Questão de Banco de Dados — Modelo Entidade-Relacionamento (MER) — CESPE / CEBRASPE 2025
Banco de Dados›Modelo Entidade-Relacionamento (MER)
Código
ce417292
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
UNIVESP
Ano
2025
Cargo
Sup Ped ( )
A figura precedente é um DER, que representa a modelagem de uma clínica médica na qual um mesmo médico pode realizar consulta com vários pacientes, sendo possível que o mesmo paciente se consulte com o mesmo médico mais de uma vez. A partir das informações apresentadas, assinale a opção correta.
APode haver várias consultas entre um MÉDICO e determinado PACIENTE, mas, se for este o caso, o atributo data/hora deve ser movido para PACIENTE, de modo que seja possível distinguir consultas dos mesmos paciente e médico.
BTodo MÉDICO possui relacionamento obrigatório com PACIENTE por meio de CONSULTA, mas pode haver PACIENTE que não tenha relacionamento com nenhum MÉDICO por meio de CONSULTA.
CPode haver várias consultas entre um MÉDICO e determinado PACIENTE, caso em que o atributo data/hora será um atributo identificador do relacionamento CONSULTA que permitirá distinguir consultas dos mesmos paciente e médico.
DA modelagem em questão está errada, pois não pode haver relacionamento por meio de entidade associativa CONSULTA em que haja valor 0 (zero) na cardinalidade representada por (0,n).
EA modelagem em questão está errada, pois as cardinalidades deveriam ser representadas, respectivamente, por (n,1) e (n,0) em vez de por (1,n) e (0,n), e a forma modelada PACIENTE não deveria ter relacionamento com MÉDICO por meio de CONSULTA.
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GabaritoC — Pode haver várias consultas entre um MÉDICO e determinado PACIENTE, caso em que o atributo data/hora será um atributo identificador do relacionamento CONSULTA que permitirá distinguir consultas dos mesmos paciente e médico.
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Modelo Entidade-Relacionamento (MER) – Entidade Associativa e Cardinalidade
Gabarito: letra C. A alternativa correta reconhece que, em um relacionamento N:N entre MÉDICO e PACIENTE materializado pela entidade associativa CONSULTA, o atributo data/hora atua como atributo identificador do relacionamento, permitindo distinguir as múltiplas consultas entre o mesmo médico e o mesmo paciente. As demais alternativas ou propõem soluções incorretas (mover o atributo para PACIENTE), ou afirmam obrigatoriedade inexistente, ou apontam erros de modelagem que não existem.
O Modelo Entidade-Relacionamento (MER) é um modelo conceitual que descreve, de forma abstrata, as entidades (objetos do mundo real sobre os quais se deseja guardar informações), os atributos (características dessas entidades ou relacionamentos) e os relacionamentos (associações entre entidades). O Diagrama Entidade-Relacionamento (DER) é a representação gráfica desse modelo, utilizando retângulos para entidades, elipses/círculos para atributos e losangos para relacionamentos.
A cardinalidade de um relacionamento define quantas ocorrências de uma entidade podem estar associadas a ocorrências de outra. No caso apresentado, um médico pode realizar várias consultas com vários pacientes, e um paciente pode se consultar várias vezes com o mesmo médico — trata-se de um relacionamento N:N (muitos-para-muitos). Em relacionamentos N:N, não é possível representar diretamente a associação entre duas entidades apenas com chaves estrangeiras; é necessária uma entidade associativa (também chamada de entidade de ligação ou tabela associativa), que é um relacionamento que se comporta como entidade e pode possuir seus próprios atributos.
A entidade associativa CONSULTA, nesse contexto, carrega os atributos que pertencem à associação em si — como a data/hora da consulta. Como um mesmo par (MÉDICO, PACIENTE) pode gerar várias consultas, o atributo data/hora é o que diferencia uma consulta da outra para o mesmo par. Por isso, ele atua como atributo identificador do relacionamento CONSULTA: é ele que permite distinguir as ocorrências da associação. Não faria sentido mover esse atributo para a entidade PACIENTE, pois a data/hora não é uma característica do paciente, mas sim da consulta realizada.
A cardinalidade (0,n) do lado do PACIENTE indica que um médico pode ter zero ou várias consultas com pacientes — ou seja, a participação do MÉDICO no relacionamento é parcial (não obrigatória). Isso é perfeitamente válido no MER: um médico recém-contratado pode ainda não ter realizado nenhuma consulta. Da mesma forma, a cardinalidade (1,n) do lado do MÉDICO indica que cada consulta está associada a exatamente um médico (mínimo 1) e que um médico pode ter várias consultas (máximo n).
