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Questão de Português — Concordância (Verbal e Nominal) — CESGRANRIO 2025

PortuguêsConcordância (Verbal e Nominal)
Código
cg057979
Banca
CESGRANRIO
Órgão
BANESE
Ano
2025
Cargo
Tec Ban I ( )

Atravessamos um período de urgente preocupação climática. 

 

No Brasil, seca intensa, incêndios devastadores em diversos biomas e desastres como as chuvas que atingiram o Sul do país em 2024. No mundo, inundações no Saara e, em muitos outros países, elevação das temperaturas e do nível do mar. Para o campo da história, apesar de hoje os estudos que tratam de mudanças climáticas se mostrarem mais atuais que nunca, esse não é um tema novo, uma vez que muitos autores nos séculos 18 e 19 já pensavam a saúde e a doença a partir de suas relações com o ambiente e o clima.

 

Um pesquisador da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz) tem se dedicado a temas ambientais e às transformações ecológicas que caracterizam o chamado Antropoceno, termo que designa uma nova época geológica definida pelo impacto do homem na Terra. Ele analisa como a relação entre clima e saúde foi percebida ao longo da história, afirmando que as mudanças climáticas interferem na saúde, podendo influenciar na propagação de vetores — como mosquitos que transmitem doenças —, na qualidade das águas e do ar, na fisiologia dos organismos e na produção de alimentos.  

 

Para o pesquisador, a covid-19 trouxe à tona a discussão sobre a pandemia como parte de uma crise sistêmica, o que ocorreu não apenas entre cientistas e historiadores da doença e da medicina, mas também na esfera pública, na grande mídia e nas redes sociais. “Durante a pandemia, na imprensa, nas redes, ouvimos frases como ‘isso é uma expressão da crise ecológica’, ‘a humanidade é o vírus’. E essa questão não é supernova”.  

 

Ele afirma que há correntes nos séculos 18 e 19 que pensavam a saúde de forma abrangente e integrada ao meio ambiente. Isso é bastante claro no século 19, porque a própria maneira de conceber as inter-relações entre doença, corpo e ambiente tinha base nas ideias do neo-hipocratismo, de que os corpos precisam estar em equilíbrio com o ambiente e que o desequilíbrio causa a doença.  

 

Entre os estudos citados pelo pesquisador, consta uma pesquisa sobre a malária no interior de São Paulo, cuja proposta é pensar essas epidemias, conectando-as com a dinâmica do Tietê: “A malária é uma doença muito dependente de fatores ecológicos, muito ligada a questões climáticas, aos regimes hídricos. Ela convida a pensar a história das doenças não apenas como a narrativa da campanha de saúde pública focada em vacinas e antibióticos; essa é uma história que também envolve atores que pensaram doença e saúde de maneira a integrar as relações biológicas, as relações com o ambiente e com o clima”.  

 

A COC/Fiocruz tem uma forte tradição de pesquisas sobre a Amazônia. A razão disso, segundo o pesquisador, deve-se “à importância incontornável que a Amazônia tem nos estudos científicos e na saúde pública e pela própria densidade das pesquisas que vão se realizar a partir da segunda metade do século 20”. O bioma pode ser visto como uma representação dos processos e dos impactos globais que caracterizam o Antropoceno, refletindo as interações e as tensões entre os humanos e a natureza em uma área específica. “É quase um truísmo afirmar que é importante conservar a Amazônia por causa de seu papel na regulação climática, da chuva e do ciclo da água. A Amazônia é uma região vital para o equilíbrio do clima, da biodiversidade e dos recursos naturais, representando muitos dos desafios globais enfrentados em termos de conservação ambiental e impacto humano”.  

 

O pesquisador também destacou o caráter transnacional da própria Amazônia, que se estende por nove países (Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Venezuela e Suriname), acrescentando que o bioma ultrapassa as fronteiras políticas e que a história ambiental, por si só, já problematiza a ideia de uma história nacional, uma vez que rios, biomas e paisagens atravessam territórios. Além disso, sempre houve na região grandes projetos com financiamento de instituições internacionais e multilaterais. O pesquisador ressaltou ainda que há uma perspectiva na escrita da história de pensar a Amazônia de forma global desde a época colonial.  

