Questão de Biologia — Dinâmica de populações — CESGRANRIO 2022
Biologia›Dinâmica de populações
Código
cg017058
Banca
CESGRANRIO
Órgão
ELETROBRAS-ELETRONUCLEAR
Ano
2022
Nível
Superior
Cargo
Biólogo
Qual é o processo natural que leva à especiação alopátrica de um invertebrado sedentário em um ambiente costeiro tropical?
AUma erupção causar a divisão de uma baía, formando uma lagoa à parte.
BUma tempestade fazer com que várias plantas terrestres carreadas para o ambiente marinho alterem a turbidez e a matéria orgânica particulada.
CUma mutação causar o desenvolvimento de uma nova característica.
DUma lesão fazer com que o invertebrado procure uma nova fonte de alimento.
EUm organismo exótico semelhante invadir o mesmo ambiente.
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GabaritoA — Uma erupção causar a divisão de uma baía, formando uma lagoa à parte.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Especiação alopátrica em invertebrados sedentários
Gabarito: letra A. A especiação alopátrica ocorre quando uma barreira geográfica divide uma população ancestral em duas ou mais populações isoladas, que então divergem por pressões seletivas distintas, deriva genética e mutações independentes — exatamente o que a erupção faz ao isolar uma baía em uma lagoa. As demais alternativas descrevem eventos que não criam isolamento geográfico duradouro, condição essencial para esse tipo de especiação.
A especiação alopátrica é o processo evolutivo em que uma população é dividida por uma barreira física — como uma cadeia de montanhas, um rio, ou, no caso do enunciado, a formação de uma lagoa separada do mar. Essa separação impede o fluxo gênico entre as populações, permitindo que cada uma siga seu próprio caminho evolutivo: mutações diferentes surgem, a seleção natural atua de formas distintas e a deriva genética opera independentemente. Com o tempo, as populações acumulam diferenças genéticas suficientes para que, mesmo se voltarem a se encontrar, não consigam mais cruzar — está formada a nova espécie.
O ponto central da questão é reconhecer que a especiação alopátrica exige isolamento geográfico. O invertebrado sedentário (como um coral, esponja ou molusco fixo) tem baixa capacidade de dispersão, o que torna a barreira física ainda mais efetiva: uma vez isolado, ele não consegue atravessar a nova barreira. A alternativa A descreve precisamente esse cenário: a erupção divide a baía, criando uma lagoa isolada — uma barreira geográfica que separa a população em duas.
As outras alternativas falham por não envolverem isolamento geográfico: a tempestade (B) altera o ambiente mas não separa populações; a mutação (C) é fonte de variabilidade, mas não causa especiação sozinha; a lesão (D) é um evento individual sem consequência populacional; e a invasão por organismo exótico (E) pode gerar competição, mas não isolamento geográfico.
A erupção que divide a baía em uma lagoa cria uma barreira geográfica que separa a população original em duas. Para um invertebrado sedentário, essa separação é definitiva: ele não consegue atravessar a nova barreira. As duas populações passam a evoluir de forma independente — sujeitas a pressões seletivas diferentes, deriva genética e mutações próprias — até atingirem isolamento reprodutivo. É o exemplo clássico de especiação alopátrica.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A tempestade que carreia plantas terrestres para o mar altera a turbidez e a matéria orgânica particulada, mas não cria isolamento geográfico. A população continua em contato, podendo haver fluxo gênico. Mudanças ambientais podem gerar pressões seletivas, mas sem separação física não há especiação alopátrica — no máximo, poderia favorecer especiação parapátrica ou simpátrica, mas não é o caso descrito.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A mutação é a fonte primária de variabilidade genética, mas não causa especiação por si só. Uma única mutação pode gerar uma nova característica, mas para que ocorra especiação é necessário que haja isolamento reprodutivo entre populações. A mutação é um dos fatores que atuam durante o processo, mas não é o gatilho da especiação alopátrica.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Uma lesão que leva o invertebrado a procurar nova fonte de alimento é um evento individual e comportamental, sem impacto sobre a estrutura genética da população como um todo. Não há isolamento geográfico nem reprodutivo. Mudanças de nicho podem, em contextos específicos, favorecer especiação simpátrica, mas não é o que a alternativa descreve.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A invasão de um organismo exótico semelhante pode gerar competição interespecífica, mas não promove isolamento geográfico entre populações da espécie nativa. A especiação alopátrica exige separação física; a presença de um competidor não separa populações, apenas altera as interações ecológicas.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre causa de variabilidade (mutação) e mecanismo de especiação (isolamento). Muitos candidatos marcam a alternativa C por associarem mutação a evolução, mas a especiação alopátrica exige, antes de tudo, uma barreira geográfica. Fique atento: a palavra-chave é "isolamento geográfico".
PEGA ESSA DICA!
Para identificar especiação alopátrica na prova, procure por barreira física (montanha, rio, formação de lagoa, fragmentação de habitat). Se a alternativa descreve apenas mudança ambiental, mutação ou comportamento individual, descarte. Memorize os quatro tipos: alopátrica (barreira geográfica), peripátrica (população pequena na periferia), parapátrica (populações adjacentes sem barreira completa) e simpátrica (mesma área, sem barreira).
Gabarito: letra A — a única alternativa que descreve isolamento geográfico, condição essencial para a especiação alopátrica.