A pegadinha central desta questão está em duas frentes: (1) confundir o papel do atributo data/hora, achando que ele deveria ser movido para a entidade PACIENTE em vez de ser identificador do relacionamento; e (2) interpretar a cardinalidade (0,n) como um erro de modelagem, quando na verdade ela representa corretamente a participação parcial do MÉDICO. Guarde a distinção entre cardinalidade mínima (0 = participação parcial/opcional; 1 = participação total/obrigatória) e cardinalidade máxima (1 = associação única; n = múltiplas associações): é exatamente nessa leitura que as alternativas se dividem.
Critério
Alternativa A
Alternativa B
Alternativa C (Gabarito)
Alternativa D
Alternativa E
Papel do atributo data/hora
Movido para PACIENTE (incorreto)
Não mencionado
Atributo identificador do relacionamento CONSULTA (correto)
Não mencionado
Não mencionado
Cardinalidade (0,n) do MÉDICO
Não discutida
Interpretada como obrigatória (erro)
Interpretada como participação parcial/opcional (correto)
Considerada inválida (erro)
Considerada invertida (erro)
Validade da modelagem N:N com entidade associativa
Aceita, mas com solução errada
Aceita, mas com leitura errada da obrigatoriedade
Aceita e corretamente explicada
Rejeitada sem fundamento
Rejeitada com justificativa incorreta
Distinção entre múltiplas consultas do mesmo par
Não resolvida (data/hora no PACIENTE não resolve)
Não abordada
Resolvida pelo atributo identificador data/hora
Não abordada
Não abordada
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que, havendo várias consultas entre um MÉDICO e um PACIENTE, o atributo data/hora deveria ser movido para a entidade PACIENTE. Isso está errado: a data/hora é uma característica da consulta (a associação), não do paciente. Mover o atributo para PACIENTE criaria uma dependência incorreta — o paciente teria um atributo que não lhe pertence intrinsicamente, e ainda assim não resolveria a distinção entre múltiplas consultas, pois um paciente poderia ter várias datas/horas associadas, o que exigiria um atributo multivalorado ou outra modelagem inadequada. A solução correta é manter data/hora como atributo do relacionamento CONSULTA, funcionando como identificador.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que todo MÉDICO possui relacionamento obrigatório com PACIENTE por meio de CONSULTA. Isso contraria a cardinalidade (0,n) representada no DER: o 0 (zero) na cardinalidade mínima indica que a participação do MÉDICO é parcial — ou seja, um médico pode não ter nenhuma consulta registrada. A obrigatoriedade (participação total) seria representada por cardinalidade mínima 1, como (1,n). Portanto, a afirmação de que todo médico obrigatoriamente possui relacionamento é falsa.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa está correta ao afirmar que pode haver várias consultas entre um MÉDICO e determinado PACIENTE e que, nesse caso, o atributo data/hora será um atributo identificador do relacionamento CONSULTA, permitindo distinguir as consultas dos mesmos paciente e médico. Isso é exatamente o papel de uma entidade associativa em um relacionamento N:N: ela carrega os atributos da associação, e o atributo que diferencia as ocorrências (data/hora) atua como chave/identificador do relacionamento. Sem esse atributo, não seria possível distinguir duas consultas do mesmo médico com o mesmo paciente.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a modelagem está errada porque não pode haver relacionamento por meio de entidade associativa CONSULTA com cardinalidade (0,n). Isso é falso: a cardinalidade (0,n) é perfeitamente válida e representa a participação parcial do MÉDICO no relacionamento — um médico pode ter zero ou várias consultas. Não há qualquer regra no MER que proíba cardinalidade mínima 0 em uma entidade associativa. A modelagem está correta.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que as cardinalidades deveriam ser (n,1) e (n,0) em vez de (1,n) e (0,n), e que PACIENTE não deveria ter relacionamento com MÉDICO por meio de CONSULTA. Há dois erros: (1) a notação (n,1) e (n,0) está invertida — a cardinalidade é lida como (mínima, máxima), então (1,n) significa mínimo 1 e máximo n, o que está correto para o lado do MÉDICO; (2) a afirmação de que PACIENTE não deveria se relacionar com MÉDICO por meio de CONSULTA é absurda, pois é exatamente esse relacionamento que modela as consultas médicas. A modelagem apresentada está correta.
Gabarito: letra C — a entidade associativa CONSULTA com atributo identificador data/hora é a modelagem correta para o relacionamento N:N entre MÉDICO e PACIENTE.