 

Analisando a forma como a história lidou com o clima, o pesquisador afirma que por muito tempo as ciências sociais estiveram intimamente ligadas ao tema, no entanto, muitas vezes de maneira determinista, inclusive, justificando o colonialismo: “as ideias sobre clima, em muitos casos, envolveram uma visão racista a partir do pensamento de que povos, clima e ambiente tinham seus respectivos lugares. Isso foi uma estrutura para a legitimação científica do conceito de raça. Ou seja, assim como plantas e animais são ligados a ambientes específicos, o mesmo aconteceria com as raças humanas. Então, por muito tempo, a questão do clima, do ambiente, foi muito ligada a essa visão determinista, que teve consequências danosas ao servir de suporte para o racismo e o colonialismo”.    

 

Para ele, no entanto, agora, com a emergência da questão das mudanças climáticas contemporâneas, o clima vem sendo recuperado como “partícipe da história” e não mais a partir da ideia de que o clima determina a história e o caráter da sociedade. “Não é mais possível pensar processos climáticos sem considerar seus enredamentos com agência humana, com as organizações sociais e os processos políticos”.  

 

MANNHEIMER, Vivian. Com crise atual, clima passa a ser visto como ator relevante na História. Agência Fiocruz de Notícia, 12 nov. 2024.

Disponível em: https://agencia.fiocruz.br/com-crise- atual-clima-passa-ser-visto-como-ator-relevante-na-historia. Acesso em: 18 jan. 2025. Adaptado.

Com crise atual, clima passa a ser visto como ator relevante na História     A frase em que a concordância do verbo em destaque está empregada de acordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa é:
  1. AAo considerar os fenômenos climáticos ocorridos no Brasil, como seca intensa, incêndios devastadores e chuvas torrenciais, justificam-se os estudos sobre o impacto do homem na Terra.
  2. BFaltam aos institutos de pesquisas especializados em fenômenos tropicais a preocupação de examinar fatores ecológicos que estejam na origem de doenças como a malária.
  3. CNos últimos anos, começaram-se a estudar as relações entre mudanças climáticas e processos que têm grande repercussão na saúde humana, como as grandes pandemias.
  4. DPara aprofundar os estudos históricos sobre o clima, evidenciaram-se para os pesquisadores a necessidade de desfazer a vinculação entre clima e racismo.
  5. EQuando se analisa os índices de mortalidade por malária no Brasil, fica evidente que é necessário investigar a interação entre mudanças climáticas e adoecimento da população.
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GabaritoA — Ao considerar os fenômenos climáticos ocorridos no Brasil, como seca intensa, incêndios devastadores e chuvas torrenciais, justificam-se os estudos sobre o impacto do homem na Terra.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Concordância Verbal — Casos Especiais

Gabarito: letra A. A alternativa A é a única em que o verbo "justificam-se" concorda corretamente com o sujeito composto posposto "os estudos sobre o impacto do homem na Terra". Nas demais, há erro de concordância: em B, o verbo "Faltam" deveria estar no singular para concordar com o núcleo "a preocupação"; em C, o pronome "se" torna o verbo "começaram" inadequado, pois o correto seria "começou-se"; em D, "evidenciaram-se" deveria ser "evidenciou-se" para concordar com "a necessidade"; e em E, "analisa" deveria ser "analisam" para concordar com "os índices".

A questão pede que se identifique a frase em que a concordância verbal está de acordo com a norma-padrão. Isso exige analisar cada oração, localizar o sujeito de cada verbo em destaque e verificar se a flexão de número e pessoa está correta. O texto-base serve apenas como contexto temático; a resposta está na estrutura sintática de cada alternativa.

O primeiro passo é identificar o tipo de "se" que acompanha o verbo, pois isso muda completamente a concordância. Quando o verbo é transitivo direto e o "se" é partícula apassivadora, o verbo concorda com o sujeito paciente. Por exemplo, em "justificam-se os estudos", o sujeito é "os estudos" (plural), então o verbo fica no plural. Já quando o verbo é transitivo indireto ou intransitivo e o "se" é índice de indeterminação do sujeito, o verbo fica no singular, como em "começou-se a estudar".

