência lógica dessas premissas. Para isso, precisamos usar duas ferramentas da lógica proposicional: a contrapositiva e o encadeamento de condicionais (silogismo hipotético).

A contrapositiva de uma condicional pqp \rightarrow q é a condicional qp\sim q \rightarrow \sim p, e elas são logicamente equivalentes — ou seja, sempre têm o mesmo valor lógico. Isso significa que, se a premissa "Se Paulo é parente, então ele estava no exterior" é verdadeira, então também é verdadeira a afirmação "Se Paulo não estava no exterior, então ele não é parente da vítima".

O encadeamento de condicionais (silogismo hipotético) nos diz que, se pqp \rightarrow q e qrq \rightarrow r são verdadeiras, então prp \rightarrow r também é verdadeira. Ou seja, podemos "ligar" as condicionais em cadeia: se o antecedente da primeira implica o consequente da segunda, e o antecedente da segunda implica o consequente da terceira, então o antecedente da primeira implica o consequente da terceira.

Aplicando isso ao problema, vamos simbolizar as proposições simples:

  • AA: Paulo é parente da vítima.

  • BB: Paulo é inocente.

  • CC: Paulo estava no exterior no dia do crime.

  • DD: Paulo tem o mesmo sobrenome da vítima.

  • EE: Paulo tem o mesmo tipo sanguíneo da vítima.

As premissas ficam:

  • P: A(BC)A \rightarrow (B \land C)

  • Q: (DE)A(D \lor E) \rightarrow A

Da premissa P, podemos extrair uma consequência importante: se AA é verdadeiro, então BCB \land C é verdadeiro, o que implica que CC é verdadeiro. Logo, temos a condicional ACA \rightarrow C (se é parente, então estava no exterior).

Aplicando a contrapositiva a essa condicional, obtemos: CA\sim C \rightarrow \sim A (se não estava no exterior, então não é parente).

Agora, aplicando a contrapositiva à premissa Q, obtemos: A(DE)\sim A \rightarrow \sim (D \lor E). Pela Lei de De Morgan, a negação de uma disjunção é a conjunção das negações: (DE)DE\sim (D \lor E) \equiv \sim D \land \sim E. Portanto, a contrapositiva de Q é A(DE)\sim A \rightarrow (\sim D \land \sim E) (se não é parente, então não tem o mesmo sobrenome e não tem o mesmo tipo sanguíneo).

Agora temos duas condicionais em cadeia:

  1. CA\sim C \rightarrow \sim A

  2. A(DE)\sim A \rightarrow (\sim D \land \sim E)

Pelo silogismo hipotético, podemos concluir: C(DE)\sim C \rightarrow (\sim D \land \sim E) (se não estava no exterior, então não tem o mesmo sobrenome e não tem o mesmo tipo sanguíneo).

Como a conjunção DE\sim D \land \sim E implica cada um de seus termos, podemos concluir especificamente que CE\sim C \rightarrow \sim E (se não estava no exterior, então não tem o mesmo tipo sanguíneo). Isso é exatamente o que a questão afirma.

A pegadinha aqui é tentar resolver o problema "de frente", assumindo que Paulo não estava no exterior e tentando derivar algo diretamente das premissas originais. Isso não funciona diretamente, porque a premissa P só nos diz o que acontece se Paulo é parente — não nos diz nada sobre o que acontece se ele não é parente. A chave é usar a contrapositiva para "inverter" a lógica e então encadear as condicionais.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a dificuldade de trabalhar com condicionais "ao contrário". O candidato pode tentar afirmar que, se Paulo não estava no exterior, nada se pode concluir, pois a premissa P só fala do caso em que ele é parente. Mas isso ignora a contrapositiva: a premissa P também nos diz que, se ele não estava no exterior, então ele não é parente. É essa inversão lógica que permite o encadeamento e torna a conclusão correta.

Caso

Atribuição

Resultado

1

~C verdadeiro (não estava no exterior)

~A verdadeiro (não é parente) — via contrapositiva de A→C

2

~A verdadeiro (não é parente)

~D ∧ ~E verdadeiro (não tem mesmo sobrenome e não tem mesmo tipo sanguíneo) — via contrapositiva de Q

3

~C → (~D ∧ ~E)

Válido (silogismo hipotético entre casos 1 e 2)

4

~C → ~E

Válido (conjunção ~D ∧ ~E implica ~E)

Condicionais encadeadas
  • 1P: parente → (inocente ∧ exterior)
    • Contrapositiva: ¬exterior → ¬parente
  • 2Q: (sobrenome ∨ sangue) → parente
    • Contrapositiva: ¬parente → (¬sobrenome ∧ ¬sangue)
  • 3Silogismo hipotético
    • ¬exterior → ¬parente
    • ¬parente → ¬sangue
    • Conclusão: ¬exterior → ¬sangue
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Item — ✅ CERTO

A afirmação "se Paulo não estava no exterior no dia do crime, então ele não tem o mesmo tipo sanguíneo da vítima" é uma consequência lógica das premissas. O raciocínio completo:

  1. Da premissa P (A(BC)A \rightarrow (B \land C)), extraímos ACA \rightarrow C.

  2. A contrapositiva de ACA \rightarrow C é CA\sim C \rightarrow \sim A.

  3. A contrapositiva da premissa Q ((DE)A(D \lor E) \rightarrow A) é A(DE)\sim A \rightarrow \sim (D \lor E), que pela Lei de De Morgan equivale a A(DE)\sim A \rightarrow (\sim D \land \sim E).

  4. Encadeando as condicionais dos passos 2 e 3 (silogismo hipotético): C(DE)\sim C \rightarrow (\sim D \land \sim E).

  5. Como DE\sim D \land \sim E implica E\sim E, concluímos CE\sim C \rightarrow \sim E.

Portanto, a conclusão é válida e o item está CERTO.

Gabarito: letra C (CERTO).

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