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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — CESGRANRIO 2024

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
cg057789
Banca
CESGRANRIO
Órgão
CEF
Ano
2024
Cargo
Med ( )

Quão próximos estamos do

cenário ideal em educação?

 

Gargalos começam a ficar mais evidentes

no ensino fundamental

 

A trajetória educacional que um aluno irá vivenciar é muito determinada pelas condições socioeconômicas e culturais do seu contexto familiar e local.

 

Para quem nasce em uma família que não teve oportunidades de ter estudo formal, estudar e concluir a educação básica são processos difíceis.

 

Para outras famílias, há menos empecilhos para que os filhos passem por todo o ensino básico e, naturalmente, transitem para uma carreira, via ensino superior.

 

São muitas as possíveis barreiras que atrapalham a entrada e a permanência na escola,a mas alguns momentos específicos representam gargalos relevantes. No cenário ideal, estabelecido pela Constituição, todas as crianças de 4 anos já deveriam ter acesso à pré-escolab garantido e deveriam seguir na escola até a conclusão do ensino médio, aos 17 anos.

 

Os dados do Censo Escolar 2023, divulgados no último dia 22 pelo Ministério da Educação e Inep, órgão responsável pela pesquisa, desenham o cenário atual da trajetória educacional dos estudantes no Brasil.c Quão próximos estamos do cenário ideal?d

 

Nos primeiros anos da idade escolar obrigatória, os dados de 2023 revelam que o país está próximo da universalização do atendimento de crianças de 4 e 5 anos na pré-escola, apesar da redução nos primeiros anos da pandemia de covid-19. O número de crianças até 3 anos de idade matriculadas em creches também cresceu, chegando a cerca de 40% das crianças nessa faixa etária.

 

É no ensino fundamental que os gargalos na trajetória começam a ficar mais evidentes. Essa etapa é a mais longa da educação básica, concentrando mais de 26 milhões de estudantes, sendo mais de 80% na rede pública. O número de matrículas em tempo integral vem crescendo, tendo alcançado 16,5% no último ano. Esse crescimento é positivo para viabilizar uma educação mais completa, mas ainda está aquém do esperado e é extremamente desigual entre os estados.

 

Nessa etapa, muitos estudantes começam a ficar para trás. Devido a reprovações, já no 6o ano 16% dos estudantes não estão na idade certa para sua série. O atraso escolar traz diversos prejuízos para os estudantes, diminuindo o interesse pela escola e aumentando o abandono. Além disso, as desigualdades são alarmantes: a distorção idade-série é duas vezes maior entre estudantes pretos e pardos em relação a estudantes brancos.e

 

Assim, muitos dos que chegam ao ensino médio estão atrasados. O Censo mostrou importantes avanços nas matrículas no ensino profissionalizante e integral, mas as taxas de reprovação e abandono seguem altas e desiguais. Os avanços precisam ser celebrados, mas um foco para combater desigualdades será imprescindível para que todos os estudantes possam vivenciar uma trajetória educacional regular.

 

BACALHAU, P. Quão próximo estamos do cenário ideal em educação? Folha de S. Paulo. Disponível em: https://www1. folha.uol.com.br/colunas/priscilla-bacalhau/2024/02/quaoproximo- estamos-do-cenario-ideal-em-educacao.shtml. Acesso em: 2 abr. 2024. Adaptado.

O fragmento que evidencia claramente o caráter não igualitário da educação no Brasil é:
  1. A“São muitas as possíveis barreiras que atrapalham a entrada e a permanência na escola”.
  2. B“No cenário ideal, estabelecido pela Constituição, todas as crianças de 4 anos já deveriam ter acesso à pré-escola”. (parágrafo 3)
  3. C“Os dados do Censo Escolar 2023, divulgados no último dia 22 pelo Ministério da Educação e Inep, órgão responsável pela pesquisa, desenham o cenário atual da trajetória educacional dos estudantes no Brasil.”
  4. D“Quão próximos estamos do cenário ideal?”
  5. E“a distorção idade-série é duas vezes maior entre estudantes pretos e pardos em relação a estudantes brancos.”
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — “a distorção idade-série é duas vezes maior entre estudantes pretos e pardos em relação a estudantes brancos.”