Outro ponto crucial é o sujeito posposto. Quando o sujeito vem depois do verbo, é comum errar a concordância, pois o verbo pode parecer concordar com um termo que não é o núcleo do sujeito. Por exemplo, em "Faltam aos institutos a preocupação", o sujeito é "a preocupação" (singular), então o verbo deveria ser "Falta". O mesmo ocorre em "evidenciaram-se a necessidade", em que o sujeito é "a necessidade" (singular), exigindo "evidenciou-se".

A pegadinha central desta questão é a confusão entre partícula apassivadora e índice de indeterminação. Muitos candidatos, ao verem o "se", pensam que o verbo deve ficar no singular, mas isso só vale para verbos transitivos indiretos ou intransitivos. Em verbos transitivos diretos, o "se" apassiva e o verbo concorda com o sujeito. Por isso, é essencial classificar o verbo antes de decidir a concordância.

Concordância verbal com "se"
  • 1Partícula apassivadora (VTD + se)
    • Verbo concorda com o sujeito
    • "Justificam-se os estudos"
    • "Analisam-se os índices"
  • 2Índice de indeterminação (VTI/VI + se)
    • Verbo fica no singular
    • "Começou-se a estudar"
  • 3Sujeito posposto
    • Verbo concorda com o núcleo
    • "Faltam a preocupação" (errado)
    • "Evidenciaram-se a necessidade" (errado)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Na alternativa A, o verbo "justificam-se" está corretamente flexionado no plural porque o sujeito é "os estudos sobre o impacto do homem na Terra", um sujeito composto posposto. O "se" é partícula apassivadora, pois o verbo "justificar" é transitivo direto. A frase pode ser reescrita como "os estudos são justificados", confirmando a voz passiva sintética. Portanto, a concordância está perfeita.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O verbo "Faltam" está no plural, mas o sujeito é "a preocupação de examinar fatores ecológicos", cujo núcleo é "preocupação" (singular). O correto seria "Falta a preocupação". O erro é de concordância com sujeito posposto: o verbo foi atraído pelo termo plural "institutos de pesquisas", que não é o núcleo do sujeito. Isso caracteriza uma extrapolação da regra de concordância, pois o verbo deveria concordar com o núcleo do sujeito, não com um termo interposto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O verbo "começaram-se" está incorreto. O verbo "começar" é transitivo indireto quando seguido de "a" (começar a estudar), portanto o "se" é índice de indeterminação do sujeito, e o verbo deve ficar no singular: "começou-se a estudar". O erro é classificar o "se" como partícula apassivadora, o que levaria ao plural, mas isso não se aplica aqui. A banca explora a confusão entre os dois usos do "se".

Alternativa D — ❌ Incorreta

O verbo "evidenciaram-se" está no plural, mas o sujeito é "a necessidade de desfazer a vinculação entre clima e racismo", cujo núcleo é "necessidade" (singular). O correto seria "evidenciou-se a necessidade". O "se" é partícula apassivadora, pois "evidenciar" é transitivo direto, mas o verbo deve concordar com o sujeito singular. O erro é novamente a concordância com sujeito posposto, atraído pelo termo plural "pesquisadores".

Alternativa E — ❌ Incorreta

O verbo "analisa" está no singular, mas o sujeito é "os índices de mortalidade por malária no Brasil", cujo núcleo é "índices" (plural). O correto seria "Quando se analisam os índices". O "se" é partícula apassivadora, pois "analisar" é transitivo direto, e o verbo deve concordar com o sujeito plural. O erro é tratar o "se" como índice de indeterminação, deixando o verbo no singular, quando na verdade há sujeito paciente explícito.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura sujeitos pospostos e os dois valores do "se". Em A, o "se" apassiva e o sujeito é plural; em C, o "se" indetermina e o verbo fica singular. Identifique a transitividade do verbo antes de decidir.

PEGA ESSA DICA!

Para cada verbo com "se", pergunte: "posso transformar em voz passiva analítica?" Se sim, é partícula apassivadora e o verbo concorda com o sujeito. Se não, é índice de indeterminação e o verbo fica no singular.

Gabarito: letra A — a única em que a concordância verbal está plenamente de acordo com a norma-padrão.

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