Questão de Biologia — Ecologia e ciências ambientais — CESGRANRIO 2022
Biologia›Ecologia e ciências ambientais
Código
cg017056
Banca
CESGRANRIO
Órgão
ELETROBRAS-ELETRONUCLEAR
Ano
2022
Nível
Superior
Cargo
Biólogo
A região da Baía de Ilha Grande, localizada ao sul do estado do Rio de Janeiro, integra um ecossistema que abriga uma grande diversidade faunística e florística. Nessa região encontra-se instalado o Terminal Marítimo Almirante Maximiano Fonseca que representa uma fonte potencial de riscos de impactos ambientais por derrames de óleo. Terminais petrolíferos representam uma fonte potencial de contaminação por óleo, devido a derrames acidentais e operacionais durante a carga e descarga e o abastecimento de navios.Considerando-se o impacto desse poluente em costões rochosos, a pior opção de ação após um derramamento, segundo experiências conhecidas é a(o)
Ainação, isto é, deixar o movimento de ondas e marés ir limpando os costões pouco a pouco.
Bpulverização de fertilizante para bactérias degradadoras de petróleo.
Ccontenção mecânica.
Duso de dispersantes químicos para quebrar o óleo em pequenas gotas.
Ejateamento de areia para remoção do óleo.
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GabaritoD — uso de dispersantes químicos para quebrar o óleo em pequenas gotas.
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Derramamento de óleo em costões rochosos: técnicas de remediação
Gabarito: letra D. O uso de dispersantes químicos é a pior opção em costões rochosos, pois, ao quebrar o óleo em pequenas gotas, aumenta a toxicidade e a disponibilidade do contaminante para a fauna local, além de ser ineficaz nesse tipo de substrato — a literatura e as experiências de campo mostram que essa técnica causa mais danos do que benefícios nesse ambiente.
A questão trata de um problema clássico de ecologia aplicada: a escolha da técnica de remediação mais adequada após um derramamento de óleo em um ecossistema costeiro. Em costões rochosos, a comunidade biológica é composta por organismos sésseis (fixos ao substrato), como cracas, mexilhões, ouriços e algas, que ficam diretamente expostos ao contaminante. A remoção do óleo deve ser feita de forma a minimizar o estresse adicional sobre esses organismos, que já estão sofrendo os efeitos tóxicos do petróleo.
A escolha da pior técnica envolve considerar não apenas a eficiência na remoção do óleo, mas também os danos colaterais ao ecossistema. Técnicas que agridem fisicamente o substrato ou que aumentam a biodisponibilidade do óleo são particularmente prejudiciais. O jateamento de areia, por exemplo, remove o óleo, mas também remove a camada superficial do costão, matando os organismos que ali vivem. Já os dispersantes químicos, embora pareçam uma solução "limpa" ao quebrar o óleo em gotículas, na verdade aumentam a superfície de contato do óleo com a água e com os organismos, potencializando a toxicidade e o espalhamento do contaminante. Em costões rochosos, onde a energia das ondas já promove a dispersão natural, o uso de dispersantes é desnecessário e contraproducente, sendo considerado a pior opção.
Remediação de costões rochosos: Dispersantes químicos (pior opção) (Aumenta toxicidade e biodisponibilidade, Ineficaz (ondas já dispersam)); Jateamento de areia (Remove organismos junto com o óleo); Biorremediação (fertilizantes) (Acelera degradação natural); Contenção mecânica (Baixo impacto, impede espalhamento); Inação (ondas e marés) (Limpeza natural sem danos adicionais)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A inação, ou seja, deixar que as ondas e marés removam o óleo naturalmente, é uma opção viável em costões rochosos de alta energia, pois a ação mecânica das ondas pode, com o tempo, limpar o substrato sem causar danos adicionais à comunidade. Embora seja um processo lento, é preferível a técnicas agressivas que removem organismos junto com o óleo. Portanto, não é a pior opção.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A pulverização de fertilizantes para estimular bactérias degradadoras de petróleo (biorremediação) é uma técnica que acelera a degradação natural do óleo, sendo considerada uma opção de baixo impacto. Em costões rochosos, a biorremediação pode ser aplicada com cautela, mas não é a pior opção, pois não causa danos físicos ao substrato e reduz a toxicidade ao longo do tempo.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A contenção mecânica, como barreiras de contenção, é uma medida preventiva e de controle que visa impedir o espalhamento do óleo, sendo uma das primeiras ações recomendadas em derramamentos. Embora não remova o óleo já depositado, é uma técnica de baixo impacto e não é a pior opção.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O uso de dispersantes químicos é a pior opção em costões rochosos. Ao quebrar o óleo em pequenas gotas, os dispersantes aumentam a superfície de contato do óleo com a água, facilitando sua dispersão e aumentando a biodisponibilidade para organismos filtradores e sésseis, como mexilhões e cracas, que podem ingerir as gotículas. Além disso, em costões rochosos, a energia das ondas já promove a dispersão natural, tornando o uso de dispersantes desnecessário e potencialmente mais danoso. Estudos de caso, como o derramamento da Baía de Ilha Grande, mostram que o uso de dispersantes pode causar mortalidade em massa da fauna local.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O jateamento de areia para remoção do óleo é uma técnica agressiva que remove o óleo, mas também remove a camada superficial do costão, incluindo organismos sésseis e a microflora associada. Embora cause danos físicos, é considerada menos prejudicial que o uso de dispersantes, pois não aumenta a toxicidade do óleo e permite a recolonização gradual. Portanto, não é a pior opção.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre "pior opção" e "opção mais agressiva". O candidato pode pensar que o jateamento de areia (alternativa E) é o pior, por ser fisicamente destrutivo. No entanto, em costões rochosos, o uso de dispersantes químicos é considerado pior porque aumenta a toxicidade e a biodisponibilidade do óleo, causando danos mais amplos e duradouros à comunidade. Lembre-se: a pior opção é aquela que potencializa o dano, não apenas a que remove o óleo de forma agressiva.
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre remediação de derramamentos de óleo, avalie cada técnica em dois eixos: (1) eficiência na remoção do óleo e (2) danos colaterais ao ecossistema. Técnicas que aumentam a biodisponibilidade do contaminante (como dispersantes) ou que removem organismos junto com o óleo (como jateamento) são as mais prejudiciais. Em costões rochosos, a energia das ondas é um fator natural de dispersão, então técnicas que dependem de dispersão química são desnecessárias e contraproducentes.