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O fragmento que evidencia o caráter não igualitário da educação

Gabarito: letra E. A alternativa E é a única que apresenta uma comparação explícita entre grupos — estudantes pretos e pardos versus brancos —, o que evidencia diretamente a desigualdade. Como se lê no texto: “a distorção idade-série é duas vezes maior entre estudantes pretos e pardos em relação a estudantes brancos”. As demais alternativas falam de barreiras, do cenário ideal, dos dados do censo ou fazem uma pergunta retórica, mas nenhuma traz um dado comparativo que prove o caráter não igualitário.

O comando

O enunciado pede o fragmento que evidencia claramente o caráter não igualitário da educação. Isso é uma questão de compreensão (localizar informação explícita), não de inferência. Você não precisa deduzir nada: basta encontrar o trecho que, por si só, mostra desigualdade. A palavra-chave é “evidencia” — o fragmento deve mostrar, não apenas sugerir.

O texto

O texto discute a distância entre o cenário ideal de educação (previsto na Constituição) e o real, com base no Censo Escolar 2023. O autor aponta avanços (pré-escola quase universalizada, crescimento de tempo integral) e gargalos (reprovação, abandono, distorção idade-série). O parágrafo que trata do ensino fundamental é o mais rico em dados de desigualdade: menciona que 16% dos estudantes do 6º ano estão atrasados e, crucialmente, que a distorção idade-série é duas vezes maior entre pretos e pardos do que entre brancos. É exatamente essa comparação que evidencia o caráter não igualitário.

A técnica

Para resolver, pergunte a cada alternativa: este fragmento, sozinho, mostra uma diferença de tratamento ou de resultado entre grupos? A letra E responde sim: “duas vezes maior” é uma comparação quantitativa que revela desigualdade racial. As outras não: falam de barreiras genéricas, do que “deveria” ser, de dados gerais ou de uma pergunta retórica. A banca adora oferecer fragmentos que tangenciam o tema (barreiras, cenário ideal) mas não o evidenciam.

Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

“São muitas as possíveis barreiras que atrapalham a entrada e a permanência na escola”.

Este fragmento fala de barreiras que afetam a entrada e permanência, mas não menciona desigualdade entre grupos. Barreiras podem existir para todos, sem distinção. O texto não diz aqui que essas barreiras atingem uns mais que outros. Erro: tangencia o tema — fala de dificuldades, mas não evidencia caráter não igualitário.

Alternativa B — ❌ Incorreta

“No cenário ideal, estabelecido pela Constituição, todas as crianças de 4 anos já deveriam ter acesso à pré-escola”.

Aqui o texto descreve o cenário ideal — o que deveria acontecer. Não há comparação entre grupos nem dado de desigualdade. É uma norma aspiracional, não uma evidência de não igualdade. Erro: foge ao tema — fala do ideal, não do real desigual.

Alternativa C — ❌ Incorreta

“Os dados do Censo Escolar 2023, divulgados no último dia 22 pelo Ministério da Educação e Inep, órgão responsável pela pesquisa, desenham o cenário atual da trajetória educacional dos estudantes no Brasil.”

Este fragmento apenas apresenta a fonte dos dados (Censo Escolar 2023) e diz que eles “desenham o cenário atual”. Não há nenhuma informação sobre desigualdade. É uma frase introdutória, sem conteúdo comparativo. Erro: tangencia — fala dos dados, mas não os apresenta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

“Quão próximos estamos do cenário ideal?”

É uma pergunta retórica que introduz o tema, mas não contém nenhuma afirmação sobre desigualdade. Não evidencia nada; apenas questiona. Erro: foge ao tema — é um recurso de chamada, não uma evidência.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

“a distorção idade-série é duas vezes maior entre estudantes pretos e pardos em relação a estudantes brancos.”

Este fragmento traz uma comparação explícita entre dois grupos raciais, com um dado numérico (“duas vezes maior”). Isso é a prova direta de que a educação não é igualitária: estudantes pretos e pardos estão em situação pior. É a única alternativa que evidencia o caráter não igualitário, pois mostra uma diferença concreta entre grupos.

Conclusão

A questão testa sua capacidade de localizar a informação explícita que comprova a tese do texto. A letra E é a única que traz um dado comparativo entre grupos, enquanto as demais falam de barreiras, ideais, dados gerais ou fazem perguntas. Dica: quando o comando pedir “evidencia”, procure por comparações, números ou contrastes entre categorias — é aí que mora a prova.

Gabarito: letra E

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