Pular para o conteúdo principal

Questão de Raciocínio Lógico — Argumentos - Métodos Decorrentes da Tabela Verdade — CESPE / CEBRASPE 2025

Raciocínio LógicoArgumentos - Métodos Decorrentes da Tabela Verdade
Código
ce416867
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
PF
Ano
2025
Cargo
E
Suponha que a sentença “Se Aldo ou Bruno é filho de Carlos, então Daniel é pai de Elza e de Fernanda” seja verdadeira. Nesse caso, se Elza não for filha de Daniel, então Carlos não é pai de Aldo nem de Bruno.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Lógica Proposicional: Equivalência da Condicional (Contrapositiva)

Gabarito: letra C (CERTO). A sentença dada é uma condicional do tipo (AB)(CD)(A \lor B) \to (C \land D), e a afirmação do enunciado é exatamente a sua contrapositiva, ¬(CD)¬(AB)\neg(C \land D) \to \neg(A \lor B), que é logicamente equivalente à original. Como a premissa é verdadeira, a conclusão (a contrapositiva) também é verdadeira.

A questão cobra um dos conceitos mais importantes da lógica proposicional: a equivalência lógica entre uma condicional e a sua contrapositiva. Uma condicional é uma proposição composta do tipo "se P, então Q", representada por PQP \to Q. Ela só é falsa quando o antecedente (P) é verdadeiro e o consequente (Q) é falso. A contrapositiva dessa condicional é a proposição "se não Q, então não P", representada por ¬Q¬P\neg Q \to \neg P. A propriedade fundamental é que PQP \to Q e ¬Q¬P\neg Q \to \neg P são logicamente equivalentes, ou seja, possuem a mesma tabela-verdade e podem ser substituídas uma pela outra em qualquer argumento.

Vamos aplicar isso à questão. Primeiro, identificamos as proposições simples:

  • AA: Aldo é filho de Carlos

  • BB: Bruno é filho de Carlos

  • CC: Daniel é pai de Elza

  • DD: Daniel é pai de Fernanda

A sentença "Se Aldo ou Bruno é filho de Carlos, então Daniel é pai de Elza e de Fernanda" é traduzida como (AB)(CD)(A \lor B) \to (C \land D). O enunciado afirma que essa sentença é verdadeira. A conclusão proposta é: "se Elza não for filha de Daniel, então Carlos não é pai de Aldo nem de Bruno". Em símbolos, isso é ¬C(¬A¬B)\neg C \to (\neg A \land \neg B).

Agora, vamos verificar se a conclusão é a contrapositiva da premissa. A contrapositiva de (AB)(CD)(A \lor B) \to (C \land D) é ¬(CD)¬(AB)\neg(C \land D) \to \neg(A \lor B). Pela Lei de De Morgan, a negação de uma conjunção é a disjunção das negações, e a negação de uma disjunção é a conjunção das negações. Portanto:

  • ¬(CD)¬C¬D\neg(C \land D) \equiv \neg C \lor \neg D (não C ou não D)

  • ¬(AB)¬A¬B\neg(A \lor B) \equiv \neg A \land \neg B (não A e não B)

Assim, a contrapositiva se torna (¬C¬D)(¬A¬B)(\neg C \lor \neg D) \to (\neg A \land \neg B). A conclusão do enunciado é ¬C(¬A¬B)\neg C \to (\neg A \land \neg B). A diferença está no antecedente: a contrapositiva tem ¬C¬D\neg C \lor \neg D, enquanto a conclusão tem apenas ¬C\neg C. A questão é: a conclusão é uma consequência lógica da premissa?

Sim, é. Se a contrapositiva (¬C¬D)(¬A¬B)(\neg C \lor \neg D) \to (\neg A \land \neg B) é verdadeira, e sabemos que ¬C\neg C é verdadeiro (Elza não é filha de Daniel), então ¬C¬D\neg C \lor \neg D também é verdadeiro (pois uma disjunção é verdadeira se pelo menos um dos seus componentes for verdadeiro). Aplicando o Modus Ponens na contrapositiva, concluímos que ¬A¬B\neg A \land \neg B é verdadeiro, ou seja, Carlos não é pai de Aldo nem de Bruno. Portanto, a conclusão é uma consequência lógica válida da premissa.

A pegadinha aqui é que a banca não pede a contrapositiva completa, mas uma versão "enfraquecida" do antecedente. Muitos candidatos podem pensar que, como a contrapositiva tem ¬C¬D\neg C \lor \neg D e a conclusão tem apenas ¬C\neg C, elas não são equivalentes e, portanto, a conclusão não seria válida. No entanto, a lógica nos mostra que a conclusão é uma consequência lógica da premissa, pois a condição ¬C\neg C é mais forte (mais específica) do que ¬C¬D\neg C \lor \neg D. Se a condição mais forte é verdadeira, a mais fraca também é, e a conclusão se segue.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre a contrapositiva completa e uma versão parcial. O candidato pode achar que, como a contrapositiva exige "não C ou não D" e a conclusão só tem "não C", a conclusão não é válida. Mas a lógica mostra que "não C" é uma condição suficiente para acionar a contrapositiva, pois se "não C" é verdadeiro, então "não C ou não D" também é. Portanto, a conclusão é uma consequência lógica válida.

Caso

Premissa (AB)(CD)(A \lor B) \to (C \land D)

Contrapositiva (¬C¬D)(¬A¬B)(\neg C \lor \neg D) \to (\neg A \land \neg B)

Suposição ¬C\neg C

Resultado ¬A¬B\neg A \land \neg B

Consistência

1

V

V

V

V

Consistente

2

V

V

V

V

Consistente

3

V

V

V

V

Consistente

4

V

V

V

V

Consistente

Alternativa C — ✅ CERTOGABARITO

A afirmação está correta. A sentença original é uma condicional (AB)(CD)(A \lor B) \to (C \land D). A conclusão proposta é ¬C(¬A¬B)\neg C \to (\neg A \land \neg B). Como demonstrado, a contrapositiva da premissa é (¬C¬D)(¬A¬B)(\neg C \lor \neg D) \to (\neg A \land \neg B). Se ¬C\neg C é verdadeiro, então ¬C¬D\neg C \lor \neg D também é verdadeiro, e pelo Modus Ponens, concluímos ¬A¬B\neg A \land \neg B. Portanto, a conclusão é uma consequência lógica válida da premissa, e o item está CERTO.

Gabarito: letra C (CERTO).

Link permanente: /questoes/ce416867